Prémio Nobel da Literatura 2017

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Kazuo Ishiguro

autor, entre outros, de Os despojos do dia e Nunca me deixes


sábado, 7 de dezembro de 2013

O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald (Abril/Controljornal)

   Passei por uma crise de leituras em que nenhuma livro me agarrou; quando, numa noite, agarrei num outro e, já deitada, ao fim de duas páginas também o fechei, levantei-me da cama e fiquei parada em frente da minha estante a avaliar os livros que ainda nao tinha lido. Lá, num cantinho, vi dois livros da coleção Novis, biblioteca Visão: O Grande Gatsby e Madame Bovary, dois clássicos que nunca tinha lido. Peguei n'O Grande Gatsby, satisfeita, e comecei a ler. Constraste imediato entre a qualidade de escrita de F. Scott Fitzgerald com a de Marisa de los Santos ("O Amor não espera à Porta"), cujo livro tinha fechado havia cinco minutos, precisamente porque achei que estava tão maravilhosamente escrito como os da Margarida Rebelo Pinto.
    Apesar do remake recente do filme, que até já tinha uma certa curiosidade de ver, não conhecia minimamente a história. E apesar de a personagem de Gatsby apenas aparecer no terceiro capítulo, desde logo o livro me prendeu. Está muito bem escrito, apesar de ter algumas partes confusas que, na sua maiora, atribuo à edição e tradução.
    A história é narrada por Nick Carraway, que após a primeira Guerra Mundial, vai para o Leste da América, onde se instala numa casinha modesta, mesmo ao lado da Mansão de Gatsby. Gatsby dá grandes festas todos os sábados, com multidões invadindo a sua casa, convidados ou curiosos, sedentos de luxo. Quando vai visitar  Daisy e Tom Buchanan, ela uma prima afastada de Carraway, conhece Jordan Baker, jogadora de golfe, que lhe diz ter ido a uma das festas de Gatsby. Umas semanas depois, Carraway é convidado para a festa do seu vizinho, onde também está Jordan, que os apresenta. Por conta de uma história de amor do passado, para a resolução daa qual Gatsby quer a ajuda de Carraway, tornam-se amigos íntimos, sendo que poucos além desse conhecem a verdadeira história desta excêntrica personagem.

    Se a personalidade é uma cadeia contínua de gestos bem sucedidos, então havia nele [Gatsby] algo de grandioso, qualquer sensibilidade exaltada às promessas da vida (...), um dom extraordinário para alimentar a esperança, uma prontidão romântica, como eu nunca encontrei em qualquer outra pessoa e não é provável que volte a encontrar.

    Para os românticos, como eu, deliciam-se quando se apercebem de toda a engrenagem amorosa que move Gatsby e desiludem-se, depois, pela sua incapacidade de deixar o passado no passado, o que acaba por constituir a sua desgraça.



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