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A nova rubrica quinzenal da nossa página afiliada, Ponto&Vírgula, começou com o testemunho na nossa co-autora Ana Vargas.

Acompanhe a partir daqui os textos publicados:

#1 Leio, logo... crio laços, por Ana Vargas (24/04/2018)
#2 Leio, logo... empilho, por Sofia Guedes Vaz (08/05/2018)
#3 Leio, logo… sonho,
por Alexandre Gusmão (22/05/2018)

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sexta-feira, 12 de março de 2010

A Trança de Inês, de Rosa Lobato de Faria (LeYa BIIS)

    Foi a minha vez de me estrear com Rosa Lobato de Faria. Simplesmente divino. Enquanto a história pode ser um pouco perturbadora é, sem duvida, arrebatadora e não conseguia parar de ler. A tragédia de Pedro e Inês transversal a Três épocas em tudo distintas, uma escrita divina, belíssima! Aqui ficam uns excertos:

    Ouço passos e uma voz de mulher, autoritária, desconhecida, ecoa como se estivéssemos numa sala enorme e vazia.
    - Já cumpriu três vidas?
    - Já cumpriu, responde outra mulher.
    - Que épocas lhe deram?
    - De 1320 a 1367. De 1963 a 2006. De 2084 a 2105.
    - Coitado. Era difícil conseguir pior.
    Accionaram um dispositivo qualquer e o meu corpo, equilibrado numa maca estreita, sai para a luz.
    - Que belo homem. Como é o nome dele?
    - Pedro.
    - Destino?
    - A Paixão.
    - Ah, bom. Nesse caso merece ser posto a descansar um tempo e num lugar de paz.


    Um dia, não sei porquê, faço uma confidência ao Maestro. Acho que ele é o mais inteligente de todos, o mais capaz de aguentar-se com um segredo sem achar que é tudo produto da minha imaginação doentia.
    Eu vivi noutro tempo, digo-lhe e ele acha natural.
    Claro, também eu, mas nunca falo nisso. Eles, coitados, que só têm uma vidazinha miserável, acham logo que são sintomas da nossa loucura.

***

2 comentários:

  1. Agora foi a minha vez de ler "A trança de Inês". É um romance muito bem escrito e que tem momentos apaixonantes, arrebatadores mesmo, mas outros em que a autora se transfigura e nos dá nacos de prosa mais compatíveis com alguns dos programas humorísticos em que participou. Igualmente geniais, mas deslocados no contexto. O melhor do livro, para além da narração em três momentos históricos distintos, passado,presente e futuro, são as personagens que habitam o hospital psiquiátrico em que Pedro (que habita no presente)está internado:o Maestro, a Poetisa Velha, o Dirigente, o Realizador e o Político. Mereciam mais espaço para além das poucas linhas que lhes são dedicadas.

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  2. Também li o livro e adorei. Nao só por ser escrito em 3 épocas totalmente diferentes umas das outras, como também elas se relacionam o destino é sempre a paixão . Tenho que ser sincera a epoca que mais gostei foi a do futuro , era tudo muito mais excitante

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