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O Deus das Pequenas Coisas, Arundhati Roy (Edições ASA II)

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    Tudo neste livro é belo, desde a capa, à escrita, à história triste que nos traz. Antes de qualquer outra coisa, fui cativada pela escrita, tão diferente mas tão bonita, tão viva e rica nos seus detalhes, descrições e comparações. Depois, abandonei-me às personagens, cuja história fui tentando reconstruir à medida que o novelo de memórias era desfiado, misturando presente com passado, com histórias paralelas.     Não concordo com a sinopse da contracapa. Não entendo este romance como « a história de três gerações de uma família da região de Kerala, no Sul da Índia, que se dispersa por todo o mundo e se reencontra na sua terra natal. » Para mim, é a história dos « gémeos biovulares », Rahel e Estha, que voltam com a mãe, Ammu, para a sua terra natal, sim, após o divórcio desta, situação que os torna indesejados na casa da família. E é, acima de tudo, a história de como num quente verão em que a sua prima, Sophie Mol, vinda de Inglaterra, morre, e dos acontecimento...

O Nome do Vento, Patrick Rothfuss (Asa)

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     O Nome do Vento ou os livros que gostamos de ler      Faço com os meus filhos o que os meus avós e pais fizeram comigo e com os meus irmãos, sugiro livros, autores e leituras. Aproveito o Natal para oferecer livros que gostei de ler, sobretudo os chamados clássicos, tentando adequar ou aproximar a escolha do gosto de cada um. E eles retribuem, fazendo-me sugestões de leitura. Pouco depois do Natal passado, o meu filho Pedro sugeriu que lesse o livro O Nome do Vento. Trata-se do primeiro volume de uma trilogia que, em conjunto, deve ter mais de 2000 páginas. Disse-lhe que leria o primeiro apenas e ele assegurou-me que não resistiria a ler os outros dois livros. Acabei agora e não fiquei com vontade de ler os outros volumes da trilogia. Não porque seja desinteressante ou porque esteja mal escrito, bem pelo contrário. Apenas porque não é o género de livro – de história - que gosto de ler, embora, se me perguntassem, diria que não saberia responder qu...

Os Olhos dos Condenados, Eugenia Almeida (ASA)

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    O ano que passou foi, penso que para todos, muito estranho. Entre confinamentos, layoffs , mudança de casa e gravidez, foi, também, o ano em que praticamente não li. Havia sempre qualquer coisa mais urgente, ou o livro que tinha em mãos não me chamava como eu gostaria, por vezes as duas razões em simultâneo.     Por isso, fiquei muito feliz por, no virar do ano, ter encontrado, por acaso este livrinho na estante dos meus pais. Não é a primeira vez que, ao passar os olhos pelas lombadas da estante do sótão, encontro um livro que lá ficou esquecido, só começado, e que me apaixona. Foi assim com o romance de Kazuo Ishiguro, Nunca Me Deixes , e foi assim com este, de Eugenia de Almeida, Os Olhos dos Condenados.         Numa pequena terra argentina, em plena ditadura militar, uma linha de comboio separa os ricos dos pobres. Acima da linha, um hotel, um cabeleireiro, a esquadra, as casas grandes. Abaixo, os pobres, as mulheres da vida, os ladrõ...

O Velho que lia romances de amor, Luís Sepúlveda (Edições Asa)

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    Reler O Velho que lia romances de amor deu-me um imenso prazer. Interrompi o livro que estava a ler, e da China voei até à Amazónia para esta pequeníssima história de amor.     Lembrava-me muito bem das personagens, do velho, Antonio José Bolívar Proaño e do dentista, doutor Rubicundo Loachamín, que odiava o Governo. Juntamente com a mulher do velho (Dolores Encarnación del Santísimo Sacramento Estupiñán Otavalo), são as únicas personagens que têm nome completo e que são quase sempre designados pelo nome completo. Na sua maioria, as restantes personagens não são sequer individualizadas, são os jíbaros, os xuar, os garimpeiros, os gringos...     Quanto ao lugar onde decorre, El Idilio, tentei procurar mas não consegui confirmar se de facto existe ou é um lugar - idílico - inventado pelo autor.     O que não me recordava é do facto de o velho ler romances de amor e o dentista estar em El Idilio no princípio desta novela se...

