Nunca me deixes, Kazuo Ishiguro (Gradiva)
Desde o momento em que começamos a ler o livro apercebemo-nos que há um segredo por detrás da história que nos é contada e que é verdadeiramente terrível. Suspeitei do que poderia ser. Uma parte de mim queria confirmá-lo, para decidir se deveria ou não continuar a ler, mas a outra parte só queria prosseguir com a leitura. O livro é tão bom e está tão bem escrito, que nos envolve totalmente e sentimos que fazemos parte dele. E, ainda que saibamos o tal segredo a meio do romance, acaba por ser bastante secundário e, como o próprio autor descreve (em entrevistas a que assisti posteriormente), serve quase só para justificar uma base para a história - uma história de amizade. Talvez a mais bonita que já li. Kathy H., a narradora, tem 31 anos e exerce a função de «ajudante», enquanto aguarda para se tornar «dadora». As histórias que vai contando, giram em torno de reminiscências da sua vida até aquele momento, e incluem sempre os seus amigos mais che...