Prémio Nobel da Literatura 2017

Prémio Nobel da Literatura 2017

Kazuo Ishiguro

autor, entre outros, de Os despojos do dia e Nunca me deixes


sábado, 16 de julho de 2016

Os Anjos Morrem das Nossas Feridas, Yasmina Khadra (Bizâncio)


    Comprei este livro de Yasmina Khadra na Feira do Livro, pouco tempo depois de ter acabado de ler O que o dia deve à noite. No stand o vendedor conhecia bem este autor e aconselhou-me a trazer mais livros dele, o que não fiz e já estou arrependida. Yasmina é um excelente contador de histórias a que alia uma escrita realista mas poética.
    O cenário é mais uma vez a Argélia, no período entre as duas guerras e o livro inicia-se com os últimos momentos de um condenado à morte. Chama-se Turambo e tem 27 anos. Não sabemos porque foi condenado. Que crime o conduziu até ali. Neste monólogo inicial praticamente não há espaço para o passado, apenas vislumbramos alguns nomes ou locais. E o medo.
    Depois desta curta abertura inicial, o livro divide-se em três partes: Nora, Aida e Iréne, as mulheres que Turambo amou. Turambo deve o seu nome à aldeia onde nasceu e que foi destruída por trombas de água. Turambo e a família partem para Graba, sem o pai que crêem morto. Mekki, o tio, embora um jovem pouco mais velho que Turambo, passa a chefe de família, que inclui para além dele e sua mãe, Rokaya, irmã da mãe e a filha Nora. 
    É quando Nora se casa que Turambo aceita a proposta que insistentemente lhe era feita e entra no clube de boxe. No auge da carreira, Turambo decide desistir e essa decisão tem consequências violentas e inesperadas que estão na origem da sua condenação. 
    O livro acaba com um curto capítulo, a prisão é pior que a pena de morte e depois a liberdade é pior que a prisão. Sobrevivera apenas para aprender, à minha custa, que uma vida arruinada jamais se recupera.
     (...)
    Quando refletimos sobre as nossas vidas, apercebemo-nos de que não somos os heróis das nossas histórias pessoais. Por muito que lamentemos a nossa sorte ou gozemos de uma notoriedade que não raro empresta talento àqueles que não o merecem, haverá sempre alguém mais desgraçado ou mais afortunado do que nós.

    Uma palavra final para o nome do autor que inicialmente pensei tratar-se de uma mulher. Yasmina Khadra é o pseudónimo de Mohamed Moulessehoul que utiliza o nome da mulher como prova de amor e respeito. Mas a escolha de um nome feminino também visou exprimir a admiração profunda do autor pelas mulheres argelinas. Mais duas razões para gostar de Yasmina Khadra.

     

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