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Acabámos de ler:

Um dedo borrado de tinta, Catarina Gomes (Fundação Francisco Manuel dos Santos)

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       Este livro foi-me oferecido antes de ir de férias e muito recomendada a sua leitura. Conheço outros trabalhos da Catarina Gomes, como o que deu origem ao livro Pai, tiveste medo? e sei como o trabalho dela é sério, minucioso e respeitador das pessoas que entrevista e acompanha.      Como é um livro pequeno - menos de 100 páginas - pareceu-me ideal para levar para a praia nos primeiros dias de férias. Enquanto o lia, interrompia sistematicamente a leitura e obrigava quem estava próximo a parar também de ler e a dar-me atenção, enquanto eu, surpreendida e, nalguns casos horrorizada, lia pequenos excertos em voz alta.      Catarina fala com 6 pessoas - é mais correto dizer que ela conversa com as pessoas do que dizer que as entrevista - todas residentes em Casteleiro, no distrito da Guarda, freguesia que escolheu por ser uma das que tem maior taxa de analfabetismo. Alguns chegaram a frequentar a escola, mas desistiram porque...

Manifesto pela Leitura, Irene Vallejo (Bertrand Editora)

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     Duas razões me levaram a comprar este livro e a iniciar logo a sua leitura: a capa, maravilhosa, de Ana Monteiro, e a Autora, Irene Vallejo. Dela li O Infinito num junco , um livro extraordinário, fascinante. Uma ode à leitura e aos livros. E se o Infinito num Junco incidia sobretudo sobre a invenção do livro, pensei que este, muito mais modesto em termos de dimensão, fosse um libelo a favor do livro físico. A defesa da leitura em papel em detrimento do écran. Mas só aborda esta questão de passagem:     "Um livro respeita a nossa atenção, mantém-nos desligados das urgências, das notificações e da publicidade. Não tem baterias para carregar, é resistente e pode ser muito belo. Não sofre a obsolescência programada, pois a sua vida útil abrange muitos séculos. Soa, cheira, podemos acariciá-lo. O papel convive harmoniosa e pacificamente com os seus irmãos de luz, os écrans, mas possui uma aura que nós, apaixonados pela literatura, amamos e reconhecemos."  ...

Meu Abrigo, Minha Tempestade, Arundhati Roy (Bertrand)

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      Meu Abrigo, Minha Tempestade é um livro autobiográfico que a a morte da mãe leva Arundhati Roy a escrever sobre si, e a refletir sobre a forma como a relação com a mãe a estruturou. Sempre me surpreendeu o número de livros dedicados aos pais em contraponto com o menor número dos dedicados às mães  dos autores. Cheguei mesmo a elaborar listas de uns e de outros e a inventar justificações para esta diferença. A que me pareceu mais próxima da realidade é a que resulta do facto de as mães normalmente ficarem ao pé dos filhos e não serem conhecidas para além da estreita fronteira da família e conhecidos. A vida delas ser feita de rotinas e proximidade. A ausência de mistério das mães.     Este livro de Arundhati Roy de alguma forma valida a minha justificação, pese embora nunca ter vivido com o pai, é sobre a mãe, de quem se afastou, e que foi uma figura pública, que ela escreve. A mãe que abandonou o marido e ficou sozinha com os filhos, lutou pela r...

O fim do mundo não terá acontecido, Patrik Ouredník (Antígona)

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      Não sei muito bem como definir este livro. É surpreendente e, ao mesmo tempo, divertido. E faz-nos pensar.     Gaspard, o protagonista, nasceu dez anos depois do fim da II Guerra Mundial, no dia do décimo aniversário dos bombardeamentos de Dresden. Após concluir os estudos universitários, passa cerca de três anos nos Estados Unidos, onde conhece a sobrinha do futuro presidente, que descreve como o presidente americano mais estúpido da história do país. Regressa a França e trabalha como tradutor até ser convidado para conselheiro do presidente americano.     O narrador, que quer escrever um livro sobre o fim do mundo, conheceu Gaspard o suficiente para "recompor algumas sequências da vida gaspardiana". Desde logo o facto de recear ser descendente de Hitler, porque o seu pai estava convencido de ser o resultado de uma noite de amor  entre a sua mãe e um cabo alemão chamado Adolf Hitler. E por isso pesquisa e chega a fazer testes ADN para ver s...