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domingo, 15 de setembro de 2019

A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert. Joël Dicker (Alfaguara)

    Comecei a ler este livro porque vi os primeiros episódios da série, que me estava a prender, mas que, infelizmente, não consegui terminar. Além disso, se a série estava interessante, o livro devia ser espetacular! Isto porque nas adaptações televisivas há sempre pormenores que não cabem e que só temos acesso se lermos a história original.
     Assim que o comecei a ler, ouvi todo o tipo de opiniões: «o livro é espetacular», «o livro é uma desilusão», «o livro está a fazer imenso sucesso», «o livro é muito pobre», «se gostas da série, dizem que o livro está muito bom!», «esse livro?, a meio já tinha percebido tudo... só li o fim para confirmar»... O que ainda dá mais vontade de ler! Quanto mais não seja, para formar uma opinião. E formei-a. Adorei o livro por duas coisas em particular: a história e o foco sobre o processo da escrita.
    Quanto ao primeiro ponto, gostei imenso das mil e uma reviravoltas em que o leitor é apanhado, mas, acima de tudo, gostei da forma, como mais tarde, todos os pontos de unem, não deixando nenhuma ponta solta - e são inúmeras as perguntas que nos vão surgindo ao longo da leitura.
    Quanto ao segundo ponto, o romance inicia-se com um escritor em ascensão que, após o seu primeiro livro, tem uma mui severa crise de «página em branco» ou «bloqueio de escritor», que é o que leva a procurar o seu mentor e amigo em busca de ajuda. A par dos conselhos no «presente», cada capítulo é apresentado com dicas ou ensinamentos sobre como escrever um livro.

    Marcus Goldman, antigo aluno do famoso escritor Harry Quebert, encontra-se numa grave fase de «bloqueio de escritor» e acaba por pedir ajuda ao seu mentor, que o convida a passar uns dias na sua recatada casa em Aurora. Deliciado, Goldman aceita o convite, sem saber que tudo o que conhece sobre Quebert está prestes a ruir. Tudo começa a «[...] 6 de Março de 2008 [...]: descobri que Harry mantivera uma ligação com uma jovem de 15 anos, quando ele próprio tinha trinta e quatro. Acontecera por volta de 1975.»
    Mas a história está longe de ter terminado. A rapariga, Nola Kellergan, desapareceu sem deixar rasto nesse mesmo ano. E, subitamente, o seu corpo é descoberto no quintal de Harry Quebert, que fica doido de desgosto e, imediatamente preso, jura com todas as forças não ter matado o seu único amor.

    Afinal o que aconteceu no verão de 1975? Quem matou Nola Kellergan? Qual a natureza da sua relação com Harry e de que forma o levou a escrever o seu maior sucesso As Origens do Mal?

     Não resisto a partilhar a passagem seguinte, não só por ser um excelente conselho para futuros escritores, como por ter sido exatamente o que eu senti com este livro (e com alguns outros livros que me marcaram de alguma forma):

    «- Um bom livro, Marcus, não se mede apenas pelas últimas palavras, mas pelo efeito colectivo de todas as que as precederam. Cerca de meio segundo depois de terminar o livro, de pois de ler a última palavras, o leitor deve sentir-se dominado por um sentimento poderoso; por um instante, só deve pensar em tudo o que acaba de ler, olhar para a capa e sorrir com uma ponta de tristeza porque vai sentir a falta das personagens. Um bom livro, Marcus, é um livro que lamentamos ter acabado de ler.»

    A minha única crítica é para a forma como a história está organizada, ou seja, apesar de ter gostado imenso de o ler, gostaria de ter descortinado a intriga de outra forma. Senti que havia demasiadas mudanças de voz, demasiados «passados dentro de passados» (e eu até gosto muito do recurso à analepse). Mas não deixo de o recomendar!

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