domingo, 8 de abril de 2012

Origens, Amin Maalouf (Difel)

    Até os nossos escritores preferidos têm o direito de nos desiludir. Da leitura da contracapa e da observação do João, percebi que este era um livro diferente. A morte do pai gerou no Autor a necessidade de pesquisar as suas raízes e a angústia de ter perdido a oportunidade de as recuperar através do relato dos seus protagonistas. Uma mala cheia de cartas e documentos que a mãe lhe traz permite iniciar este périplo pelas vidas passadas. Optou por não preencher as lacunas e vazios com a imaginação, mas estabelecendo hipóteses  a partir dos documentos, desfazendo nalguns casos as histórias familiares que heroicizavam sobretudo o seu avô paterno.
    Esta procura do nosso passado, das nossas raízes assola-nos a todos a um dado momento (ainda ontem recebi um mail do meu primo João Miguel pedindo uma série de dados sobre a família porque está a fazer a árvore genealógica) mas raros são os que publicam o resultado. De qualquer forma o génio do autor é perceptível na forma como constrói a narrativa, concluindo com a mesma cena com que inicia o livro - a notícia da morte do seu pai à mãe, sua avó materna, com ele presente - com ligeiras diferenças apenas. E na sua recusa de utilizar a palavra raízes:
    Não gosto da palavra "raízes" e da imagem ainda menos. As raízes enfiam-se na terra, contorcem-se na lama, crescem nas trevas; mantém a árvore cativa desde o seu nascimento e alimentam-na graças a uma chantagem: "Se te libertas, morres!"
    As árvores têm de se resignar, precisam das suas raízes; os homens não. Respiramos a luz, cobiçamos o céu e quando nos metemos na terra é para apodrecer. A seiva do solo natal não nos sobe pelos pés em direcção à cabeça, os pés só nos servem para andar. Para nós só as estradas contam.

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