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A nova rubrica quinzenal da nossa página afiliada, Ponto&Vírgula, começou com o testemunho na nossa co-autora Ana Vargas.

Acompanhe a partir daqui os textos publicados:

#1 Leio, logo... crio laços, por Ana Vargas (24/04/2018)
#2 Leio, logo... empilho, por Sofia Guedes Vaz (08/05/2018)
#3 Leio, logo… sonho, por Alexandre Gusmão (22/05/2018)
#4 Leio, logo… exploro, por Lucinda Afreixo (05/06/2018)
#5 Leio, logo... preservo, por Manuela Pires (19/06/2018)
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Queremos que participe nesta rubrica! O que é, para si, ler? Qual é a sua visão do mundo literário, do lado do leitor? Entre em contacto connosco, por mensagem privada na página Ponto&Vírgula e partilhe a sua opinião.





sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Ao Sabor da Memória, João Araújo (Chiado Editora)

    O João Araújo, autor de "Ao Sabor da Memória", é um amigo. Conheci-o através da Eloïse, uma amiga que fiz na escola de dança - e a quem ele faz uma declaração de amor lindíssima, no livro. Ofereceu-mo antes de voltarem os dois para França, em busca de uma vida melhor.
    No fundo, é disso que o livro trata: da sua procura constante por uma vida melhor, de encontro aos seus valores, e que o preencha. É um livro autobiográfico, muito honesto e escrito com todo o coração. Apesar de algumas repetições de palavras e de, em meu entender, alguns lapsos de pontuação, é uma escrita simples e muito acessível, que dá vontade de ler - uma vontade acrescida por ser alguém com quem me relaciono.
    Filho de gente simples, imigrantes em França, decide seguir a carreira de agente da Polícia de Segurança Pública, quando regressa a Portugal. A sua vida, longe de ter sido calma, foi pautada por frequentes desilusões - com pessoas, com instituições, com normas... Revendo, passo a passo, o seu percurso de vida, vai também refletindo sobre a situação do país:

    Ali [na patrulha localizada de Venda Nova, Amadora], aprendi a ser mais humano.
    Nesse ano, tanto relativamente a Oficiais (....), como relativamente às pessoas que vivem em bairros degradados, relembrei-me que nem toda a gente é igual. Cada pessoa é uma pessoa. Com o tempo, tinha-me deixado apanhar por conceitos e preconceitos típicos na Polícia e provavelmente, em qualquer profissão ou comunidade.
    Fez-me bem esse regresso às minhas fontes éticas.
    
    Preocupa-me a atual situação que atravessamos em Portugal e entristece-me a quantidade de pessoas que sofrem privações e injustiças. Sinto que a nossa classe política está completamente desprovida de valores morais e que a sua intervenção se baseia exclusivamente em resultados a serem atingidos, custe o que custar e custe a quem custar.
    (...)
    Põe-se em causa cegamente tudo o que, democraticamente, tanto foi difícil conquistar.

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