O General e o Juíz, Luís Sepúlveda (Edições Asa)

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    Em 1998 Pinochet foi preso quando se deslocou a Londres para ser submetido a uma cirurgia. Como era Senador pensava ter imunidade diplomática.  O juiz espanhol Baltazar Garzón aproveitou a situação para emitir um mandado internacional de prisão e solicitou sua extradição para a Espanha, na sequência de uma queixa apresentada pelo seu envolvimento na Operação Condor, que se destinava a perseguir e eliminar opositores de várias ditaduras sul-americanas (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Uruguai e Paraguai).      Pinochet esteve 503 dias detido, ao fim dos quais o Reino Unido não autorizou a sua transferência para a Espanha. Foi durante este período que Luís Sepúlveda publicou estas crónicas. Como escreve no texto inicial, reconhece com amargura que apesar de Pinochet não ter sido extraditado para Espanha, os artigos foram apreciados "(...) pelos que sofreram, pelos que sofrem, pelos que ainda mantém a esperança e não se cansam de afir...

Como um romance, Daniel Pennac (Asa)

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     Comprei este livro no sebo (expressão utilizada pelos brasileiros para se referir a livros comprados em segunda mão, já lidos, como me ensinou a Teresa Cristina) e, apesar de não ter nenhuma mensagem inicial, nem dedicatória, tem o carimbo de uma biblioteca (o que terá acontecido para se desfazer deste livro?) e as páginas ligeiramente amarelecidas pelo tempo e pela leitura.      Não resisti a comprá-lo, porque são deste autor os 10 direitos inalienáveis do leitor que não hesitámos em colocar no nosso blogue, porque os subscrevemos na totalidade, e por isso relembro-os aqui:     O direito de não ler.     O direito de saltar páginas.     O direito de não acabar um livro.     O direito de reler.     O direito de ler não importa o quê.     O direito de amar os “heróis” dos romances.     O direito de ler não importa onde. ...

A velocidade da luz, Javier Cercas (Edições Asa)

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   Ao contrário de algumas pessoas que conheço que lêem mais do que um livro ao mesmo tempo, saltando de um para outro ao longo do dia ou dos dias, eu só consigo ler um livro de cada vez. Tenho de acabar o que estou a ler ou pelo menos decidir que interrompo a leitura porque começo a ler outro, e só quando  acabo este reinicio - ou não - a leitura do que abandonei.    É quase como se tivesse de manter uma relação de exclusividade com a história, com as personagens que habitam cada livro, impedindo-me de as abandonar a meio. Mas foi o que aconteceu com este livro, ou melhor com o que abandonei antes de o acabar, inadvertidamente, porque me esqueci dele. Comecei a ler este, A Velocidade da Luz , e não consegui parar.     Confesso que inicialmente estranhei a mancha gráfica, onde praticamente não existem parágrafos e são raros os diálogos. A acrescer a isto, o livro só tem quatro capítulos, pelo que as páginas se sucedem, compactas e densas, ...

O ministério da felicidade suprema, Arundhati Roy (Asa)

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     Não sei o que dizer sobre este livro. Comecei a lê-lo e fiquei imediatamente presa pela história, pelas personagens, pelos seus percursos. Cada vez que pegava nele, essa sensação renascia, mas muitas vezes acompanhada do sentimento de perda por algumas personagens que desapareciam, desconhecendo que iriam reaparecer mais à frente. E são quase todas personagens fascinantes, às quais ficamos amarrados.       Penso que senti este mesmo tipo de fascínio com alguns livros e personagens de Gabriel Garcia Marquez, mas não ousaria falar em realismo mágico neste caso, porque a realidade das pessoas aqui retratadas é na maioria dos casos dilacerante. Se houver magia é nas personagens, na forma como se relacionam, protegem e sobrevivem. Como disse a autora, este livro «é sobre aqueles que foram postos fora do sistema (...) excluídos. E que conseguiram juntar-se, como peças perdidas de um puzzle, num certo lugar de relativa felicidade. Há felicidade nos luga...

