segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Roubo, Peter Carey (Dom Quixote)

O subtítulo deste livro Roubo é Uma história de amor. Fica-nos a dúvida se a história de amor mencionada entre o Butcher Jones, pintor, caseiro e Marlene, assassina, aldrabona e autenticadora de pinturas justifica este subtítulo, embora o livro se conclua com uma declaração de amor: "uma pessoa melhor poderia ter fugido horrorizada, mas eu amava-a e não vou deixar de amar. (...) Como é que se pode saber quanto se deve pagar quando não se sabe o valor das coisas?"

A verdadeira e profundíssima história de amor é entre os dois irmãos, gémeos, Butcher Jones e Hugh, este último atrasado e obeso: "Havia o Hugh, sempre o Hugh. E eu sei que disse que em Tóquio não pensava nele, mas como é que alguém pode acreditar numa treta dessas? Ele era o meu irmão órfão, estava sob minha custódia, o filho da minha mãe. Tinha os meus ombros musculados e descaídos, o meu lábio inferior, as minhas costas peludas, a minha barriga da perna de camponês. Eu tinha sonhado com ele, tinha-o visto numa gravura de Hokusai, num carrinho de bebé em Asakusa."
A acção desenrola-se entre a Austrália, o Japão e os Estados Unidos da América, coleccionadores de arte, museus e falsificações, numa espiral que acaba num assassínio e no final da relação entre Butcher e Marlene e no regresso deste e do irmão à Austrália. Irónico e divertido com um toque policial.

Sem comentários:

Enviar um comentário