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A nova rubrica quinzenal da nossa página afiliada, Ponto&Vírgula, começou com o testemunho na nossa co-autora Ana Vargas.

Acompanhe a partir daqui os textos publicados:

#1 Leio, logo... crio laços, por Ana Vargas (24/04/2018)
#2 Leio, logo... empilho, por Sofia Guedes Vaz (08/05/2018)
#3 Leio, logo… sonho,
por Alexandre Gusmão (22/05/2018)

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segunda-feira, 14 de julho de 2014

How the soldier repairs the gramophone, Sasa Stanisic

    Depois de ter procurado este livro - em português - em vão, a Lucinda enviou-mo em inglês. Sasa, ou melhor, Aleksandar, protagonista e narrador de quase todo o livro, reside em Visegrad, antes da guerra, numa Jugoslávia ainda presidida por Tito. Vive a vida de uma criança, protegida pelos pais e pelos avós e marcada sobretudo pelo avô paterno. Uma criança comum mas original, que conta os passos que dá, os segundos antes de beber o leite e deixa sempre os desenhos incompletos. A guerra vai-se anunciando e insinuando no dia a dia dos adultos e deixando dúvidas e receios nas crianças.
    Apesar dos avisos a guerra chega brutal e surpreendentemente a Visegrad e Aleksandar e os pais fogem para a Alemanha. Anos depois Aleksandar regressa à Bósnia e Herzegovina e a Visegrad. O regresso foi antecedido por telefonemas repetidos à procura de Asija, uma rapariga muçulmana, órfã, que conheceu quando se refugiaram dos ataques. A morte de Tito e o fim da Jugoslávia coincidem com a morte do avô de Aleksandar, como se esta morte prenunciasse aqueles eventos mas também porque o avô não lhes pudesse sobreviver.
    É um livro sobre a guerra e o fim da infância, mas também sobre a perplexidade e os receios de uma criança cujos familiares tentam proteger da verdade:
    What do we need?
    What is the pocketknife for?
    What are the fifty marks for, and what exactly does it mean when someone says: in case we get separated?...
    Mas talvez a mensagem principal é a que é referida pela avó: You have to remember them both, Granny whispers to me from the backseat, the time when everything was all right and the time when nothing's all right.

    O livro não tem uma estrutura cronológica ou coerente, o que ajuda a sustentar a narração feita de pedaços de memória e de episódios. Um livro em que circulamos entre a infância, a bondade, a ingenuidade e as piores atrocidades da guerra, sem sinais de aviso. 
     

     

   

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