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A nova rubrica quinzenal da nossa página afiliada, Ponto&Vírgula, começou com o testemunho na nossa co-autora Ana Vargas.

Acompanhe a partir daqui os textos publicados:

#1 Leio, logo... crio laços, por Ana Vargas (24/04/2018)
#2 Leio, logo... empilho, por Sofia Guedes Vaz (08/05/2018)
#3 Leio, logo… sonho,
por Alexandre Gusmão (22/05/2018)

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domingo, 10 de março de 2013

A Criança no Tempo, Ian McEwan (Gradiva)

    Livro danado cá em casa, "A criança no tempo" trata de um dos maiores terrores  de qualquer pai: o desaparecimento de uma criança.
    Kate tem três anos quando desaparece no supermercado onde se encontrava com o pai. Completamente rica, não há dúvida que a descrição da cena é extremamente emotiva, e senti arrepios enquanto a lia. Trata-se de uma das melhores capacidades de Ian McEwan: as descrições gráficas que faz de diversas situações que nos permitem sentir completamente presentes nessas mesmas cenas.
    Também característico do autor é o facto de não se cingir a um tema, mas explorar uma diversidade deles: questões políticas, episódios históricos, questões da mente, temas da física. Tudo isto nos é mostrado ao longo do livro, que segue o pai de Kate, Stephen, ao longo da sua tentativa de recuperação após o desaparecimento da filha.
    Não é um livro sentimental ou que explore profundamente esse lado da personagem. Está extremamente bem escrito. E o último capítulo é belíssimo.
    Esta frase é particularmente reveladora para o leitor, e sintetiza o livro:

    Teve uma premonição, imediatamente seguida por uma certeza, corroborada pelo sorriso de Thelma e pela instantânea compreensão dos meses por Edward, de que todo o sofrimento, toda a espera vazia, tinham estado contidos em tempo pleno de significado no desenrolar mais rico que era possível conceber.

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