Sem destino, Imre Kertész (Editorial Presença)
Nas minhas estantes convivem livros da minha juventude, livros que fui comprando ao longo dos anos ou que me foram oferecidos, livros emprestados – e que prometo devolver – e livros que trouxe de casa dos meus sogros e dos meus pais, quando tivemos que as desmanchar. E juntamente com esses, vieram livros de casa dos meus avós, cuja origem descubro ou relembro quando vejo uma assinatura ou uma dedicatória nas primeiras páginas. Mas é sempre com imensa nostalgia que encontro na primeira página de um livro, no canto superior direito, a lápis, uma letra e um número. Sei logo que esse livro veio de casa dos meus pais e que a sua arrumação obedecia a uma lógica em que identificávamos a estante pela letra, por ordem alfabética, da esquerda para a direita, e depois a prateleira, contando de baixo para cima. «Sem destino» tem escrito E-3 e ao ler estas coordenadas sei imediatamente onde estava arrumado. Confesso que foi uma surpresa este livro. Depois de o ler de...