Léxico Familiar, Natalia Ginzburg (Relógio d'Água)
Ainda me divido quanto a este livro. Não deixei de o ler, mas por vezes perdia-me entre os nomes dos irmãos e dos amigos deles, na escrita de um fôlego só, em 191 páginas sem capítulos. Mas há momentos belíssimos em termos de escrita e com os quais me identifiquei: "Recebi uma carta da minha mãe. Estava também ela, assustada e não sabia como ajudar-me. Pensei então, pela primeira vez na minha vida, que não havia para mim outra proteção possível, que teria de arranjar-me sozinha. Compreendi que houvera sempre em mim, no meu afeto pela minha mãe, a impressão de que ela, nas adversidades, me protegeria e defenderia. Mas agora, em mim, restava somente o afeto, e desaparecera desse afeto todo o pedido e toda a expetativa de proteção, e eu pensava que talvez devesse ser eu no futuro a protegê-la e a defendê-la, porque, doravante, ela, a minha mãe, estava muito velha, abatida e indefesa." (pg. 146) Num texto que designou de Advertência, a ...