quinta-feira, 20 de junho de 2019

A Princesinha, Frances Hodgson Burnett (Bertrand Editora)

Opinião do livro A Princesinha Sara Crewe de Frances Hodgson Burnett, pela Bertrand Editora, no blogue Clube de Leituras
    Uma das minhas mais queridas recordações de infância é das noites passadas em casa dos meus avós, deitada na cama, com a minha avó a ler-me, por bocadinhos, a história d'A Princesinha, de Frances Hodgson Burnett, e do meu avô a abrir devagarinho a porta, para nos assustar, dizendo que o lobo mau ia devorar a Princesinha. 
    Sempre me foi uma história querida, porque é uma história mágica, uma história de esperança, e porque eram os meus momentos de princesa dos meus avós.
    O ano passado, na Feira do Livro, decidi comprá-lo, para poder ter um volume desta obra querida na minha estante e, quem sabe, vir a lê-la aos meus filhos, como a minha avó me lia a mim.
    Depois da crueza de Misery, precisava de ler alguma coisa bonita e simples.
   A leitura foi muito rápida. O livro lê-se extremamente bem  e devo salientar que a tradução e a revisão são irrepreensíveis! Ainda assim, fiquei um pouco indignada com algumas das cenas e ocorrências que passam na história - mais ainda se pensar nas mensagens que as crianças que a ouvem ou leem podem assimilar. Na verdade, quando mencionei esses temas à minha mãe, a resposta dela foi «Claro. Mas nós falávamos sobre isso, quando eras pequena, sobre as injustiças».
    Sara Crewe viveu até aos seus sete anos na Índia, apenas com o pai, depois de a mãe ter falecido. Com esta idade, abandona a terra natal para se ir instruir em Inglaterra, em regime de internato. Como o pai é extremamente abastado e a menina sempre viveu com luxo, são essas as condições exigidas pelo progenitor quando entrega a sua única menina aos cuidados da Senhora Minchin. A antipatia é mútua entre ambas, desde o primeiro momento, e piora por Sara ser extremamente inteligente e sempre, mesmo na adversidade, educada e contida. Quando, no seu décimo primeiro aniversário, recebe a notícia da morte do pai e da sua consequente situação de pobreza extrema, Sara não verga, mas a Senhora Minchin decide punir os luxos dispensados à rapariga remetendo-a para o sótão e obrigando-a a trabalhar para suportar a estada na casa. Porém, Sara usa toda a sua imaginação para procurar o melhor da sua atual condição («Não posso deixar de imaginar e inventar... Estou mesmo convencida de que, sem isso, não poderia viver...»), transmitindo uma graça a si e a quem a escuta que lhe permite viver num mundo mágico e que, em breve, será recompensada.

   «Quando se tem uma alma terna, as mãos estão sempre abertas e o coração também; e se por vezes as mãos estão vazias, o coração, esse, é inesgotável e pode dar sempre coisas belas, boas e doces: consolo, conforto, alegria - e a alegria é, bastantes vezes, o mais eficaz de todos os presentes.»


    Continua a ser o livro querido da minha infância, mas ainda não decidi se vai ser da dos meus filhos.

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domingo, 16 de junho de 2019

Feira do Livro 2019

    Acabada a Feira do Livro deste ano, estes foram os livros que comprei. Menos que desejava seguramente, mas para além do preço dos livros, tenho que me lembrar daqueles que ainda aguardam que os leia, pousados em cima do baú do meu quarto e no chão, numa pilha que não cai porque os livros estão devidamente entalados entre a parede e a mesinha de cabeceira. Mas é difícil resistir a comprar quando temos a oportunidade de nalgumas centenas de metros quadrados encontrar praticamente todas as editoras, e, nalguns casos, os livros a preços de ocasião. 
    A sensação que foram muito menos livros do que queria resulta também do facto de alguns dos livros que comprei se destinarem a prendas.
    Neste lamento sobre os livros que não posso (ou não pude comprar) o Biblioteca-me lembrou-me o poema de Jorge de Sena, Ode aos livros que não posso comprar, de que roubei os primeiros e os últimos versos:
    Hoje, fiz uma lista de livros,
    e não tenho dinheiro para os poder comprar,
    (...)
    Por isso preciso de comprar alguns livros,
    uns que ninguém lê, outros que eu próprio mal lerei,
    para, quando se me fechar uma porta, abrir um deles,
    folheá-lo pensativo, arrumá-lo como inútil,
    e sair de casa, contando os tostões que me restam,
    a ver se chegam para o carro eléctrico,
    até outra porta.

   É por isso que ainda que se acumulem os livros que temos, lidos e não lidos, precisamos sempre de comprar alguns livros.

