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A nova rubrica quinzenal da nossa página afiliada, Ponto&Vírgula, começou com o testemunho na nossa co-autora Ana Vargas.

Acompanhe a partir daqui os textos publicados:

#1 Leio, logo... crio laços, por Ana Vargas (24/04/2018)
#2 Leio, logo... empilho, por Sofia Guedes Vaz (08/05/2018)
#3 Leio, logo… sonho, por Alexandre Gusmão (22/05/2018)
#4 Leio, logo… exploro, por Lucinda Afreixo (05/06/2018)
#5 Leio, logo... preservo, por Manuela Pires (19/06/2018)
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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Os deuses da culpa, Michael Connelly (Porto Editora)


    Passaram-me o livro para as mãos, dizendo apenas: Vais gostar de o ler.  E gostei.
    É o primeiro livro deste autor que leio. Tem uma abordagem distinta dos livros policiais mais comuns. Estamos a léguas dos policiais tradicionais em que tudo se desenvolve à volta de um cadáver e de um conjunto de suspeitos.
   No caso de Os deuses da culpa, a maior parte do livro decorre à volta do julgamento e durante a sua preparação e o que aparenta ser o homicídio de uma "acompanhante" pelo seu proxeneta, transforma-se num enredo bastante mais complicado envolvendo casos anteriores e policias corruptos. Nesse aspeto o livro está excelentemente construído, revelando-se verdadeira uma hipótese que foi avançada inicialmente apenas para suscitar a dúvida nos jurados.
   Mais frágil ou pelo menos mais lugar comum são as personagens que o povoam, a começar pelo protagonista principal, Dr. Michael Haller ou Mickey, divorciado, com problemas de relacionamento com a filha adolescente, sem escritório, que visita regularmente um amigo já de certa idade, Legal, com quem se aconselha sobre os casos que tem entre mãos. Um pouco o anti-herói, generoso, eternamente falido e incompreendido.
    Neste tipo de livros, o que interessa é sobretudo a construção do enredo, a investigação que vamos acompanhando até à descoberta do motivo do crime e do criminosos e neste aspeto o livro está muito bem estruturado, quase como um guião cinematográfico.
 
    Os deuses da culpa são os jurados porque são eles que decidem se o arguido é culpado ou inocente, mas depois há os outros deuses da culpa, não jurados, que nos julgam pelos atos e omissões da nossa vida, espécie de grilos falantes que nos acompanham ao longo da vida, julgando-nos permanentemente.
    

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