sábado, 2 de outubro de 2010

"O Museu da inocência", Orhan Pamuk (editorial presença)

Tolstoi inicia Anna Karenina dizendo que as famílias felizes não têm história.Os amores felizes também não. Desde pequenos que sabemos que a história que começa com Era uma vez acaba com Casaram-se e foram felizes para sempre! A felicidade não merece ser contada.
O Museu da inocência obedece a esta regra: Kemal, solteiro, de boas famílias turcas, estava praticamente noivo de uma jovem, também turca, que estudara em Paris. Pouco antes da festa do noivado entra numa loja onde reconhece uma prima afastada que não via há muitos anos. Arranja todos os pretextos possiveis para que ela se encontre com ele num apartamento que pertencia à sua mãe e iniciam nesse dia um romance,ficando Kemal dividido quanto ao noivado ecasamento.
Termina por avançar com a festa do noivado, conseguindo que Fusun e os pais sejam convidados e compareçam. Depois da festa Fusun desaparece e Kemal arrasta-se numa existência melancólica que começa por afastar os amigos e conduz ao fim do noivado.
Algum tempo depois consegue encontrar Fusun que, embora casada, continuava a viver em casa dos pais. Durante oito anos Kemal comparece com regularidade em casa de Fusun onde vai roubando e substituindo objectos que lembravam Fusun, que leva para o seu apartamento. Ao fim de oito anos, Fusun divorcia-se e parte com a mãe - que enviuvara entretanto - e com Kemal numa viagem com destino a Paris.
Logo na primeira noite, quando conduzia o carro de Kemal, embate violentamente numa árvore e morre. Kemal continua a coleccionar objectos e começa a sonhar abrir um museu, que seria verdadeiramente um museu do amor.
Embora muito longo, deixamo-nos arrastar pela leitura e pela necessidade de conhecermos o desfecho da história, que sabemos (sentimos) acabará mal.
Notas curiosas: Orhan Pamuk é também um personagem do livro, representando o seu verdadeiro papel. Aparece na festa de noivado, onde dança com Fusun e já é descrito como escritor. É depois ele que é contratado por Kemal para escrever esta história que deverá acompanhar o visitante do museu. E, na parte final do livro, o escritor descreve a emoção que sentiu quando, há muitos anos atrás, dançou com Fusun.
Outra curiosidade foi perceber a similitude da vida social e dos preconceitos vigentes na Turquia (a história inicia-se em 1975), designadamente quanto à virgindade e ao casamento, com os existentes à época noutros países europeus, designadamente Portugal.
Finalmente, nas suas deambulações solitárias pela Europa, para conhecer museus, fala de um museu romântico que existe no norte de Portugal e da importância que teve para a sua decisão de criar um museu de homenagem a Fusun e ao amor de ambos.
E importa terminar com a frase que encerra o livro, por vontade expressa de Kemal, "Para que todos saibam, vivi uma vida muito feliz".

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