Misery, Stephen King (Hodder and Stoughton)

    Creio que, pelo menos para os próximos anos, dou assim por encerrada a leitura de Stephen King. Não quero que me interpretem mal - é um escritor exímio! Os três livros que li - este, A Cúpula e Rose Madder -, li-os no original e volto a frisar que é uma leitura muito simples e acessível... Para quem goste do estilo. E no entanto, os três livros não poderiam ser mais distintos. Se o primeiro me encantou pela sua vertente de ficção científica como forma de expor a vulnerabilidades humanas e o segundo me falou pelo tema da violência doméstica, Misery versa sobre a doença mental no seu extremo. Está tão bem escrito, que todos os leitores se sentirão Paul Sheldon, receosos, assustados, drogados. Esse é, para mim, o melhor do autor: a forma de descrever as cenas é tão real que é mesmo como se fosse connosco - para o bem e para o mal.
    Paul Sheldon é um escritor que procura afastar de si a marca da sua coleção bestseller, os livros sobre Misery Chastain. Por isso, decide que a personagem deverá morrer no último livro da saga e, livro publicado, segue para novas aventuras, um novo romance com o qual pretende convencer os grandes senhores do meio daquilo que vale. Findo o novo manuscrito, decide celebrar e, depois de uns quantos copos, fazer-se à estrada. Não contava porém com a tempestade de neve que se abate sobre ele, levando-o a ter um acidente de carro e acordar, dias mais tarde, no quarto de hóspedes de Annie Wilkes, uma ex-enfermeira que se intitula como a sua «fã número um». Porque está ali e não num hospital é uma das primeiras perguntas que Paul se coloca. Porém, cedo se apercebe de que mais vale não fazer perguntas. Mais vale não fazer Annie Wilkes ficar zangada. O problema é que a sua fã número um é na verdade a maior fã de Misery Chastain; e se há coisa que a deixa furiosa, é saber que Misery morreu.

    «Annie Wilkes was the perfect audience, a woman who loved stories without having the slightest interest in the mechanics of making them. (...) She did not want to hear about his concordance and indices  because to her Misery and the characters surrounding her were perfectly real.»
     (Annie Wilkes constituía a audiência perfeita, uma mulher que adorava história sem ter o menor interesse quanto aos mecanismos para as criar. (...) Ela não queria saber acerca da sua concordância e índices porque para ela Misery e as personagens à sua volta eram perfeitamente reais.)

    Um livro que me fez, em alguns momentos, sentir o coração na boca e obrigar os meus olhos a não saltarem para a página ao lado para saber se cada cena ia acabar bem ou mal, que, com Paul, me fez sofrer por descobrir que fora(mos) descoberto(s) e que haveria castigo pela sua(nossa) ousadia. De tal forma, que, para já, preciso de doses de leitura bem mais leves.

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quarta-feira, 12 de junho de 2019

Harry Potter e a Ordem da Fénix, J. K. Rowling (Editorial Presença)

Opinião de Harry Potter e a Ordem da Fénix, de J. K. Rowling, no blogue Clube de Leituras
    Sou daquele tipo de leitores chatos que não aceitam ouvir sequer uma linha à frente do que estiverem a ler, porque querem descobrir tudo o que se vai passar e saborear essa mesma descoberta. Porém, quebro essa regra a cada (re)leitura dos livros da saga Harry Potter. 
    Tendo decidido voltar a lê-la de fio a pavio este ano, confesso um grande prazer em revisitar este mundo mágico, como já terá ficado evidente nas minhas entradas sobre os livro um, dois, três e quatro. Para meu espanto, descubro mesmo um prazer renovado nestas leituras, pois já passaram quase dez anos desde que comecei a ler saga, e aquilo que me desperta a atenção hoje é diferente do que me encantava antes. Direi mesmo que, no caso de HP, é o saber a história já que me dá tanto gozo em lê-la, não só porque parece que estou a reencontrar amigos de há muitos anos, mas também porque consigo apreciar a criatividade e a coerência da autora. Como sei o que vai acontecer à frente, estou mais atentas às pistas que ela pode ter deixado antes - e são várias!
    No quinto ano de Harry em Hogwarts, o mundo está virado do avesso. Voldemort voltou, mas apenas Harry e os amigos, Dumbledore e os membros da reinstaurada Ordem da Fénix parecem acreditar nisso e procuram reunir forças para travar a ascensão do feiticeiro negro. E o Ministro da Magia faz tudo para desacreditar Harry e Dumbledore, convencido que tudo não passa de uma manobra do último para ficar com a sua posição. Se a vida de Harry não estivesse já suficientemente complicada com os colegas a deixarem de lhe falar ou a apontarem para ele nos corredores, enquanto sussurram, nada ajudam os pesadelos constantes e o constante mau humor que parece acompanhá-lo o tempo inteiro, sem que ele consiga controlá-lo. Mas será que é apenas isso? Ou, com o regresso de Voldemort, terá a ligação entre ambos estreitado?

