Filho da PIDE, Paulo Jorge Pereira (Ed. Oro)
Sem saber explicar porquê, tenho um gosto especial, e que penso que é comum, em ler um livro autografado pelo Autor. Tenho uma amiga que procura nos alfarrabistas livros com dedicatórias e se deleita a lê-las. Mas melhor que um livro autografado pelo Autor é um livro oferecido pelo próprio, como é o caso deste. Nos tempos que correm, parece-me escusado referir a importância de falarmos sobre o passado, de o desentranharmos e trazermos à superfície. Um romance é uma forma de o fazer, porque não tem as limitações impostas por uma investigação histórica, que exige uma metodologia rigorosa e o respeito das fontes disponíveis, como escreve Luís Farinha no Preâmbulo. E porque pode chegar a mais gente. Mas não é fácil escrever um romance sobre este tema, até porque o Paulo, justamente para poder lembrar que, tal como refere Chico Buarque, a "ameaça fascista persiste [em Portugal] como um pouco por toda a parte" col...