quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Morte em Veneza, Thomas Mann (Colecção Mil Folhas)

   Interrompi a leitura do Doutor Jivago, para ler Morte em Veneza. Comecei a leitura convencida que conhecia a história mas não podia estar mais distante.
   Aschenbach, o protagonista é um escritor alemão, de meia idade, disciplinado na sua vida e atividade e reconhecido pela obra já publicada.
   Num passeio que faz durante um dia de Primavvera, encontra um homem, um viajante, que desperta nele uma vontade imensa de viajar - Não era mais do que um grande desejo de viajar; mas surgia assim, num acesso repentino, e crescia nele até à paixão, até à alucinação.
   Decide partir para Veneza. Lá instalado, descobre um jovem polaco lindíssimo por quem se sente irremediavelmente atraído (e agora, que se encontrava de perfil para o observador, este de novo se tomou de espanto, quase pavor, perante a beleza verdadeiramente divinal daquela jovem criatura humana.)
   Esta atração leva-o a procurar rejuvenescer, pintando o cabelo e tratando o rosto, a segui-lo e à família, pelo dédalo das ruas de Veneza e, por fim, a ignorar o risco da  epidemia que assolava a cidade e que termina por o matar.
   As reflexões de Aschenbach permitem-nos entender a dualidade de valores e das vivências que nos são transmitidas e a justificação para a paixão vivida que leva - culmina - com a sua morte. Há uma imensa atração pela juventude e uma equiparação quase cúmplice com as mulheres, no que elas têm (segundo o autor) de emoção, sensualidade e paixão (nós, poetas, (...) podemos bem ser heróis à nossa maneira e guerreiros disciplinados, mas não deixamos de ser como as mulheres, pois a paixão é para nós sublimação e o nosso desejo deve permanecer amor...)
   É um livro sobre a beleza ( a palavra só pode enaltecer a beleza, não consegue reproduzi-la) e a paixão, e como esta pode alterar a vida das pessoas que a vivem e sentem. Mas é também um livro sobre a razão e a emoção, o desejo e o pecado, a juventude, a velhice e a morte.

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