segunda-feira, 22 de abril de 2019

23 de abril, Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor



      O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor é comemorado a 23 de abril, desde 1996, por decisão da UNESCO.

    O dia escolhido é simbólico para livro e autores, já que neste dia desapareceram importantes escritores como Miguel de Cervantes e William Shakespeare, entre outros. A ideia da comemoração teve origem na Catalunha e, neste dia, dia de São Jorge, uma rosa é oferecida a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo.
    Este ano, em Lisboa, haverá um desfile “ManiFESTA-te pela leitura”, organizado pelo Plano Nacional de Leitura 2027, que parte às 14:30 da Praça Camões rumo ao Chiado e que se destina a celebrar os livros, os autores e os leitores.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

José Saramago, Azinhaga


    Nos últimos tempos tenho-me deslocado com alguma regularidade a Azinhaga, terra onde nasceu José Saramago.
    Em maio de 2009 foi lá inaugurada a estátua de José Saramago. A estátua em bronze, criada pelo escultor Armando Ferreira "representa José Saramago em tamanho real sentado a um banco também em bronze", no Largo da Praça. 
    No livro que tem nas mãos estão escritas as palavras que são o princípio de um texto seu sobre a Azinhaga - “A aldeia chama-se Azinhaga…”.

    Segundo li em artigos então publicados, o grupo de leitores Mais Saramago propôs à Junta de Freguesia fazer uma estátua na Azinhaga, mas o então presidente, Vítor Guia, tinha a convicção de que o autor seria contra. Ao apresentar-lhe a ideia, em Lanzarote, Saramago terá respondido: “Quando eu morrer façam as estátuas que quiserem para os pombos me cagarem em cima”. Perante a insistência, aceitou e na inauguração disse que esperava um dia voltar e ver umas pessoas ali sentadas a ler ou a tirar fotografias.

    Nas vezes que lá fui nunca encontrei a estátua suja, mas também não encontrei pessoas sentadas a ler. Ontem, apesar da chuva que teimava em cair,  encontrei a estátua dele rodeada de turistas que tiravam fotografias revezando-se à sua volta.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Pais e Filhos, Ivan Turguéniev (Relógio D'Água)

Opinião do livro Pais e Filhos, de Ivan Turguéniev, editado pela Relógio D'Água, no nosso Clube de Leituras
      Começar por dizer que gostei muito de ler este livro pode dizer pouco, mas continuo a pensar que os livros se dividem entre os que gostamos de ler e os que não gostamos de ler. Como ouvi dizer recentemente, ler um livro é como falar com um amigo e há livros com quem gostamos mais de falar. Neste caso, confesso até que terei alguma dificuldade em explicar porquê, mas o que é certo é que mesmo não vivendo de episódios nem procurando criar suspense, não me apetecia parar de o ler.
    Provavelmente, na sua essência, e como o título indica, é um livro sobre pais e filhos, sobre gerações, sobre a forma como convivem, se cruzam, chocam e, por fim, na maior parte dos casos, se entendem. Mas é também um livro sobre o amor, ou sobre a importância do amor correspondido. E, não menos importante, é um livro que tem como cenário a Rússia aristocrática e rural, no final do século XIX.
   Pais e Filhos começa com a chegada de Arkadi, jovem estudante, que aparece acompanhado de um amigo, Eugéni Bázarov. O pai, Nikolai, viúvo, vive com o irmão Pável. São estas duas personagens, Bázarov e Pável, aparentemente secundárias e opostas, que ao longo do livro vão atrair a nossa atenção. 
    Pável, descrito como solteirão e solitário, «entrava naquele tempo incerto, crepuscular, em que as nostalgias se parecem com esperanças e as esperanças com nostalgias, em que a juventude já passou e a velhice ainda não chegou».
    Bazárov é, nas palavras de Arkadi, um niilista, ou seja, é «um homem que não se curva perante nenhuma autoridade, que não tem fé em nenhum princípio, seja qual for o respeito que rodeia esse princípio».
     Os dois desdenham-se, confrontam-se e opõem-se:

    «Dantes os jovens tinham de estudar; não queriam passar por ignorantes e por isso trabalhavam mesmo contrariados. Mas agora basta-lhes dizer: tudo no mundo é absurdo! - e está o assunto arrumado. Os jovens ficam encantados. E na verdade, outrora eram uns papalvos, mas agora tornaram-se de súbito niilistas.»

    A história decorre entre a casa da família de Arkádi, dos pais de Bázarov e ainda a casa de Anna Serguéievna Odíntsova e, no final, o autor esclarece o leitor sobre o «que faz agora, precisamente agora, cada uma das nossas personagens».
    O livro tem passagens excelentes que não hesitei em roubar:

   «O tempo (toda a gente sabe) voa por vezes como um pássaro, outras vezes arrasta-se como uma lagarta; mas o homem sente-se especialmente bem quando nem nota se o tempo passa depressa ou devagar.
    (...)
    O aparecimento da vulgaridade costuma ser útil muitas vezes na vida: ela alivia as cordas demasiado tensas, atenua os sentimentos de presunção ou de falta de respeito próprio, lembrando-lhes o seu parentesco com eles.»

   Uma palavra final para a tradução - de António Pescada - e para a edição, que me pareceram exemplares (confesso apenas que não gosto que as notas estejam no final do livro, em vez de aparecerem no rodapé da página em que são referidas).

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