    «Ocorreu-lhe, então, um pensamento verdadeiramente terrível, uma recordação que lhe aflorou à mente e lhe contorceu as entranhas como serpentes.
    De que anda ele atrás, para além de seguidores?
    Algo que só obterá furtivamente... como uma arma. Algo que não tinha da última vez.
    Sou eu essa arma, pensou Harry, e pareceu-lhe que um veneno lhe percorria as veias, gelando-o e fazendo-o suar (...)»

    Finalmente obtemos várias respostas às perguntas que nos assombram desde o dia 1: porque é que Voldemort tentou matar Harry quando ele era bebé? Porque é que não conseguiu?

    «O sacrifício da tua mãe fez dos laços de sangue a maior proteção que eu te poderia dar. (...) Enquanto o teu lar continuar a ser no sítio onde corre o sangue da tua mãe, o Voldemort não te poderá fazer mal. Ele derramou o sangue dela, mas este sobrevive em ti e na sua irmã. O sangue da tua mãe tornou-se o teu abrigo

    Mas trata-se apenas do levantar do véu. Voldemort não conseguirá esconder o seu regresso por muito mais tempo, e os feiticeiros terão de mostrar de que lado estão.

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sábado, 1 de junho de 2019

Berta Isla, Javier Marías (Alfaguara)

Opinião do livro de Javier Marias, Berta Isla, da editora Alfaguara, no blogue Clube de Leituras
    Andava cheia de vontade de ler este livro, mesmo antes do Diogo mo oferecer. Mais uma vez ele acertou em cheio. Era a capa - lindíssima - e o resumo na contracapa que me atraíam:
    «Berta Isla é a história de uma mulher que espera e se transforma. A história de um amor imperfeito, como o são todos.»
    E se o início não desmereceu a expetativa, confesso que a meio do livro fui arrastando a leitura, até aos últimos capítulos que, de novo, me entusiasmaram, mas aqui mais pela história que pela escrita.
    É  uma versão dos tempos modernos do Coronel Chabert do Balzac, livro que, curiosamente, ele também refere em Os enamoramentos. Mas em Berta Isla, ao contrário de outras adaptações, a maior parte do livro é dedicado ao período que antecede o regresso, ou seja, ao período do afastamento, da dúvida, do desconhecimento do destino do outro.
    A sensação que tive é que a escrita é muito mais interessante quando o tom é intimista. Nos capítulos iniciais e finais e, muito especialmente, logo a abrir o livro:

     «Durante algum tempo não teve a certeza se o seu marido era seu marido, de maneira semelhante àquela quando estamos meio a dormir meio acordados e não sabemos se estamos a pensar ou a sonhar, se ainda somos senhores da nossa mente ou a perdemos por esgotamento.»

    Depois deste início, o livro viaja até ao passado, até à altura em que Berta Isla conheceu Tomás Nevinson que virá a ser seu marido. Mas é esta parte inicial que é mágica, em que os acompanhamos e conhecemos, no presente e no passado. Curiosamente o livro é quase todo narrado na terceira pessoa, por um narrador omnisciente, com execeção de alguns capítulos em que é a voz de Berta que ouvimos:
 
    «Durante algum tempo não tive a certeza se o meu marido era meu marido, ou talvez tivesse precisado de não o estar e fingi, portanto, não o estar.» (pg 481)

   O que me surpreendeu quando acabei de o ler foi a resignação com que os dois viveram as respetivas vidas, sendo que, ao contrário do que é dito, não há qualquer transformação. Apenas aceitação.
    A dada altura há uma reflexão sobre o narrador vs o autor que não hesitei em roubar:

    «Falo do narrador, atenção, não do autor, que está metido na sua casa e não responde por aquilo que o seu narrador refere; nem sequer pode explicar porque este sabe tanto quanto sabe. Dito por outras palavras, o narrador na terceira pessoa, omnisciente, é uma convenção que se aceita, e quem abre um romance não costuma perguntar-lhe porquê nem para que toma a palavra, e não a larga durante centenas de páginas, essa voz de homem invisível, essa voz autónoma e exterior que não vem de sítio nenhum.»

    De Javier Mariás li Os enamoramentos, de que já falei, e o belíssimo Coração tão branco.

