domingo, 30 de março de 2014

Demasiada felicidade, Alice Munro (Relógio d'Água)

  

    Estava com imensa curiosidade de ler um livro de Alice Munro, depois da atribuição do Prémio Nobel da Literatura 2013 e consequente divulgação e publicitação da sua obra. Para além do mais, gosto de contos. Bem escritos, conseguem hipnotizar o leitor e abandoná-lo quase imediatamente. A sensação de perda que produzem aumenta a ligação à história que acabámos de ler que assim se perpetua ou permanece mais duradouramente no nosso imaginário. Não partilho da perspectiva que a própria autora curiosamente transmite neste livro, no conto Ficção: (...) é uma colectânea de contos, não um romance. O que em si já constitui uma desilusão. É como se diminuísse a autoridade do livro, dando do autor a imagem de alguém que apenas ronda os portões da literatura, em vez de estar já lá dentro.
    Demasiada felicidade reúne dez contos, e o nome do livro é o título do último conto. É o único que tem uma base verídica ou é o único que é apresentado como tal. Conta-nos a vida de Sophia Kovalevsky, romancista e matemática. Embora perceba o fascínio que a protagonista exerceu sobre a escritora, o conto Demasiada felicidade, foi o que menos gostei. Talvez a necessidade de colar a narrativa aos factos conhecidos tenham impedida Alice Munro de soltar a escrita, como faz nos restantes contos.
     Uma leitura simples e intimiste, embora inquietante por vezes.

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