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Acabámos de ler:

Morrer na Praia, Leonardo Padura (Porto Editora)

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      Morrer na Praia não é o melhor título de livro para ler na praia, mas foi o meu  companheiro das tardes de verão, no areal branco da praia da Consolação. Em espanhol o título é Morir en la arena . Penso que terá o mesmo significado que o título português: falhar perto de um objetivo. O Priberam esclarece que a expressão morrer na praia significa “Falhar ou desistir de algo que estava prestes a ser concretizado ou bem-sucedido”.     Como podemos ler na contracapa, “A vida de Rodolfo, foi marcada pelo trauma da  sua passagem pela guerra em Angola, mas sobretudo pelo homicídio do pai às mãos de Geni, o seu irmão mais velho, na casa ao lado daquela onde ainda mora. Agora que se reformou e só lhe resta a monotonia dos dias – salpicada apenas pela emoção de uma intimidade inesperada com a vizinha Nora, o seu velho amor da juventude e atual  mulher de Geni, Rodolfo recebe uma notícia inquietante: gravemente doente, o irmão  será li...

Soldados de Salamina, Javier Cercas (Porto Editora)

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      Li recentemente O Louco de Deus no Fim do Mundo  e falaram-me deste outro livro do mesmo autor, editado em Espanha em 2001. O resumo da história está na contracapa pelo que não estragarei o prazer da leitura contando-a:     "No final da Guerra Civil Espanhola, um grupo de prisioneiros nacionalistas é executado perto da fronteira com França. Entre eles encontrava-se Rafael Sánchez Mazas, um dos fundadores e ideólogos da Falange, futuro ministro de Franco e poeta, que conseguiu escapar e refugiar-se no bosque. Até que um soldado republicano o descobre, aponta-lhe uma arma e, olhando-o nos olhos, poupa-lhe a vida. Sessenta anos mais tarde, um romancista em crise desenterra este episódio e propõe-se a investigar as circunstâncias daquele gesto de misericórdia."     Quando acabei de ler Soldados de Salamina, senti de alguma forma o mesmo que senti quando virei a última página de O Louco de Deus no Fim do Mundo: o Autor tem uma história extraordin...

Um dedo borrado de tinta, Catarina Gomes (Fundação Francisco Manuel dos Santos)

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       Este livro foi-me oferecido antes de ir de férias e muito recomendada a sua leitura. Conheço outros trabalhos da Catarina Gomes, como o que deu origem ao livro Pai, tiveste medo? e sei como o trabalho dela é sério, minucioso e respeitador das pessoas que entrevista e acompanha.      Como é um livro pequeno - menos de 100 páginas - pareceu-me ideal para levar para a praia nos primeiros dias de férias. Enquanto o lia, interrompia sistematicamente a leitura e obrigava quem estava próximo a parar também de ler e a dar-me atenção, enquanto eu, surpreendida e, nalguns casos horrorizada, lia pequenos excertos em voz alta.      Catarina fala com 6 pessoas - é mais correto dizer que ela conversa com as pessoas do que dizer que as entrevista - todas residentes em Casteleiro, no distrito da Guarda, freguesia que escolheu por ser uma das que tem maior taxa de analfabetismo. Alguns chegaram a frequentar a escola, mas desistiram porque...

Manifesto pela Leitura, Irene Vallejo (Bertrand Editora)

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     Duas razões me levaram a comprar este livro e a iniciar logo a sua leitura: a capa, maravilhosa, de Ana Monteiro, e a Autora, Irene Vallejo. Dela li O Infinito num junco , um livro extraordinário, fascinante. Uma ode à leitura e aos livros. E se o Infinito num Junco incidia sobretudo sobre a invenção do livro, pensei que este, muito mais modesto em termos de dimensão, fosse um libelo a favor do livro físico. A defesa da leitura em papel em detrimento do écran. Mas só aborda esta questão de passagem:     "Um livro respeita a nossa atenção, mantém-nos desligados das urgências, das notificações e da publicidade. Não tem baterias para carregar, é resistente e pode ser muito belo. Não sofre a obsolescência programada, pois a sua vida útil abrange muitos séculos. Soa, cheira, podemos acariciá-lo. O papel convive harmoniosa e pacificamente com os seus irmãos de luz, os écrans, mas possui uma aura que nós, apaixonados pela literatura, amamos e reconhecemos."  ...