sábado, 5 de junho de 2010

Os Olhos de Ana Marta, de Alice Vieira (Caminho)

    Há livros que marcam a nossa infância. Quando penso nesses livros, há talvez dois ou três de cujos títulos e capas e até sentimentos, me lembro. "Os olhos de Ana Marta" é um desses livros. Já não sei que idade tinha quando o li, mas lembro-me que adorei, que era profundo e marcante. Mesmo na altura fiquei surpreendida porque tinha uma certa dificuldade em entrar no registo da Alice Vieira.
Nas últimas semanas fiquei mais curiosa com o tema do livro, porque embora me lembrasse que me tinha dito muito, não me lembrava do enredo. Porém, tinha também algum receio de me desapontar.
     Enganei-me!
   Peguei no livro e li-o de um só fôlego. Não o consegui largar. Descrito pela voz de uma criança que luta por compreender o estranho mundo que é a casa dela, entre as histórias da ama e a indiferença dos pais, até o descortinar de uma verdade fechada a sete chaves atrás de uma das muitas portas trancadas.
    Apesar de ser um livros para crianças, aconselho aos adultos... Está muito, muito bonito.

2 comentários:

  1. Já li, também quando era pequenita e lembro-me de ter gostado muito!
    Engraçado, também me lembro pouco do enredo. E agora fiquei com vontade de ler.

    Qualquer dia limpo-lhe o pó, página a página ;)

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  2. Eu nunca tinha lido, mas a insistência da Sofia e a minha convalescença levaram-me à sua leitura. Literalmente de um dia para o outro. Comecei a ler à noite e acabei de manhã bem cedinho. A história está muito bem escrita e é muito comovedora. Pr mais distantes que estejamos da nossa infância lembramo-nos todos como de vez em quando sentíamos que aquela não era a nossa família, que se calhar tínhamos sido adoptados...No caso da Marta estes receios eram infundados mas resultavam de pais totalmente ausentes, a agonizar em silêncio por causa da morte da primeira filha, Ana Marta, que o nascimento da segunda, Marta, não conseguiu eliminar. Só quando descobre o segredo, Marta descobre a chave para o coração da mãe e, quem sabe, para a sua cura.

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