O mar, John Banville (Edições Asa)

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     Nas arrumações cíclicas aos livros, encontrei este, adquirido há alguns anos e não lido então. Já estava no sótão, arrumado, destino dado aos livros lidos ou que abandonei a meio. Este não se enquadra em nenhuma destas categorias e portanto foi uma feliz coincidência termo-nos encontrado. É um livro belíssimo, como um trabalho rendilhado mas cheio de sentido ( O céu estava enevoado e nem uma brisa agitava a superfície do mar, as ondas pequenas desfaziam-se languidamente na orla da água, continuamente, como uma bainha interminavelmente pespontada por uma costureira ensonada .)     A história é aparentemente simples, Max Morden volta à pequena vila onde passou férias na infância para recuperar da morte recente da sua mulher, Anna, e instala-se na Casa dos Cedros. Era nesta casa que ficavam os Grace, uma família pela qual se sentia atraído em miúdo, em particular pela mãe e pelos filhos gémeos, Myles e Chloe. Instala-se nesta casa na tentativa...

A vida em surdina, David Lodge (Asa)

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        David Lodge tem a qualidade de nos levar para o universo dele logo às primeiras palavras. Lemos o início do livro e estamos lá, ao lado  daquele indivíduo de óculos, alto e grisalho, parado na orla da multidão, com o tronco inclinado para a frente e quase em cima da rapariga de blusa de seda vermelha. S abemos depois que aquele indivíduo é Desmond, o protagonista, o autor provavelmente.     Desmond é um professor universitário, reformado, casado com Fred - diminutivo de Winifred - que é sócia de uma loja de  decorações em clara expansão. É o segundo casamento de ambos, na sequência, no caso de Desmond, da morte da primeira mulher.      O livro decorre entre novembro de 2006 e março de 2007, sendo escrito na primeira pessoa, como se de um diário se tratasse ( isto parece estar a tornar-se uma espécie de diário, ou notas para uma autobiografia, ou porventura uma simples terapia ocupacional ) e na terceira pessoa, entran...

De olhos vendados, Siri Hustvedt (Edições Asa)

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    Este romance foi-me recomendado pelo escritor João Tordo durante um curso de escrita de Romance que fiz no início do ano, por ter, segundo o mesmo, uma linguagem semelhante à que uso quando escrevo. De facto, identifiquei-me com algumas passagens e creio que poderia tê-las escrito (se fosse escritora, claro) de forma não muito distinta.     O livro em si é estranho. Passei metade do livro a tentar encontrar o fio condutor da história e a ligação do enredo ao título. Perto do fim consegui efetivamente fazer estas ligações, mas quando terminei o livro dei por mim a pensar qual teria sido o objetivo. Não é uma pergunta que me costume fazer enquanto ou após ler algum livro. Ou aprecio ou não aprecio o que li, quer pela narrativa, pelo enredo ou, por vezes, só pela escrita. Se quando comecei o livro estava muitíssimo curiosa, quando terminei o primeiro capítulo (40 páginas) senti-me vítima de uma partida:     Não pensei que a história...

Um passado perfeito, Leonardo Padura (Edições ASA)

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     Primeiro livro deste autor cubano que leio e seguramente não será o último. Um policial, muito bem construído e escrito. Mario Conde, o detective, investiga o desaparecimento de um alto quadro cubano que tinha conhecido na juventude e que tinha conquistado e casado com Tamara, por quem o detective tinha desde esses tempos uma paixão.      Um universo distinto daquele que povoa os policiais americanos e europeus (recentemente os nórdicos) que tenho lido, a começar pelo crime investigado, um crime económico. Lateralmente há referências a um caso de violação de uma menor e ao assassínio de uma criança por jovens. Mas não há litros de sangue, nem mortes brutais pormenorizadamente descritas neste livro.  Por outro lado, há referências a reuniões com sessões de autocrítica e uma consciência social que percorre o livro e a que não é indiferente o crime que é investigado - A que carga d'água alguém pode  brincar com o que é meu e é teu e...

