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A nova rubrica quinzenal da nossa página afiliada, Ponto&Vírgula, começou com o testemunho na nossa co-autora Ana Vargas.

Acompanhe a partir daqui os textos publicados:

#1 Leio, logo... crio laços, por Ana Vargas (24/04/2018)
#2 Leio, logo... empilho, por Sofia Guedes Vaz (08/05/2018)
#3 Leio, logo… sonho, por Alexandre Gusmão (22/05/2018)
#4 Leio, logo… exploro, por Lucinda Afreixo (05/06/2018)
#5 Leio, logo... preservo, por Manuela Pires (19/06/2018)
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domingo, 13 de setembro de 2015

Portugal, A Flor e a Foice; J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

   
     Portugal A Flor e a Foice foi escrito entre abril de 1974 e outubro de 1975, em cima dos acontecimentos, mas com a distância inerente  ao facto do autor ser um "estrangeirado". Não se limita, no entanto, ao período da revolução, vai mais fundo, desfazendo a História de Portugal que aprendeu na escola e que, tantos anos volvidos, em certa medida, ainda consta dos nossos compêndios. E que provavelmente não será um exclusivo português. Aliás, J. Rentes de Carvalho reconhece-o quando escreve "Hoje como ontem, os cronistas purgam a realidade, enfeitam-na com guirlandas de boas intenções e ideais, ao mesmo tempo que os fotógrafos das cortes e das presidências se põem de cócoras em busca do ângulo mais favorável".
    Devo confessar que me diverti a ler estas passagens, que desconhecia ou de que me esquecera, sobre a nossa história e heróis a que não escapou a descrição de D. Sebastião com "o lado direito maior que o esquerdo e o pé com um dedo a mais" ou do convento de Odivelas onde as freiras esperavam o rei D. João V e onde "os lençóis eram perfumados de incenso antes da cópula, e os penicos de prata tinham, por asas, grupos de serafins em oração."
    Mas é na parte da história recente que o livro mais me surpreendeu, quer quanto a factos, quer, nalgumas situações, quanto à leitura que deles faz, designadamente quando se refere aos escritores portugueses desse período que diz que, regra geral, preferiram não se mexer. 
    Mas gostei muito deste regresso a este passado ainda tão presente e tão bem documentado e a que a distância do autor, porventura,  permitiu a intemporalidade. Não resisto a acabar com as mesmas palavras com que o autor encerra o livro:
    "Porém, para resguardo, e porque a liberdade e a esperança de momento são recentes e frágeis, dá vontade de lhes pôr ao lado o letreiro que às vezes se encontra nos jardins: É favor não pisar. Semeado de fresco."   

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