Prémio Nobel da Literatura 2017

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Kazuo Ishiguro

autor, entre outros, de Os despojos do dia e Nunca me deixes


terça-feira, 30 de junho de 2015

A Balada de Adam Henry, Ian Mc Ewan (Gradiva)


     A Balada de Adam Henry reconciliou-me com Ian Mc Ewan, depois da leitura impaciente (e penso que incompleta) de Solar. Reconheço, contudo, que Ian Mc Ewan é um autor consistente e um exímio contador de histórias que não se limita a contar a história, mas nos faz mergulhar no ambiente envolvente em que o que importa são as personagens, na sua totalidade e na complexidade das suas vidas. 
    A Balada de Adam Henry aborda o dilema de uma juíza chamada a decidir o caso de um jovem de 17 anos, Testemunha de Jeová, que padece de uma doença grave. Os médicos consideram indispensável que receba transfusões sanguíneas, o que é recusado pelos pais e pelo próprio. Mas embora o jovem dê o nome ao livro - e a balada que compõe - o livro centra-se na juíza, na sua vida pessoal e profissional e no balanço que faz quando confrontada com o desmoronar do seu casamento. A vertigem profissional mitiga o falhanço da sua vida pessoal que sente de uma maneira muito violenta porque coincide com a perceção do seu envelhecimento que torna irreversível a decisão de não ter filhos e que contrasta com o ar ainda relativamente juvenil do marido (E depois, havia a idade. Não o definhamento completo, ainda não, mas a sua promessa precoce que transparecia, como a que se pode captar, sob uma certa luz, quando se vislumbra o adulto no rosto de uma criança de dez anos. (...) Muito pior era a afronta especial que os anos reservavam a certas mulheres, como os cantos da boca a começarem a descair em busca de uma expressão de constante recriminação.)
    E se o casamento de Fiona Maye surge como o cenário deste livro, as decisões dela enquanto juíza ocupam a parte central do palco, saciando um certo voyeurismo do leitor mas que obrigam a uma reflexão sobre a escolha feita e as suas consequências.
    Um livro que se lê de um fôlego só. 

2 comentários:

  1. Há uns anos atrás Ian McEwan era o autor cujos livros eu devorava, tendo começado por "Expiação" e convertendo-me definitivamente com "A praia de Chesil". Entretanto zanguei-me com ele por causa de "Primeiro Amor, Últimos Ritos" (inacabado), e as minhas tentativas de reconciliação com "Solar" (inacabado) e "Amesterdão". Entretanto, a minha avó começou a ler esta "Balada de Adam Henry"; passou-o à minha mãe, por ter gostado muito, e ela, como se lê acima, também o adorou. Foi a minha vez. E finalmente pude concluir a minha reconciliação com o autor. Este livro é maravilhoso, as personagens têm tanta densidade que as sentimos como reais e, uma das coisas mais importantes, sentimo-nos parte da história, queremos compreender as pessoas que a compõem. Também li o livro de um só fôlego, desejosa de conhecer a decisão que a juíza vai tomar relativamente ao caso de Adam, de compreender a estranha ligação que se cria entre os dois e do desfecho que esse episódio acaba por ter na vida de cada um deles. Um excelente regresso de um dos meus autores preferidos. Aconselho vivamente.

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    1. "Amesterdão" --> http://leiturasemclube.blogspot.pt/2015/05/amesterdao-ian-mcewan-gradiva.html

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