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A nova rubrica quinzenal da nossa página afiliada, Ponto&Vírgula, começou com o testemunho na nossa co-autora Ana Vargas.

Acompanhe a partir daqui os textos publicados:

#1 Leio, logo... crio laços, por Ana Vargas (24/04/2018)
#2 Leio, logo... empilho, por Sofia Guedes Vaz (08/05/2018)
#3 Leio, logo… sonho,
por Alexandre Gusmão (22/05/2018)

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domingo, 16 de setembro de 2012

A Dança das Borboletas, Poppy Adams (Porto Editora)

    Comprei o livro na Feira do Livro de Lisboa deste ano: tanto a capa como o título e chamaram a atenção. Como de costume, li a contracapa, o que aguçou o meu interesse - diz ser uma história entre duas irmão. Separadas durante cerca de quarenta anos, a história começa com Ginny (a irmã mais velha) a espreitar pela janela da mansão da família, aguardando a chegada de Vivien (Vivi).
    «Narrada pela voz inesquecível de Ginny, este brilhante romance de estreia descreve-nos o que as famílias são capazes de fazer - especialmente em nome do amor».
    O livro está bem escrito mas esta não é a sua essência. Rapidamente percebemos que a narradora sofre de algum tipo de perturbação, ainda que não consigamos imediatamente decifrar se é algo que nasceu com ela ou o resultado de tantos anos em isolamento.
    Se nos momentos em que vamos conhecendo a história conturbada da família o romance acaba por nos absorver, grande parte do volume do livro consiste numa descrição exaustiva dos estudos que Ginny e o pai levaram a cabo sobre traças. Sim, porque na verdade o título original é "The Behaviour of Moths" (traduzido literalmente para "O Comportamento das Traças"), bastante menos poético e apelativo. 

    No final do primeiro capítulo, Ginny escreve: 
    Raramente há apenas uma única causa para que vidas se separem. Trata-se sempre de uma sequência de de acontecimentos, uma inexorável reação em cadeia em que cada pequena peça é absolutamente fundamental, como uma espiral de pedras de dominó colocadas em pé. E eu tenho estado a pensar que o primeiro de todos esses acontecimentos, a peça que se empurra com o dedo para desencadear todo o processo, deve ter sido quando a Vivi caiu da nossa torre sineira e quase morreu, há cinquenta e nove anos.
    No entanto, não é, em nenhum momento, clara a decisão de Vivi sair de casa, nem se percebe como este incidente da torre sineira influencia essa decisão. O passado da família é comovente, mas podia ter sido muito mais explorado.
    O final é inesperado. No entanto, é preciso ser persistente para lá chegar, entre as descrições das traças e das obsessões de Ginny.

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