Prémio Nobel da Literatura 2017

Prémio Nobel da Literatura 2017

Kazuo Ishiguro

autor, entre outros, de Os despojos do dia e Nunca me deixes


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Rose Madder, Stephen King (New English Library)

    [em português, O Retrato de Rose Madder, publicado pela Bertrand Editora]

    Quando, no ano passado, li o livro Under the Dome, fiquei positivamente impressionada com Stephen King. Na minha procura por outros romances do mesmo autor que me despertassem o interesse sem serem demasiado assustadores (marca que é sempre associada a King), descobri este - Rose Madder. E chamou-me a atenção por se tratar da história de uma mulher vítima de violência doméstica que foge ao marido, levando consigo apenas o cartão de crédito dele. 
   Voltei a achar a escrita muito simples e acessível, o que é bom porque o li no original, portanto, em inglês.
   O livro começa com uma cena horrível, após uma sessão de pancada particularmente violenta a Rose Daniels pelo marido, Norman Daniels. Estão casados há cinco anos e passam outros nove ate que, em saber exatamente porquê, um dia Rose vê uma gota de sangue (seu) no lençol da cama e, ante a perspetiva de ter de mudar novamente os lençóis, decide, num impulso, sair de casa. A jornada não é fácil e é cheia de dúvidas e pânico - o que não seria de admirar: Norman é um detetive da polícia, que acabou de ser condecorado por desmantelar um círculo de droga há muito perseguido. Mas, mais do que isso, é um homem absolutamente perturbado e mais do que violento - é um assassino.
    Rose começa a orientar a vida graças ao apoio de uma casa-refúgio e, subitamente, tudo parece encaminhar-se: entra numa casa de penhoras para vender o anel de noivado (que descobre não valer praticamente nada) e, quando vai a sair, vê um quadro que é como se lhe falasse:

    It was the picture of the woman on the hill she was interested in, and only that. (...) It filled her eyes and her mind with the sort of clean, revelatory excitement that belongs only to the works of art that deeply move us - the song that made us cry, the story that made us see the world clearly from another's perspective, at least for awhile, the poem that made us glad to be alive, the dance that made us forget for a few minutes that someday we will not be.
    (Era no quadro da mulher na colina que ela estava interessada, e apenas esse. (...) Encheu-lhe os lhos e a mente com aquele tipo de excitação limpa e reveladora que pertence apenas às obras de arte que nos comovem profundamente - a canção que nos fez chorar, a história que nos fez ver o mundo claramente pela perspetiva de outra pessoa, pelo menos por um momento, o poema que nos deixou felizes por estarmos vivos, a dança que nos fez esquecer por alguns minutos que um dia não existiremos.) 

    Preste a ter um cantinho só para si, Rose troca o anel pelo quadro, que quer como primeira compra para a sua nova casa, nessa loja, onde conhece Bill Steiner e à saída da qual recebe uma proposta de emprego.
   Tudo se encaminha.
   Mas o quadro não é apenas um quadro. E Norman está a caminho.

   Gostei bastante do livro, com apenas dois senãos: i) foi um dos livros mais violentos que já li e (in)felizmente, as cenas estão tão bem descritas que foi horrível lê-las (e imaginá-las); ii) confesso que não estava a contar com a parte mais "fantástica" do livro, e dispensava-a, Ainda não conheço suficientemente bem o autor para saber se já deveria estar à espera dela ou não.

Sem comentários:

Enviar um comentário