domingo, 4 de setembro de 2016

Harry Potter and the Cursed Child, J. K. Rowling - John Tiffany e Jack Thorne (Little, Brown and Company)

    Era inevitável que eu lesse este livro assim que ele ficasse disponível. Afinal de contas, sou total e completamente da geração Harry Potter – original! Comecei a ler a saga quando ainda só existiam dois ou três livros e ainda não tinha acontecido o Boom e Loucura HP. Aguardei (im)pacientemente por cada novo livro, encomendado ainda antes do lançamento para garantir que o tinha nas mãos poucos dias depois do mesmo. Saber que a história ia continuar, mas apenas na forma de peça, foi um duro golpe. Mas claro que teriam de disponibilizar o guião e, mais uma vez, o livro estava encomendado antes do lançamento oficial.
     Mas falemos do livro propriamente dito. Vou abster-me de fazer qualquer tipo de “spoiler” no próximo parágrafo, para dar apenas a minha opinião sobre o livro, mas fica o aviso que, para quem ainda não leu e não sabe a história – e quer manter as coisas dessa forma até ter oportunidade de ler ou ver a peça – os parágrafos seguintes já desenvolvem qualquer coisinha…
     Para quem espera revisitar o estilo J. K. Rowling, desengane-se. O livro é um guião, o transcrito da peça e está escrito dessa forma. Não achei uma fórmula brilhante de teatro – mas também só li, em teatro, o “Felizmente há Luar” e o “Romeu e Julieta”, a velha guarda. Quanto ao enredo, sim, agarrou. Foi maravilhoso revisitar o mundo mágico da minha infância e adolescência; existem momentos inesperados que me surpreenderam, e, dei comigo em sofrimento, durante o horário de trabalho, por querer saber o que ia acontecer a seguir – nesse aspeto, a J. K. não desaponta. Ainda assim há alguns momentos mais (à falta de melhor palavra) lamechas e outros um tanto previsíveis. No global gostei bastante, e só tenho pena de não estar escrito na forma de romance porque havia tanto para explorar com o que foi feito… (suspiros)

*SPOILER ALERT*

    A peça arranca onde acaba o sétimo livro: com o Harry, a Ginny, a Hermione e o Ron a levarem os filhos ao Expresso de Hogwarts, naquele que é o primeiro ano na escola para Albus Severus, o segundo filho do Harry e da Ginny. Antes de partir, a criança pergunta ao pai o que vai acontecer se for colocada nos Slytherin – o que acaba por se concretizar. Ao contrário do pai, Albus não é minimamente popular, e o seu único amigo é o filho do Draco, Scorpius Malfoy, sobre o qual pairam rumores, no mínimo, inquietantes. 
    Quando o Harry confisca um Vira Tempo, objeto que se tornou ilegal, Amos Diggory vai pedir-lhe que volte atrás no tempo e impeça a morte do filho, Cedric.  Harry recusa, negando estar em posse do objeto e sublinhando a proibição de viajar no tempo, mas Albus ouve a conversa e, no seguimento de uma discussão com pai (a relação pai-filho não é das melhores), convence Scorpius a, juntos, acorrerem ao pedido de Amos. Para isso, contam com o apoio da sobrinha do velhote, Delphi Diggory. E, claro, a coisa não corre nada bem…

    Have you heard me, Albus? This is bigger than you and your dad. Professor Croaker's law - the furthest someone can go back in time without the possibility of seriou harm to the traveller or time itself is five hours. And we went back years. The smallest moment, the smallest change, it creates ripples. And we - we've created really bad ripples.
    (Ouviste o que eu disse, Albus? Isto é maior do que tu e o teu pai. A lei do professor Croaker: o máximo que uma pessoa pode recuar no tempo sem a possibilidade de causar danos ao viajante ou ao próprio tempo é cinco horas. E nós recuámos anos. O momento mais ínfimo, a alteração mais ínfima, criam ondulações. E nós criámos ondulações mesmo muito más."

    Para os aficionados das aventuras do Harry e Cia, não podem deixar de ler. A mais valia é, sem dúvida, o revisitar de vários episódios passados, como que um passeio “down memory lane”.

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