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Alias Grace, Margaret Atwood (Virago)

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    Como fã que sou da série da Hulu, The Handmaid's Tale , baseada no romance homónimo de Margaret Atwood, ao saber que a Netflix ia estrear uma série baseada num outro romance da autora, Alias Grace , decidi que, desta vez, conheceria primeiro o original.     E foi na língua original que optei por lê-lo.     É um livro que se lê muito bem, de escrita simples, e, como eu gosto, com base em factos reais. Nos anos 1840, Grace Marks ficou conhecida pelo seu potencial envolvimento no homicídio do patrão, Mr. Kinnear, e da sua governanta, Nancy Montgomery. A culpabilidade nunca foi totalmente esclarecida. Sabe-se que Grace esteve presente durante os homicídios, mas não se participou neles ou se foi meramente uma testemunha. James McDermott, que foi considerado culpado e condenado a morte por enforcamento, trabalhava na mesma casa e, na sua confissão, envolveu definitivamente Grace. Aliás, foram ambos encontrados numa estalagem em Lewiston, presos e levado...

Ian McEwan em Filmes

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    Ainda antes de darmos início a esta aventura que é o nosso Clube de Leituras, já éramos leitoras assíduas dos romances de Ian McEwan. No ano que terminou, chegaram aos grandes ecrãs portugueses duas adaptações de bons livros do autor, dos quais foi também o argumentista: Na Praia de Chesil e A Balada de Adam Henry . O autor conta ainda com outras seis adaptações de romances, além de alguns trabalhos como argumentista ou adaptações de pequenas histórias. Devido a esta estreita ligação ao cinema, muitas das suas reedições, da Gradiva, ostentam na capa imagens do filme a que deram origem.      Se, no geral, os filmes ficam aquém dos livros respetivos, nestas adaptações encontramos algumas exceções. Para darmos as boas vindas ao novo ano, deixamo-vos com uma compilação dos romances de Ian McEwan que foram adaptados para filme. NA PRAIA DE CHESIL  (finalista do Man Booker Prize) Primeira publicação : 2007  Resumo : Passado em 1962, leva-n...

Tudo é Possível, Elizabeth Strout (Alfaguara)

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    Foi com satisfação que, pouco depois de ler O Meu Nome é Lucy Barton , fiquei a saber que seria publicado um segundo livro. Quando terminei de ler o primeiro livro, senti-me perdida, porque queria continuar ali, naquele mundo de Lucy e da mãe e conhecer mais sobre elas e sobre as personagens sobre as quais falavam, evitando falar de si mesmas.     Este segundo livro, Tudo é Possível, explora precisamente isso: cada capítulo é como se fosse um conto individual, seguindo uma personagem em específico de entre aqueles que, num momento ou noutro, passaram pela vida de Lucy. Entretanto, além de Lucy, existe sempre alguma ligação entre as histórias, porque as personagens se conhecem ou cruzam de alguma forma, o que é interessante. Tive, portanto, parte do meu desejo satisfeito. Pude conhecer melhor estas personagens, aparentemente aleatórias nas aventuras que a mãe de Lucy lhe ia contando.     « Ouve! A mãe de Lucy Barton era horrível com ela, e o pai....

Escritos Secretos, Sebastian Barry (Bertrand)

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    Desde o momento em que comecei a ler este livro que só me apetecia apregoar o quão bem escrito está. Não é um livro para devorar; é um livro para saborear.    Tinha algumas reservas de início pois uma amiga minha já o tinha lido e descreveu-o como "muito estranho". Eu adorei-o e sem dúvida que o recomendo.     Roseanne McNulty, ou Roseanne Clear (nome de solteira) tem cerca de cem anos e encontra-se há mais de cinquenta num hospital psiquiátrico. O Dr. Grene, psiquiatra, é encarregue de avaliar os vários pacientes da instituição para determinar quais deles estão aptos para serem reintegrados na sociedade, contexto da iminente demolição do edifício que está praticamente em ruínas. Apenas os pacientes que, após avaliação, forem considerados inaptos serão transferidos para novas instalações.     Ainda que compreendendo, apenas pelo olhar, o quanto Roseanne sofreu ao longo da sua vida, antes de ser internada, o Dr. Grene nu...

O Quarto de Jack, Emma Donoghue (Porto Editora)

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    Este livro tocou-me muito. Não deixo de admirar a autora pela sua capacidade de criar um livro desta dimensão mantendo uma narrativa constante na voz de uma criança de cinco anos.     Não me lembro minimamente dos meus pensamentos quando tinha cinco anos pelo que não posso avaliar a acuidade dos pensamentos de Jack - ainda que, em determinadas alturas, me pareça difícil que uma criança consiga desenvolver alguns dos raciocínios que Jack desenvolve. Independentemente disso, trata-se de uma história comovente sobre o amor de uma mãe pelo seu filho.     Jack e a Mamã estão encarcerados num quarto fechado, à prova de som, apenas com uma pequena clarabóia para permitir a entrada de luz natural. No quarto têm uma cama (que partilham nas noites em que não há visitas do Nick Mafarrico; quando as há, Jack tem de dormir no guarda-fatos), uma mesa, um fogão, um frigorífico, uma televisão, uma sanita, uma banheira...     A história começa ...

Vidas Entrelaçadas, de Linda Grant

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    De título original The Clothes on Their Back (perto de As roupas vestem ) conta-nos a história da família Kovacs, contada pelo tio Sandór e escrita e explorada pela sua sobrinha Vivien. Não concordo com a tradução do título para português porque não faz jus ao enredo. O título original baseia-se em pequenas referências ao longo do romance de como as roupas que vestimos nos podem definir uma diferente pele, quer estejamos a falar de roupas, no seu sentido literal, ou simplesmente da imagem que procuramos adoptar. Temos acesso a um rol de personagens muito bem exploradas, não sendo uma exploração exaustiva e permitindo-nos criar as nossas próprias conclusões acerca dos seus papéis e estilos de vida. Mais concretamente, para mim, este livro retrata as escolhas, tão diferentes, mesmo para pessoas em circunstâncias semelhantes, que vamos fazendo ao longo da nossa vida, sobretudo quando em situações de afrontas directas à sobrevivência. A diferença abissal do modo de vi...