terça-feira, 25 de abril de 2017

O meu nome é Lucy Barton, Elizabeth Strout (Alfaguara)


    Gostei muito deste livro. Li-o num dia! Num dia de trabalho. Foi um daqueles livros que, cada minuto disponível, consumi-o com a leitura. É um livro muito simples e bonito. Aliás, creio que é a sua simplicidade que lhe confere a beleza.

    A história é narrada por Lucy Barton que, na sequência de uma operação ao apêndice, tem de ficar nove semanas internada no hospital, por uma infeção que os médicos não conseguem localizar.
    Durante este período, a mãe de Lucy aparece uma noite, e fica outras quatro ao lado da filha. Havia anos que não se viam e mal se falavam. Ao longo dessas cinco noites e quatro dias, a mãe de Lucy mantém-se sentada no cadeirão ao lado da cama da filha, recusando a maca que as enfermeiras se oferecem para disponibilizar, e fala-lhe de vários casamentos falhados de amigos e conhecidos. Lucy recebe estas histórias com grande alegria no coração, por ter a sua mãe a seu lado, enquanto luta por sufocar tudo aquilo que levou ao seu afastamento do resto da família.


    Esta é uma história sobre amor (...). Esta é a história de uma mulher (...) que entra no quarto de hospital da filha e fala compulsivamente sobre os casamentos malogrados de toda a gente e que não sabe, não tem a menor ideia, do que está a fazer. Esta é a história de uma mãe que ama a sua filha. De modo imperfeito. Porque todos nós amamos de forma imperfeita.

    E não resisto a partilhar aquela que, para mim, é a passagem mais bonita do livro:

    Acho que não pensava que ia morrer. Acho que não pensava em nada, era só pânico, perceber que ninguém viria, e ver o céu ficar escuro e sentir o frio instalar-se. Gritava sem parar, de todas as vezes. Chorava até já quase mal conseguir respirar, (...) De vez em quando, vejo uma criança chorar com o mais profundo desespero e (...) quase sinto, nessas ocasiões, que consigo ouvir o som do meu coração a partir-se, do mesmo modo que conseguia ouvir, ao ar livre - quando as condições eram as ideais -, o milho a crescer nos campos da minha juventude. Já conheci muitas pessoas (...) que me disseram que não é possível ouvir o milho a crescer, mas estão enganadas. Não é possível ouvir o meu coração a partir-se, e eu sei que essa parte é verdade, mas, para mim, são inseparáveis, o som do milho a crescer e o som do meu coração a partir-se.



---------------- ADENDA - 26 abr 2017 ----------------

    Foi com alegria que descobri que a autora decidiu explorar um pouco mais das histórias partilhadas por Lucy e a sua mãe, enquanto nos desvenda um pouco mais sobre aquela personagem. Terminei de ler este livro com a sensação de que havia muito potencial por explorar, e com muita vontade de conhecer melhor Lucy e a sua família - parece que  não fui a única! O livro tem publicação prevista para 4 de maio de 2017, com o título (original) "Anything is Possible" ("Tudo é possível").


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