O fim do mundo não terá acontecido, Patrik Ouredník (Antígona)
O narrador, que quer escrever um livro sobre o fim do mundo, conheceu o Gaspard o suficiente para "recompor algumas sequências da vida gaspardiana". Gaspard teme ser descendente de Hitler, porque o seu pai estava convencido de ser o resultado de uma noite de amor entre a sua mãe e um cabo alemão chamado Adolf Hitler. E por isso pesquisa e chega a fazer testes ADN para ver se tinha alguma ligação com dois elementos da família de Hitler. A conclusão é que não há qualquer relação entre eles.
Relembra vários episódios da II Guerra Mundial, incluindo a afirmação de Chamberlain quando aterrou em Londres depois de assinar os acordos de Munique: "Trago para o meu país a paz para muitas gerações."
"Nessa época [dos acordos de Munique] reconhecia-se uma democracia pelo facto de as pessoas que nela viviam considerarem poder influir na evolução da sociedade e de só raramente estarem de acordo entre si, diferentemente dos regimes autoritários, em que as pessoas tinham o sentimento de não poder influir fosse no que fosse e concordavam, a bem dizer, a respeito de tudo.
Porém, pouco a pouco, também nas democracias as pessoas se puseram a pensar as mesmas coisas, democraticamente. Deste modo, a única diferença em relação aos regimes totalitários era que os indivíduos continuavam convencidos de que tinham pensamentos próprios e originais, opiniões autênticas." (pg. 61)
Dá-nos número e estatísticas, como o número de mortos causados por 6 ditadores (Hitler, Estaline, Mao Tsé-Tung, Hirohito, Enver e Pol Pot) lugares comuns e outros muito menos comuns, fobias, o que comem os vegetarianos, os não vegetarianos e os Chineses. Escreve sobre a indelicadeza no mundo global, as alterações climáticas, o Viagra e o Prozac e os efeitos indesejáveis de um e outro. E recorrentemente volta ao Gaspard, à sua pesquisa genealógica, e às conversas sobre o fim do mundo.
E é desta forma que acaba o livro, num pequeno capítulo com o título Confusão:
"- Canso-me a repetir-lho. Você confunde o fim do mundo com o fim de um mundo.
- Ah? Há uma diferença?
- Não se faça mais parvo do que é.
- É que ....
- O fim do mundo é não haver mais nada depois. O fim de um mundo é a aurora de um mundo novo. Isto mexe, avança, compreende? Tudo avança.
- Para quê?
- Como assim, para quê?"

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