quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O Herói Discreto, Mario Vargas Llosa (Quetzal)

   
     O Herói Discreto não é seguramente o melhor livro deste autor, mas, como os restantes, está magistralmente escrito.
    A ação decorre entre Piura, onde reside o herói discreto, Felicito Yanaqué, e Lima, onde residem Ismael Carrera e Rigoberto, dedicando capitulos alternativos a um e a outros. Felicito é proprietário de uma empresa de transportes, honrando assim a memória do pai que trabalhou incansavelmente para que o filho pudesse estudar e tivesse as oportunidades que ele não teve. Ismael é proprietário de uma companhia de seguros, onde trabalha dedicadamente Rigoberto. Três homens de gerações distintas, mas cuja vida é marcada pelo trabalho e os prazeres adiados ou ignorados ou parcimoniosamente saboreados. 
    Felicito é casado com uma mulher com quem dormiu esporadicamente quando se encontrava hospedado na casa onde ela trabalhava e cuja mãe, a mandona, acusa de ter engravidado a filha. Para além da mulher, tem uma amante jovem, que ama, e mantém uma relação de amizade e dependência com uma vidente.
    Ismael, octogenário e desiludido com os filhos que esperam a sua morte, decide casar com a criada e deserdar os filhos. Rigoberto tem um casamento tranquilo e um filho adolescente bom aluno e bem comportado, mas que começa  a ver e a falar com um homem que mais ninguém vê (deus ou diabo). Rigoberto para além de trabalhar para Ismael é seu amigo pelo que aceita ser testemunha do seu casamento.
    As histórias e as personagens terminam por se cruzar, neste complexo enredo que envolve crimes, polícias, jornalistas e homens de negócios.
    Embora o livro nos envolva, padece de um misoginismo que se sente na quase ausência ou secundarização das mulheres, que são esposas ou criadas, amantes ou videntes, mas sempre dependentes e quase transparentes. Há também uma nota de desalento ou descrença nas gerações mais jovens, pois os filhos, na sua maioria, desiludem ou atraiçoam os pais.
      E ficam, algumas pontas soltas: quem é Edilberto Torres? Deus ou o diabo? Uma chamada de atenção de um adolescente? 
     
   

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