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Cebola crua com sal e broa, Miguel Sousa Tavares (Clube do Autor)

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    Li recentemente partes do livro Sophia de Mello Breyner Andresen de Isabel Nery. Um livro interessante que desvenda a personalidade e a vida de Sophia, para além dos muitos aspetos que são do domínio público. Fiquei com curiosidade de ler este livro sobretudo pelos cruzamentos com o anterior.          Mas confesso que, mesmo não sendo as expetativas muito elevadas, foi uma desilusão. Logo na contracapa pergunta o seguinte: Pode um homem viver impunemente começando a sua infância numa aldeia do Marão, comendo cebola crua com sal todas as merendas? Ora, o "menino Miguelinho" como era designado, não comia esta merenda porque não houvesse mais que comer na casa dos tios onde viveu alguns anos, mas porque gostava. Tal como gostava de comer com os trabalhadores agrícolas na casa, onde para além dos tios havia ainda o pessoal doméstico - a cozinheira, as ajudantes, as raparigas da casa (uma por cada membro da família). Fico por i...

O leitor do comboio, Jean-Paul Didierlaurent (Clube do Autor)

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    Adorei receber este livro, porque já o tinha visto e tinha imensa vontade de o ler. Só pelo título. Adoro ler no comboio . Os meus dias começam melhor quando posso ir de comboio e aproveitar a viagem de Paço de Arcos até Santos a ler. Já fotografei pessoas a ler no comboio, sem que elas dessem por isso, já perdi a estação onde devia sair porque estava concentrada a ler. Já baixei a cabeça para não falar com alguém (desculpem-me), porque tinha mesmo de acabar um livro. Por todas estas razões, este livro suscitou-me imensa curiosidade e a sua leitura não me desiludiu.     O leitor do comboio lê para os restantes passageiros páginas de livros que ele salva de serem destruídas numa máquina que recicla - destrói - livros. O trabalho intensifica-se com a aproximação do Salão do Livro de Paris: A rentrée literária de setembro e o período propício aos prémios existiam desde há muito. Tornava-se necessário arranjar espaço, esvaziar os expositores de tudo o ...

Irène, Pierre Lemaitre (Clube do Autor - Editora)

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  Cheia de vontade de ler um policial, o que me acontece com alguma frequência, entrei numa livraria e encontrei este livro, Irène de Pierre Lemaitre, de quem li recentemente o apaixonante livro Até nos Vermos Lá em Cima.     Se tivesse começado por ler este livro provavelmente não seria levada a ler outro livro do mesmo autor, mas foi o contrário. Até nos vermos lá em cima é um livro extraordinário, pela história que narra, pelas descrições que faz, pelas personagens que junta na aventura de sobreviverem no pós I Guerra Mundial e, de facto, notava-se no livro a marca do escritor de policiais. Mas confesso-me relativamente desiludida com a leitura deste livro, Irène.      Irène, que dá o nome ao livro, é a mulher de Camille Verhoven, comandante da polícia que mede apenas 1,45 de altura. Não procurando a leitura de policiais pelo suspense fiquei logo surpreendida pelo resumo que é feito na badana e que praticamente desvenda tudo: Aqueles que p...

Os livros do final da tua vida, Will Schwalbe (Clube do Autor)

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         Talvez não fosse a melhor altura do ano (ou da minha vida) para ler este livro, mas cada vez que passava por uma livraria terminava por folheá-lo e, em pé, no meio das compras de natal, já tinha lido o primeiro capítulo "Rumo a um lugar seguro". Will Schwalbe, o autor, acompanha a mãe nos seus últimos tempos de vida, depois de lhe ter sido diagnosticado cancro no pâncreas. Sabem que irão ter longos períodos de espera e de tratamentos em hospitais e iniciam um clube de leitura.      Como refere logo na primeira página, a pergunta "Que estás a ler?" é uma pergunta curiosa nos dias de hoje. As pessoas perguntam mais frequentemente que "filmes tens visto" ou "que férias estás a planear", contudo, prossegue, é uma pergunta que ele e a mãe se colocam desde sempre.     Talvez tenha sido este o ponto que me cativou. Também é uma pergunta que faço à minha mãe - ou se não a faço é porque vejo o livro pousado e c...

Madrugada suja, Miguel Sousa Tavares (Clube do Autor SA)

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  O Joaquim ofereceu-me este livro de surpresa. Comecei a lê-lo de imediato e, devo confessar, que o li compulsivamente. A leitura compulsiva não evita porém que sintamos alguma deceção.    O livro, anunciado como romance, parece escrito por diferentes mãos, como se pode ver nestes excertos:    Porque hoje eu sei que só morrem verdadeiramente aqueles que, depois de mortos, nós conseguimos matar também. E nada é pior do que um morto vivo, habitando lado a lado com os que não morreram e tiveram a coragem de tentar viver para além da morte dos que amavam ( pg 100 ). e    Todos estavam endividados, mas felizes: o Estado, as autarquias, os cidadãos. Todos viviam em casa própria, mas que, de facto pertencia ao banco que lhes emprestara dinheiro a 30 anos e também emprestara para as férias no Brasil, Cuba, República Dominicana, mais o carro e os brinquedos electrónicos dos filhos (pg 203).   A 1ª parte, A aldeia, corresponde à escrita mais...