sábado, 14 de maio de 2011

Porque não ler...

Sento-me à lareira, manta sobre os joelhos, costas na almofada, e abro aquele promissor exemplar. Nada dá mais prazer que passar as mãos na capa e abrir as primeiras páginas, ver a textura e cor das folhas, verificar que a letra escolhida tem a forma e tamanho perfeitos. Estão criadas as condições para um belo serão numa realidade distinta da nossa.

Porém...

Algo nas palavras não bate certo. Estarei preocupada, distraída com alguma coisa? Ups... já li esta linha duas vezes... E o calor que vem da fogueira está a saber-me tão bem.

Por algum motivo, os filmes que dão na televisão parecem todos interessantes; já deitada, o sono surge antes da vontade de pegar no livro; os dias passam, mas o marcador não avança.

Chega então o dia em que pondero arrumar novamente o livro na estante. Mas algo me impede. Aquele autor é tão bom! Devia tentar avançar um pouco mais no enredo.

Sinto o peso dele na mala, todos os dias, prometendo acelerar a viagem pelos transportes públicos. Pego nele. Mas a senhora que vai a cabecear de boca aberta parece um melhor objecto de estudo.

Chego a casa e olho para a minha estante. Tantos livros lidos, e com tanto gosto; outros tantos ainda por ler. Lá esta um cujo tema foge ao que o actual explora... Fecho os olhos e faço a troca.

Não sei por que motivo acho sempre que um livro não se deixa a meio. Afinal, procuramos nele um refúgio para a realidade que nos envolve, procuramos perder-nos nas páginas, sentir-nos parte da história, identificar-nos com as personagens. Quando não acontece, só temos de encarar isso. Seja o nosso estado de espírito, o tipo de narrativa ou o enredo em si - se o livro é para proporcionar prazer, porquê ler um livro com um sentimento de sacrifício?

Pois a verdade é que, quando um livro nos atrais, o difícil é fazer tudo o resto!

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