Prémio Nobel da Literatura 2017

Prémio Nobel da Literatura 2017

Kazuo Ishiguro

autor, entre outros, de Os despojos do dia e Nunca me deixes


domingo, 30 de março de 2014

Demasiada felicidade, Alice Munro (Relógio d'Água)

  

    Estava com imensa curiosidade de ler um livro de Alice Munro, depois da atribuição do Prémio Nobel da Literatura 2013 e consequente divulgação e publicitação da sua obra. Para além do mais, gosto de contos. Bem escritos, conseguem hipnotizar o leitor e abandoná-lo quase imediatamente. A sensação de perda que produzem aumenta a ligação à história que acabámos de ler que assim se perpetua ou permanece mais duradouramente no nosso imaginário. Não partilho da perspectiva que a própria autora curiosamente transmite neste livro, no conto Ficção: (...) é uma colectânea de contos, não um romance. O que em si já constitui uma desilusão. É como se diminuísse a autoridade do livro, dando do autor a imagem de alguém que apenas ronda os portões da literatura, em vez de estar já lá dentro.
    Demasiada felicidade reúne dez contos, e o nome do livro é o título do último conto. É o único que tem uma base verídica ou é o único que é apresentado como tal. Conta-nos a vida de Sophia Kovalevsky, romancista e matemática. Embora perceba o fascínio que a protagonista exerceu sobre a escritora, o conto Demasiada felicidade, foi o que menos gostei. Talvez a necessidade de colar a narrativa aos factos conhecidos tenham impedida Alice Munro de soltar a escrita, como faz nos restantes contos.
     Uma leitura simples e intimiste, embora inquietante por vezes.

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