Prémio Nobel da Literatura 2017

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Kazuo Ishiguro

autor, entre outros, de Os despojos do dia e Nunca me deixes


domingo, 5 de maio de 2013

Jane Eyre, Charlotte Brontë (Penguin Classics)

    Mais um dos livros que hei de ter de estudar no curso on-line. Já o tinha lido, mais do que uma vez, creio. No entanto, há tantas partes de que não tinha qualquer recordação que foi como se estivesse a ler pela primeira vez.
    Antes de entrar na síntese e opinião do livro, quero apenas deixar umas críticas: comecei por ler (reler) o livro em inglês, portanto na versão original. Sendo uma escrita complexa, quis intercalar com a versão portuguesa e eis que me apercebo que lera apenas versões incompletas do romance! Tinha duas edições distintas cá em casa: uma da Inquérito, de 1971, e uma da Verbo Juvenil, de 1988 - ambas as edições se encontram incompletas. Não que faltem partes essenciais da intriga, mas porque não foram traduzidas muitas das descrições ou dos devaneios e introspeções da personagem (o livro está escrito na primeira pessoa). Considero inadmissível que exista esta liberdade de tradução pois a beleza da história está precisamente nos pequenos detalhes de escrita. Entretanto a minha avó comprou uma edição mais recente - 2012 - da Civilização Editora. Esta tradução está completa. No entanto, mais uma crítica: quem leu em inglês e depois em português ou começou em inglês e continuou em português nota uma diferença absoluta na escrita! Como se a mesma obra tivesse sido escrita por duas pessoas distintas. E , de facto, é assim, porque foi feita uma tradução e eu não estudei tradução, mas se há liberdade total, então não concordo com isso! A versão portuguesa tem uma linguagem e mesmo uma construção frásica tão mais simples e plana, que perdeu tremendamente quando comparada com a inglesa. Sei que a obra foi publicada inicialmente em 1847 e que estamos em 2013, mas não penso que, por esse motivo, se deva alterar o estilo de escrita e sim preservá-lo!!
    Para quem não conhece, o romance é como que uma autobiografia de Jane Eyre, órfã desde cedo e acolhida pelos tios. Quando o tio - irmão da mãe - morre, faz a mulher jurar que cuidará da sobrinha como sendo sua filha, o que não acontece. Depois de muitas provações, é enviada, aos 10 anos, para o colégio para órfãs de Lowood onde fica até aos 18 anos, 6 como aluna e 2 como professora. Nesta altura decide que precisa de uma mudança e anuncia num jornal os seus serviços como precetora. Recebe uma resposta de Thornfield, para ensinar uma menina com menos de 10 anos. Só uns tempos depois de instalada conhece o proprietário da casa e protetor da menina que ensina, Mr. Rochester. Trata-se de um homem feio e muitas vezes rude para com ela e que Jane vai sempre descrevendo como tendo uma qualquer dor interior que, por vezes, lhe passa na expressão do olhar.
    E, claro, apaixonam-se um pelo outro. Mas o livro não termina aqui. A dor de alma de Mr. Rochester é um segredo muito bem escondido dentro das paredes de Thornfield.
   Este livro tem tudo: intriga, romance, drama e até suspense. E dá umas reviravoltas absolutamente inesperadas e deliciosas, para quem gosta. Ah, e um final feliz!
     Retirei várias passagens, mas já escrevi demais. Aconselho apenas que leiam.

1 comentário:

  1. O fascínio que acompanhou a leitura deste livro há muitos anos, cedeu à passagem do tempo.
    Muito bem escrito, com a dose certa de romance, suspense e de mistério, é uma versão da Cinderela, surpreendentemente feminista. Veja-se a reação de Jane Eyre à proposta de casamento: Continuarei a portar-me como preceptora da Adéle. Assim ganharei trinta libras por ano, e cama e mesa. Fornecerei o meu guarda-roupa com esse dinheiro, e não me dará nada senão (...) o seu afecto.
    Também por isso, não segue o padrão das histórias de fadas - conheceram-se, casaram-se e foram felizes para sempre.
    Antes de se casarem passam por várias vicissitudes que os equilibram, até do ponto de vista financeiro.
    É um livro percorrido pela ideia que os bons são sempre recompensados e os maus penalizados.
    Mas lemos com o mesmo prazer com que encontramos um velho amigo que já não vemos há muito tempo.

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