Prémio Nobel da Literatura 2017

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Kazuo Ishiguro

autor, entre outros, de Os despojos do dia e Nunca me deixes


domingo, 21 de agosto de 2011

As velas ardem ate ao fim, Sándor Márai (D. Quixote)

   Um livro apaixonante. Dividi-me entre a vontade (necessidade) de ler e conhecer o desfecho e a vontade de atrasar o momento em que viraria a última página e ele deixaria de ter qualquer segredo para mim.
  Do mesmo autor já tinha lido A mulher certa, de que também gostara. Mas este último livro é excepcional, pela história, pelos ambientes, pelas personagens, pela escrita. Dois grandes amigos (que se descrevem como dois irmãos gémeos), cuja amizade se inicia no final da infância, quando ambos entram para um colégio na Áustria, embora sejam ambos muito diferentes entre si, reencontram-se ao fim de 41 anos e 43 dias.
   O livro retrata essa amizade como o sentimento mais forte que todos os outros (-Só os homens conhecem esse sentimento. Chama-se amizade.) O reencontro é fundamental para ambos que sentem que irão morrer em breve e que se mantiveram vivos justamente para este dia. Entre os dois está o fantasma de Krisztina, casada com um (o general) mas que partilhava com o outro (Konrad) e a mãe do general a sensibilidade e o gosto pela música. Como se o gosto pela música os distanciasse dos outros ou os tornasse únicos.
   Separados esses anos retomam a conversa como se o tempo não tivesse passado, porque aquilo que é importante, não esqueces nunca. Mas as coisas de pouca importância não existem, uma pessoa deita-as fora como os sonhos.
 
O general aguarda ansiosamente o encontro que lhe permitirá saber exactamente o que aconteceu na véspera da partida de Konrad e o envolvimento de Krisztina, mas à medida que formula as perguntas vai respondendo e substituindo as perguntas por outras, até à última pergunta: Se não tivesse sido aquela atracção penosa por uma mulher que morreu, qual teria sido o verdadeiro conteúdo da nossa vida? (...) Pensas também que o significado da vida não seja outro senão a paixão, que um dia invade o nosso coração, a nossa alma e o nosso corpo, e depois arde para sempre, até à morte? (...) E que se nós vivemos essa paixão, talvez não tenhamos vivido em vão? É assim tão profunda, tão maldosa, tão grandiosa e desumana a paixão?
   Um livro apaixonante.

2 comentários:

  1. Proponho a leitura de "A Mulher Certa". Fascinante, envolvente..

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  2. Obrigada pela sugesrão. Já o li, antes de iniciar o blog - em 2009 - e faço-lhe uma pequena referência num post de fevereiro de 2012.
    É também um excelente livro, cuja leitura nos atrai desde o princípio.
    Ficamos à espera de mais sugestões.
    Ana Vargas

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