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Acabámos de ler:

Soldados de Salamina, Javier Cercas (Porto Editora)

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      Li recentemente O Louco de Deus no Fim do Mundo  e falaram-me deste outro livro do mesmo autor, editado em Espanha em 2001. O resumo da história está na contracapa pelo que não estragarei o prazer da leitura contando-a:     "No final da Guerra Civil Espanhola, um grupo de prisioneiros nacionalistas é executado perto da fronteira com França. Entre eles encontrava-se Rafael Sánchez Mazas, um dos fundadores e ideólogos da Falange, futuro ministro de Franco e poeta, que conseguiu escapar e refugiar-se no bosque. Até que um soldado republicano o descobre, aponta-lhe uma arma e, olhando-o nos olhos, poupa-lhe a vida. Sessenta anos mais tarde, um romancista em crise desenterra este episódio e propõe-se a investigar as circunstâncias daquele gesto de misericórdia."     Quando acabei de ler Soldados de Salamina, senti de alguma forma o mesmo que senti quando virei a última página de O Louco de Deus no Fim do Mundo: o Autor tem uma história extraordin...

Um dedo borrado de tinta, Catarina Gomes (Fundação Francisco Manuel dos Santos)

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       Este livro foi-me oferecido antes de ir de férias e muito recomendada a sua leitura. Conheço outros trabalhos da Catarina Gomes, como o que deu origem ao livro Pai, tiveste medo? e sei como o trabalho dela é sério, minucioso e respeitador das pessoas que entrevista e acompanha.      Como é um livro pequeno - menos de 100 páginas - pareceu-me ideal para levar para a praia nos primeiros dias de férias. Enquanto o lia, interrompia sistematicamente a leitura e obrigava quem estava próximo a parar também de ler e a dar-me atenção, enquanto eu, surpreendida e, nalguns casos horrorizada, lia pequenos excertos em voz alta.      Catarina fala com 6 pessoas - é mais correto dizer que ela conversa com as pessoas do que dizer que as entrevista - todas residentes em Casteleiro, no distrito da Guarda, freguesia que escolheu por ser uma das que tem maior taxa de analfabetismo. Alguns chegaram a frequentar a escola, mas desistiram porque...

Manifesto pela Leitura, Irene Vallejo (Bertrand Editora)

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     Duas razões me levaram a comprar este livro e a iniciar logo a sua leitura: a capa, maravilhosa, de Ana Monteiro, e a Autora, Irene Vallejo. Dela li O Infinito num junco , um livro extraordinário, fascinante. Uma ode à leitura e aos livros. E se o Infinito num Junco incidia sobretudo sobre a invenção do livro, pensei que este, muito mais modesto em termos de dimensão, fosse um libelo a favor do livro físico. A defesa da leitura em papel em detrimento do écran. Mas só aborda esta questão de passagem:     "Um livro respeita a nossa atenção, mantém-nos desligados das urgências, das notificações e da publicidade. Não tem baterias para carregar, é resistente e pode ser muito belo. Não sofre a obsolescência programada, pois a sua vida útil abrange muitos séculos. Soa, cheira, podemos acariciá-lo. O papel convive harmoniosa e pacificamente com os seus irmãos de luz, os écrans, mas possui uma aura que nós, apaixonados pela literatura, amamos e reconhecemos."  ...

Meu Abrigo, Minha Tempestade, Arundhati Roy (Bertrand)

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      Meu Abrigo, Minha Tempestade é um livro autobiográfico que a a morte da mãe leva Arundhati Roy a escrever sobre si, e a refletir sobre a forma como a relação com a mãe a estruturou. Sempre me surpreendeu o número de livros dedicados aos pais em contraponto com o menor número dos dedicados às mães  dos autores. Cheguei mesmo a elaborar listas de uns e de outros e a inventar justificações para esta diferença. A que me pareceu mais próxima da realidade é a que resulta do facto de as mães normalmente ficarem ao pé dos filhos e não serem conhecidas para além da estreita fronteira da família e conhecidos. A vida delas ser feita de rotinas e proximidade. A ausência de mistério das mães.     Este livro de Arundhati Roy de alguma forma valida a minha justificação, pese embora nunca ter vivido com o pai, é sobre a mãe, de quem se afastou, e que foi uma figura pública, que ela escreve. A mãe que abandonou o marido e ficou sozinha com os filhos, lutou pela r...