Esteiros, Soeiro Pereira Gomes (Editorial Avante)
Esteiros. Minúsculos canais, como dedos de mão espalmada, abertos na margem do Tejo. Dedos das mãos avaras dos telhais, que roubam nateiro às águas e vidores à malta. Mãos de lama, que só o rio afoga. Assim é a frase de enntrada no livro de Soeiro Pereira Gomes, e assim fica feito o resumo do mesmo. Um romance que acompanha os "meninos-homens" que tiveram de abandonar a escola para pedinchar trabalho - ou submeterem-se mesmo a pedir esmola, ou roubar fruta para vender - a fim de poderem contribuir um pouco para mitigar a miséria da família. «O silêncio da tarde convidava a confidências. Contaram-nas. Como velhos amigos, descreveram a história das suas vidas curtas, sem história. Gaitinhas confessou a mágoa de ter renunciado à escola porque a mãe adoecera. (...) A voz de Gaitinhas era de lágrimas cristalizadas. E Gineto teve pena que ser doutor não fosse coisa que se roubasse.» ...