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Uma História da Leitura, Alberto Manguel (Tinta da China)

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      Leio Uma História da Leitura com um ano de atraso, altura em que a recebi e, fiel à minha decisão de ler mais livros de autoras de língua portuguesa, a deixei em pousio, mas sempre próxima, para a ir desfolhando e antecipando o prazer de a ler. Até que à procura do próximo livro que leria, a comecei a ler e não parei.     Uma História da Leitura está dividida em três partes: A Última Página; Actos de Leitura e Poderes do Leitor, estas duas últimas divididas em capítulos.      Nos Actos de Leitura aborda, entre outros temas,  Os leitores silenciosos, Aprender a ler, Ler imagens ou Ouvir Ler. Na terceira parte, escreve sobre o Leitor simbólico, O furto de livros e o Autor e o Tradutor como leitores, bem como de Leituras proibidas. Quando escrevi esta última frase, usei o verbo falar, que depois substituí pelo verbo escrever, lembrando-me que Manguel justifica o uso frequente daquela expressão na prática antiga de leitur...

O Último Amante, Teresa Veiga (Tinta da China)

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    Mesmo antes de iniciar este blogue - já faz mais de 10 anos - que tenho o hábito de, mal acabo de ler um livro, tomar algumas notas, escrever as minhas impressões e roubar as frases que sublinhei à medida que o fui lendo. Tornou-se um hábito de forma que, em regra, não consigo começar a ler novo livro antes de o fazer, como se precisasse de resguardar a memória do que li e evitar que um e outro se cruzem e se baralhem personagens e enredos.     Mas nestes últimos dias tenho encadeado leituras umas nas outras, sem parar para escrever sobre cada livro que li, e de repente dei conta que ao lado dos livros para ler se têm acumulado os lidos mas não guardados, porque aguardam que me despeça como merecem, escrevendo as recordações que deles guardei.    Já li há algum tempo O Último Amante , que me foi oferecido por um amigo. Confesso que nunca tinha ouvido falar neste livro, nem sequer da Autora, Teresa Veiga. A nota biográfica que encontrei em vários sites s...

Sinais de vida, cartas da guerra 1961-1974, Joana Pontes (Tinta da China)

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    Ouvi falar deste livro por acaso e fiquei logo com vontade de o ler. Através dele e da Joana Pontes fiquei a saber que já houve projetos que visavam assegurar a conservação da correspondência trocada durante a guerra colonial, como o Projeto Recolha, mas que não foram porventura suficientes para garantir que uma parte não se perca, na Feira da Ladra ou em caixotes de lixo de qualquer casa desmanchada. Por isso estes Sinais de Vida é tão importante     Como é dito no prefácio, de Aniceto Afonso, " (...) Toda a população masculina nascida entre 1940 e 1954 esteve, de uma forma geral, sujeita a mobilização militar para cumprir serviço num dos territórios em guerra - Angola, Guiné ou Moçambique.     Mas todos os outros portugueses  acabaram por ser envolvidos pelo ambiente social resultante da guerra. Essa relação aumentou sentimentos, influenciou opiniões, provocou ansiedades e desespero. Todos, mobilizados ou não, viveram os dramas u...

O General e o Juíz, Luís Sepúlveda (Edições Asa)

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    Em 1998 Pinochet foi preso quando se deslocou a Londres para ser submetido a uma cirurgia. Como era Senador pensava ter imunidade diplomática.  O juiz espanhol Baltazar Garzón aproveitou a situação para emitir um mandado internacional de prisão e solicitou sua extradição para a Espanha, na sequência de uma queixa apresentada pelo seu envolvimento na Operação Condor, que se destinava a perseguir e eliminar opositores de várias ditaduras sul-americanas (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Uruguai e Paraguai).      Pinochet esteve 503 dias detido, ao fim dos quais o Reino Unido não autorizou a sua transferência para a Espanha. Foi durante este período que Luís Sepúlveda publicou estas crónicas. Como escreve no texto inicial, reconhece com amargura que apesar de Pinochet não ter sido extraditado para Espanha, os artigos foram apreciados "(...) pelos que sofreram, pelos que sofrem, pelos que ainda mantém a esperança e não se cansam de afir...

Morte na Pérsia, Annemarie Schwarzenbach (Edições Tinta da China)

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    Primeiro livro desta autora de quem pouco conhecia. Foi-me emprestado pela Catarina , colega da disciplina Escrita de viagem. Talvez por estar à espera de um livro de viagens, senti alguma dificuldade no início da leitura. Mesmo depois de ter lido a Nota prévia que avisa que este livro trará pouca alegria ao leitor. Não o poderá consolar nem reconfortar, como muitas vezes os livros tristes sabem fazer, (...)      Só quando compreendi que a Pérsia funciona apenas como cenário para o profundo drama existencial que a autora vive, é que comecei a lê-lo com interesse e mesmo avidez. A sentir o que ela escreveu e absolutamente surpreendida pelo facto de ter sido escrito nos anos trinta do século passado (embora só tenha sido publicado em 1995) pelo arrojo que evidencia.      O livro poderia decorrer em qualquer outro lado que representasse o exílio, o afastamento, o desconhecido. O medo. (« O perigo tem diferentes nomes. Por ve...

O meu amante de domingo, Alexandra Lucas Coelho (Tinta da China)

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    Depois de fazer um curso de escrita, entre janeiro e fevereiro, juntei-me com as minhas companheiras de curso para continuarmos a escrever e integrarmos também na nossa partilha a discussão de livros. Curiosamente somos só o mulheres, o que nos permite assumir uma posição particular quanto aos temas que vamos abordar - tanto na leitura como na escrita.     O primeiro livro que combinámos ler foi este, de Alexandra Lucas Coelho que, claro, vinha com muito boas recomendações. O excerto que foi apresentado no nosso encontro estava bem escrito mas surpreendeu-me pela... terminologia, vá. Confesso que sou conservadora quanto ao estilo de escrita e faz-me uma certa confusão ler asneiras - não é que não as diga, mas na escrita (e leitura) prefiro a suavidade. Ainda assim, uma vez que a autora nos apresenta uma personagem que fala assim, o tom é estabelecido de princípio, e sustentado durante todo o romance, pelo que acabei por me habituar - e ri-me muito....

O retorno, Dulce Maria Cardoso (Tinta da China)

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    A 1ª edição de O retorno é de 2012 pelo que já vai desaparecendo dos escaparates e dos destaques das livrarias mas, recentemente e por coincidência, várias pessoas me falaram nele. O livro trata, como o nome indica, do retorno, dos retornados como foram designados e ficaram conhecidos aqueles que após a revolução de 1974 escolheram sair das ex colónias e vir para Portugal, tivessem nascido e vivido cá ou não.     É um livro muito bem estruturado e escrito. O narrador, Rui, é um adolescente que vive com os pais e com a irmã em Luanda. Por decisão do pai, convicto que a situação que se vive vai acalmar, permanecem em Angola mesmo quando quase todos os vizinhos e conhecidos já haviam partido. Partem depois, à pressa, sem o pai, levado por um bando que o confunde com um criminoso, o carniceiro do Grafanil .     A chegada a Lisboa, à metrópole, é uma decepção. Segue-se a instalação temporária num hotel de cinco estrelas, perto do mar. O qu...