sexta-feira, 24 de março de 2017

O Livreiro de Paris, Nina George (Editorial Presença)

    Já tinha lido algumas críticas positivas a este livro pelo que comecei logo a lê-lo após o ter recebido. O meu irmão conhece bem os meus gostos e costuma acertar nas escolhas que faz. Uma farmácia literária? Receitar livros  para curar males é uma ideia fantástica, mas que falha na concretização.
    Jean Perdu é o proprietário da Farmácia Literária que se encontra instalada num barco atracado no rio Sena, em Paris. Perdeu a mulher que amava há muitos anos e nunca mais voltou a amar. A leitura de uma carta, recebida também há anos, e que não lera então, altera a história que ele tinha vivido e leva-o a soltar as amarras do barco e a partir.
    Parte acompanhado de um jovem escritor que perdeu a inspiração e percebemos logo que a viagem será redentora para os dois e como irá  acabar.
    Se lemos muitos livros não pela história ou para descobrir o seu fim, mas pelo prazer da leitura, também neste caso não acontece. A leitura deste livro poderia, no entanto, ter a vantagem dos livros prescritos - que a autora no final elenca - mas os que conheço, no geral não se adaptam à descrição, nem à prescrição.
    O único autor português que aparece é Saramago, O Ensaio sobre a Cegueira. Depois de uma cliente referir que o tinha lido em jovem e que tinha ficado completamente desorientada, Perdu responde-lhe:
    Esse livro não é para quem está a começar a vida, mas sim para quem se encontra a meio da travessia. Para os que se perguntam que raio é que fizeram com a primeira metade. Para quem deixa de olhar para as pontas dos pés que tão denodadamente se foram colocando um à frente do outro, sem realmente ver para onde é que seguia de uma maneira tão disciplinada e inteligente. Cegos, apesar de conseguirem ver. Só os incapazes de ver a vida é que necessitam da fábula de Saramago.
    Talvez esta seja a melhor parte do livro.

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