Prémio Nobel da Literatura 2017

Prémio Nobel da Literatura 2017

Kazuo Ishiguro

autor, entre outros, de Os despojos do dia e Nunca me deixes


segunda-feira, 6 de junho de 2011

A independência de uma mulher, Colleen McCullough (Bertrand Editora)

    Os leitores de "Orgulho e preconceito" sabiam que a história de amor de Elizabeth e de Mr Darcy não tinha acabado quando concluiram a sua leitura. E suspeitavam que as irmãs Bennet tinham muito para contar. A vida de todas elas deveria ter sido infinitamente mais interessante depois de sairem de casa dos pais. Descobrir que Colleen McCullough (autora de Pássaros Feridos e de Tim, entre outros) tinha retomado a sua história, deixando apenas um hiato de alguns anos, parecia uma fórmula de sucesso.
    Curiosamente, a autora decide utilizar como figura central, a irmã mais nova, Mary. Mary, por decisão dos cunhados, ficou solteira e a tomar conta da mãe, pelo que o livro e a sua vida se iniciam com a morte inesperada da mãe.
    Tenho que confessar que me dividia entre a expectativa de encontrar todas as outras irmãs casadas e felizes ou, pelo contrário, em rota de colisão com a vida que lhes foi traçada pelos pais e pela sociedade.
    Penso que autora também sofreu essa ambivalência: Jane tem um casamento feliz e uma grande família, embora não ignore que o marido mantém uma relação com uma outra mulher quando está fora; Elizabeth e Mr. Darcy têm uma vida social intensa que contrasta com a vida familiar e afectiva; Lydia ama intensamente o marido mas quando ele está ausente ou depois da sua morte não dispensa a companhia masculina; Kitty é descrita apenas como tendo uma vida socialmente preenchida.
    É a morte da mãe primeiro e depois a decisão de Mary escrever um livro sobre os problemas sociais que afectam o norte do país e os problemas e as situações com que se defronta no périplo que decide empreender, que levam as irmãs a reunir-se e volta a aproximar Elizabeth e Mr. Darcy.
    Curiosamente, a autora castiga Lydia que é assassinada e faz Mary encontrar o amor, o casamento e mesmo uma maternidade tardia, recuperando desta forma o que poderia ter sido o destino de cada uma se Jane Austen lhes tivesse destinado estas vidas.
    Orgulho e preconceito manter-se-á na história da literatura ao contário desta sequela que irá desparecendo dos escaparates das livrarias.

1 comentário:

  1. Dispensava-se o spoiler no penúltimo parágrafo, por amor de deus! ainda não li o livro!

    Natércia.

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