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terça-feira, 28 de maio de 2019

Chico Buarque

Imagem de Chico Buarque, vencedor do Prémio Camões 2019, no blogue Clube de Leituras
    Hoje não escrevo sobre um livro, mas sobre um músico e escritor: Chico Buarque, vencedor do Prémio Camões 2019.
     Chico Buarque foi escolhido por um júri indicado pela Biblioteca Nacional do Brasil, pelo Ministério da Cultura de Portugal e pela comunidade africana.
    Apesar de ser mais conhecido como músico, o Prémio Camões está longe de ser o primeiro prémio que recebe como escritor. Já tinha recebido o Jabuti,  em 2006 por Budapeste e em 2010 por Leite Derramado.
    Muito já foi dito sobre o prémio e o premiado mas não encontrei quem discordasse da sua atribuição. Chico Buarque faz parte das nossas vidas, de cá e de lá do Atlântico, e muito especialmente de quem fala, ouve e canta em português. Tive o enorme privilégio de o ouvir em 1980, na Festa do Avante, mas lembro-me dele desde sempre, a ouvir, ainda miúda,  A banda,e, depois do 25 de abril, o extraordinário Meu caro amigo.
     Se tivéssemos dúvidas sobre a atribuição do prémio, bastar-nos-ia lembrar de canções como Construção que acaba desta forma (para quem não se lembrar):

        «Amou daquela vez como se fosse máquina
        Beijou sua mulher como se fosse lógico
        Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
        Sentou para descansar como se fosse um pássaro
        E flutuou no ar como se fosse um príncipe
        E se acabou no chão feito um pacote bêbado
        Morreu na contramão atrapalhando o sábado.»

    Mas a música e letra mais fantásticas para mim são as do Geni e o zepelim, que começa assim:


«De tudo o que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita para apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá para qualquer um
Maldita Geni

    Wagner Homem, no livro sobre Chico Buarque, explica que esta música é baseada na da prostituta do conto Bola de Sebo de Guy de Maupassant.
     Isto sem falar nas canções de amor, que as sei quase todas, palavra por palavra, mas de que destaco Beatriz - nome da minha mãe - que é imperioso ouvir, com atenção à música e à letra (diz se é perigoso a gente ser feliz). O problema com Chico Buarque é parar.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Uma Abelha na Chuva, Carlos de Oliveira (Editorial Caminho)

Carlos de Oliveira + "@ Clube de Leituras"
     Uma abelha na chuva é um livro marcante, pela história, pelas personagens, pelas paisagens, pelo suspense, até. É um romance clássico, em ambiente neorealista.
    E é também um retrato impiedoso de um país atrasado, rural, socialmente estratificado e puritano. A história acontece num curto período de tempo, cerca de três dias, e decorre na zona centro do país. Apesar das diversas personagens que povoam o livro, ocupam espaço central o casal Álvaro Rodrigues Silvestre e a mulher, D. Maria dos Prazeres Pessoa de Alva Sancho Silvestre, Jacinto, o cocheiro deles e Clara, filha do oleiro cego, o Mestre António.
    Desde o nascimento da filha, o oleiro  embalava o sonho de sair da pobreza pela mão dela, através do casamento, razão pela qual não aceita o relacionamento desta com o cocheiro. É Álvaro Silvestre quem os denuncia, despeitado pelo que ouvira o cocheiro contar da sua mulher e porque «o ânimo impiedoso irrompia da sombra para saltar sobre o ruivo, que encarnava, por uma necessidade premente de fixar a angústia, o bode expiatório, o inimigo, a própria angústia», desencadeando uma séria de ações e consequências que ele não antecipara.
    Não deixa de ser curioso que, começando o livro com a ida de Álvaro Silvestre ao escritório de Medeiros, diretor da Comarca, para publicamente se acusar dos roubos que tinha efetuado, instigado pela mulher, tenha acabado por praticar um ato muito mais infame do que aqueles de que se dizia arrependido.
    Ao longo do livro as abelhas são invocadas, a começar pelo Dr. Neto, que tinha o quintal cheio de cortiços e colmeias e considerava que o mel quase alcançava o teor da suma perfeição.    
    A propósito de Álvaro e da D. Maria dos Prazeres e amigos:

    «(...) vê-los desfigurados é vê-los verdadeiros; todos eles fabricam fel; abelhas cegas, obcecadas.»
 
    E a acabar Uma Abelha na Chuva:

    «Por hábito, lançou os olhos às colmeias, que lhe ficavam mesmo em frente, dez ou doze metros se tanto (...). A abelha foi apanhada pela chuva: vergastadas, impulsos, fios do aguaceiro a enredá-la, golpes de vento a ferirem-lhe o voo. Deu com as asas em terra e uma bátega mais forte espezinhou-a. Arrastou-se no saibro, debateu-se ainda, mas a voarem acabou por levá-la com as folhas mortas."

    Um livro que tem de resistir à passagem do tempo, de que se tem de falar e, sobretudo, garantir que se continua a ler.