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A nova rubrica quinzenal da nossa página afiliada, Ponto&Vírgula, começou com o testemunho na nossa co-autora Ana Vargas.

Acompanhe a partir daqui os textos publicados:

#1 Leio, logo... crio laços, por Ana Vargas (24/04/2018)
#2 Leio, logo... empilho, por Sofia Guedes Vaz (08/05/2018)
#3 Leio, logo… sonho, por Alexandre Gusmão (22/05/2018)
#4 Leio, logo… exploro, por Lucinda Afreixo (05/06/2018)
#5 Leio, logo... preservo, por Manuela Pires (19/06/2018)
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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

À espera de Bojangles, Olivier Bourdeaut (Ed. Guerrae Paz) versão francesa (ed. Folio)

  
    Em junho do ano passado participei como voluntária na Noite Europeia da Literatura. Nessa qualidade, não tive oportunidade de assistir a todas as leituras que foram feitas. Mas entre as que vi, destacou-se a leitura deste livro, En attendant Bojangles, de Olivier Bourdeaut, por Ana Sofia Paiva, no Museu Arqueológico do Carmo. Foi um momento mágico. Não sei se foi do espaço, da leitura ou da música, mas foi um momento que não esquecerei.
    Não sabia que o livro já estava traduzido para português - À espera de Bojangles, Editora Guerra e Paz - e no final do ano passado comprei a edição de bolso, em francês.
   
    Leia-se o livro em francês ou em português, deverá ser acompanhado da música Mr. Bojangles, por Nina Simone. Uma e outra vez e sempre que no livro se dançar ao som desta música.

     A história é narrada por uma criança e por excertos do diário do pai. Sabemos no final que foi o pai que escreveu a vida deles, todos os momentos, os bons e os maus, as danças, as mentiras, os risos, os choros, as viagens, os impostos....O pai que alguns anos atrás se apaixonara por uma jovem mulher, num retiro de trabalho. Ela já evidenciava uma certa dose de loucura, mas isso torna-a mais atraente para ele, que cede a todos os seus caprichos. Todos os dias ele dá-lhe um nome novo e ela adapta-se à personalidade que o nome lhe confere. Mais tarde têm um filho que partilha com os pais aquela vivência fora do comum, mas totalmente apaixonante. A mãe acaba por o retirar da escola por não aceitar que lhe queiram corrigir a escrita e que não compreendam a importância de ele faltar às aulas para passear.
  
    O livro podia ter ficado por aqui, pelo elogia da loucura, pela descrição do casal apaixonado a dançar, pelos jantares e pelas festas que davam, pela felicidade do filho, mas sentimos desde o início que não será assim. A loucura da mãe vai-se agravando, comprometendo a vida em comum, e depois de um período de internamento, pai e filho ajudam-na a fugir e recuperam temporariamente a vida feliz que já tinham tido.
    Um livro muito bonito, sobre o amor imenso de um homem por uma mulher, testemunhado pelo filho de ambos, mas também sobre o fascínio que a loucura exerce sobre a vida de todos os dias, sem nunca cair no facilitismo ou nos lugares comuns.

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