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A nova rubrica quinzenal da nossa página afiliada, Ponto&Vírgula, começou com o testemunho na nossa co-autora Ana Vargas.

Acompanhe a partir daqui os textos publicados:

#1 Leio, logo... crio laços, por Ana Vargas (24/04/2018)
#2 Leio, logo... empilho, por Sofia Guedes Vaz (08/05/2018)
#3 Leio, logo… sonho,
por Alexandre Gusmão (22/05/2018)

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O pintor debaixo do lava-loiças, Afonso Cruz (Caminho)

    Existiu mesmo um pintor debaixo do lava-loiças, na casa dos avós do escritor e foi esse o ponto de partida para esta história ficcionada e deslumbrante. Quando comecei a ler, veio-me à ideia Gonçalo M. Tavares, pela escolha da localização da história, mas à medida que fui lendo, tornou-se incontornável a associação ao Principezinho de Saint-Exupery. É-lhe aliás feita referência no título Em 1940 um aviador que pousou em Lisboa haveria de escrever: o essencial não se vê e, de alguma maneira, a descrição que faz da cidade quando o protagonista chega a Lisboa é coincidente com a constante de textos deste autor.
   Ao contrário do principezinho, o protagonista desta história está atado à terra e vive os momentos dramáticos da 1ª Guerra Mundial nas tricheiras e o início da 2ª Guerra Mundial, passando por Bratislava, EUA e Portugal.
   As personagens, descritas com traços largos, prendem-nos à leitura: a deslumbrante Frantiska, que enuncia regras que mudam todos os dias, o coronel com flores na cabeça e que não gosta de armas, o mordomo que não entende metáforas, a sua viúva que todos os dias estende a sua roupa na cama e lhe põe um lugar na mesa....
   As frases roubadas são intermináveis e por isso deixo aqui apenas algumas, a começar com uma que encontramos logo na introdução:
   Enquanto a água se pode guardar em garrafas, as histórias não podem ser engarrafadas sem que se estraguem rapidamente.
   O mundo inteiro puxa-nos para baixo, mas as mãos de quem gosta de nós atiram-nos para o alto. Sem se cansarem.
   O amor, dizia Sors, é uma casa sem telhado, pois quando olhamos para cima vemos o céu.
   Não há mal em temer a morte. Há mal é em temer a vida.
   Frantiska tinha razão: quando se canta, as coisas voltam ao seu estado original.
   O esforço para ser feliz é muito maior do que aquilo que desfrutamos.

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