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A Caixa de Correio de Nossa Senhora, António Marujo (Temas e Debates)

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  N unca me tinha ocorrido que as pessoas escrevessem a Nossa Senhora de Fátima, embora seja natural que os crentes se lhe dirijam por escrito e não somente através de orações ditas ou murmuradas. Mas, no designado correio de Nossa Senhora, que integra cerca de oito milhões de mensagens, o que mais me surpreende é o facto de este ser cuidadosamente guardado, arquivado e tratado no Santuário.     Estas mensagens, estas vozes, atravessam quase todo o século XX até aos nossos dias, e por isso refletem os medos e os receios que ensombraram – e ensombram ainda - os crentes, portugueses na sua maioria, durante estes pouco mais de 100 anos. Como diz o autor, a abrir o livro, « desde o início, o tema da guerra inscreve-se vigorosamente no fenómeno: logo no primeiro diálogo contado pelos videntes, uma das perguntas é: "Quando acaba a guerra?" »    António Marujo propõe-se por isso a analisar e recensear a correspondência relacionada com o tema da guerra, as duas gue...

Um dia chegarei a Sagres, Nélida Piñon (Temas e Debates)

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   Um dia chegarei a Sagres foi-me oferecido pelos meus filhos, no Natal. Por coincidência, poucos dias antes tinha-o folheado e ficado com interesse em lê-lo, até pelo olhar exterior sobre o nosso país, a sua história e a língua. Como refere a Autora, Nélida Piñon, na contracapa:     “Cheguei a Portugal sabendo por onde caminhar, mas precisava estar lá pessoalmente para captar a paisagem, os enigmas do povo, os locais onde o sangue foi derramado. Eu precisava descobrir de onde veio esse nosso idioma deslumbrante (…).”    E quanto ao idioma, não deixa de ser interessante que tal como acontece com autores africanos de língua portuguesa, há uma capacidade de reinvenção da nossa língua ou utilização de termos menos correntes entre nós, mas muito expressivos, como rodamoinho ["E ainda imergir no rodamoinho do próprio coração" (pg. 63)] ou verossímil.     Como o título indica, Mateus, que nasceu no Minho, onde vive com o avô, decide ir ...

"Está tudo iluminado", Jonathan Safran Foer (Temas e Debates)

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    Um final de filme visto por acaso chegou para suscitar a minha curiosidade. O nome do autor na ficha técnica do filme avivou ainda mais a curiosidade, que a Nélia, de novo, esclareceu: era um filme baseado no primeiro livro do Jonathan Safran Foer " Está tudo iluminado ".     Um jovem americano decide viajar até à Ucrânia para procurar a mulher que salvou a vida do seu avô. Para o ajudar tem apenas uma fotografia e o que está escrito no verso. Para o auxiliar contrata uma empresa local, familiar, que envia para o acompanhar um jovem - Alexander Perchov - que servirá de tradutor e o seu avô, como motorista e guia. O avô é descrito como retardado, melancólico e cego. Embora o filho não acredite na cegueira arranjou-lhe uma cadela -Sammy Davis, Junior, Junior - , porque uma cadela Guia de Cegos não é só para pessoas cegas mas para pessoas que anseiam pelo negativo da solidão, que também os acompanhará.     Nessa viagem o passado e present...