segunda-feira, 11 de maio de 2015

Numa terra estranha, Jumpa Lahiri (Editorial Presença)

   
    Gostei tanto de ler este livro, que me obriguei a interromper a leitura quando já estava nas últimas páginas, para reservar o prazer de o concluir à noite, lentamente, saboreando o desfecho da história de Hema e Kaushik. 
     O livro é composto por duas partes, a parte um conta 5 histórias e a parte dois a história de Hema e Kaushik. Quase todas têm como protagonistas filhos de emigrantes bengalis, residentes nos EUA ou no Reino Unido. A intensidade com que querem deixar os sinais exteriores dessa origem, sobretudo na juventude, é sôfrega e contrasta com a atitude dos pais, mais ambivalente, desejando a integração mas tentando, simultaneamente, preservar as tradições e a memória.
     Nalguns casos os filhos regressam ou recorrem às tradições do seu país como um último recurso, como se fosse um porto de abrigo a que pudessem acostar quando precisam.
     As histórias que integram a primeira parte centram-se sobretudo no relacionamento entre emigrantes bengali e nacionais dos países para os quais emigram. Sobre famílias. Famílias bengali e famílias mistas. A segunda parte é uma belíssima história de amor, contada na primeira pessoa por Hema (e sobre a qual não direi uma palavra, para permitir o deslumbre e o arrepio que nos percorre o corpo durante a sua leitura). E não é sobre Kaushik que roubei uma frase, mas sobre Julian, um amor anterior:
    Durante os anos que passara com Julian, mesmo quando estava sozinha, os homens pareciam pressentir que o seu coração estava dedicado a outra pessoa, que ela nem ia pensar duas vezes neles, como se fosse um táxi que passava com a luz de ocupado ligada.
     Curiosamente, encontrei neste livro, no conto Apenas bondade, uma reflexão sobre a depressão semelhante à que consta no livro Americanah de Chimamanda Ngozi Adichie:
     O que poderia acontecer na vida dos filhos para que estes fossem infelizes? Devia ser esta questão que os pais se colocavam. "Depressão" era uma noção estranha para eles, coisa de americanos. Na sua opinião, os seus filhos eram crianças imunes às dificuldades e injustiças que eles mesmos haviam enfrentado na Índia, como se as vacinas que o pediatra dera a Sudha e Rahul quando estes eram bebés lhes garantissem uma existência livre de sofrimento.
     Um livro a não perder.

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