segunda-feira, 14 de abril de 2014

A Revoltada, Doris Lessing (Livros do Brasil)

    Nunca tinha lido nada da Doris Lessing, o que considero uma falha, por ser Prémio Nobel da Literatura (claro que ainda me falta ler muitos mais), e quando vi, na estante dos meus avós, o segundo e terceiro volumes da sua coleção "Filhos da Violência" fiz minha a missão de encontrar o primeiro volume - A Revoltada. Já não é editado, pelo que tive de o comprar em segunda mão, pela internet.
    Não sei muito bem o que dizer sobre este livro. Já me tinha perguntado - e até recentemente - como seria escreve e er um livro sobre uma vida perfeitamente normal, isto é, sem grande peripécias do protagonista, ou romances avassaladores, ou intrigas por destrinçar ou as aventuras que fizeram história. Como seria descrver o percurso de vida de alguém anónimo, de uma persinagem neutra que vai seguindo a sua vida ao rumo da maré que a arrasta. É um bocadinho asim que me sinto em relação a este volume, mas não num mau sentido. CLaro que o romance está muito marcado por uma época e um espaço - passa-se nos anos trinta, na África do Sul sob o domínio inglês, e termina em plena véspera de início da Segunda Grande Guerra -; no entanto, no fundo, trata-se da história de Martha Quest, na sua transição da adolescância para a idade adulta, com todas as suas lutas interiores e exteriores, os seus conflitos com os pais, a sua desilusão para com um mundo injusto em que pouco mais pode fazer do que conformar-se com as discrepâncias sociais entre colonos e nativos, com as suas exigências para seguir as tendências - desde a moda, à forma como se deve comportar socialmente e como se deve relacionar com os homens e repudiar judeus e comunistas.
    No fundo, toca temas que nos não são indiferentes e, frequentemente, compreendi e concordei com a personagem principal, tal como de tempo a tempos dei por mim a criticar as suas atitudes e decisões. A "quase-banalidade" de Martha Quest facilita a sua transposição para o mundo real  e permite estabelecer um contacto com ela. E, por isso, apesar de estranhar, porque não foi um livro que não conseguisse pousar ou parar de ler - pelo contrário, li-o muito devagar - quero saber o que vem a seguir, nos outros volumes.
    A minha maior crítica vai, mais uma vez, para a tradução. Desta feita não foram só alguma passagens que ficaram aquém. Toda a tradução é medonha, o que dificulta mesmo muito a leitura. (O volume seguinte tem uma tradutora diferente!!)

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