domingo, 16 de setembro de 2012

O teu rosto será o último, João Ricardo Pedro (LeYa)

    "Sei por experiência, que quando um livro causa sensação convém esperar um ano antes de tomar conhecimento dele. É surpreendente a quantidade de livros que, ao cabo, nos dispensamos de ler". Somerset Maugham

    Esta frase, lida num livro de contos do Somerset, reforçou a minha convicção de que deveria deixar os livros envelhecer nas prateleiras das livrarias, desaparecer das críticas literárias, para então decidir se os leria ou não.
    Mas a minha convicção esboroou-se rapidamente com a leitura das primeiras páginas de "O teu rosto será o último", como já antes vacilara face ao título e à capa, ambos lindíssimos.
   Li-o quase obsessivamente, acompanhando o desfile de personagens que acompanham as duas gerações (avô e pai) que antecedem Duarte, o protagonista principal, tendo como cenário a nossa história, desde o Estado Novo até aos nossos dias. 
    A escrita é fluente e, no geral, quase poética:
    "No rosto de Duarte, pensou Luísa, apenas os olhos pertenciam à mãe. E pertenciam de tal forma à mãe que até parecia terem sido ali implantados à força. Ou conquistado, pelos seus próprios meios e após sangrentas batalhas, aquele lugar. E mesmo com o passar dos anos, não perdiam a consciência de que viviam num terreno que lhes era hostil. Num rosto ao qual não pertenciam."
    Mas não posso deixar de referir que o final me deixou um pouco incomodada: ficam muitas histórias por acabar, muitos nós por desatar. Não é que seja um livro aberto, mas como se fossem várias histórias em aberto mas que têm qualquer ligação ou ponte para as restantes, levando a que pensemos que no final vamos ter a chave que nos permitirá ligá-las.
    Mesmo o título leva-nos a interrogar qual será o rosto e o momento a que se refere (e embora não sabendo, continuo a achá-lo lindíssimo).  O autor também não o explica (Eu tinha uma série de títulos provisórios (fui tendo ao longo do livro), e esse foi daqueles que apareceu meio ensonado, meio em sonhos. Eu estava já nas últimas semanas... Bem, que título vou dar ao livro?, perguntava a mim mesmo. E aquilo foi meio em sonhos, apareceu-me esta frase... O que é que esta frase tem a ver com o livro? Não é muito claro, eu sei. O certo é que decidi, e foi mesmo assim que se chamou.
    Uma última palavra para as personagens femininas que, embora secundária, são importantíssimas para a narrativa e finamente detalhadas.

1 comentário:

  1. O livro é muito fraco, muito. Realismo mágico à portuguesa, un conto para adultos sem metáforas, sem psicologia nas personagens... Fraco, se não estivesse por trás a historia de ser um primeiro livro de um desempregado, ninguém ligaria.

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