A cor do hibisco, Chimamanda Ngozi Adichie (ASA)

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     A autora, Chimamanda Ngozi Adichie, tem esta rara qualidade de nos arrastar nas primeiras páginas dos seus livros para o universo que descreve. Começamos a ler "A cor do hibisco" e estamos na Nigéria, somos Kambili ou Jaja o seu irmão. Sentimos o calor insuportável, a chuva e os cheiros da terra.     Sofremos com Kambili e Jaja o horror de ter um pai que exige o máximo dos filhos e os agride quando não conseguem atingir as suas expectativas, bastando não ser o melhor aluno da classe para os torturar, cortando dedos ou queimando os pés. Agride a mulher violentamente e ela convive com a situação de forma ambígua porque tem medo mas, simultaneamente, sente-se agradecida por ele nunca a ter deixado ou decidido ter outras mulheres que lhe dêem mais filhos. Ao mesmo tempo, este pai é um herói que ajuda pessoas, financia os estudos de centenas de crianças, dá donativos a diversas instituições e é dono de um jornal que denuncia a situação que se viv...

Lueji, Pepetela (Edições ASA)

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    Lueji é o primeiro livro que leio de Pepetela - e foi uma agradável surpresa. Está escrito de uma forma muito gira, cruzando as histórias de Lueji, rainha da Lunda, e de Lu, uma bailarina conceituada e aparentemente tetraneta de Lueji.     A história do governo da Lunda por Lueji, filha da segunda mulher de Kondi, começa quando o irmão mais velho, Tchinguri, sucessor do trono da Lunda, fere mortalmente o pai. Como castigo, Kondi decide, antes de morrer, que será a filha, com 18 anos, a sua sucessora até ter um filho que possa governar. Apesar de extremamente próximos, e de Lueji considerar o irmão como um herói, este revolta-se contra a decisão tomada e declara guerra aos Tubungo, ou seja, aos nobres que, em seu entender, envenenaram primeiro e pai e depois a irmã contra ele.     Quatro séculos, mas apenas umas páginas, mais tarde, enquanto ensaiam para um bailado, Lu e o seu parceiro Uli apercebem-se que se sentem atraídos um pelo...

Vendidas!, Zana Muhsen (Edições ASA)

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    Vendidas! é um relato verídico, contad na primeira pessoa, sobre duas irmãs britânicas - Zana e Nadia - que, pensando ir de férias ao Iémen, cidade natal do pai, se apercebem que este as vendeu e que estão casadas. Zana, a mais velha - e quem narra a história - vai duas semanas mais cedo mas não consegue avisar a irmã e a mãe para impedir a viagem a Nadia.      A narrativa é impressionante. A viagem deu-se em 1980. São levadas para aldeias vizinhas, mas perdidas no tempo e no espaço, no meio de um deserto árido, apenas com as montanhas e os animais selvagens como companhia. As casas não têm eletricidade, água potável ou canalizada, nem sanitários - as casas de banho cingem-se a um buraco no chão.      Zana bate-se o mais possível para não ceder àquela situação, mas acaba forçada, pela forç,a a deitar-se com o seu marido, descrito como um rapazinho enfezado e doente, para que lhe faça um filho. É maltratada pelo sogro, que...

O pintor de batalhas, Arturo Pérez-Reverte (Edições Asa)

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    É um livro perturbador, mas que nos impele à leitura (e como eu precisava de um, depois de começar e abandonar vários livros....).      Andrés Faulques, espanhol, fotógrafo de guerra retirado, vive numa torre isolada onde pinta um mural sobre a guerra que não estava destinado a outro público além dele próprio. Pintura de batalhas, fruto das suas memórias impressas nas fotografias que tirou durante trinta anos, mas também das visitas a museus e do estudo a que se dedicou durante anos para se dedicar à pintura daquele mural.     Leva uma vida feita de rotinas e em completo isolamento até ao dia em que se aproxima da torre Ivo Markovic, ex-combatente croata, que ele fotografou ( Você tirou uma fotografia a um soldado com quem se cruzou durante alguns segundos. Um soldado acerca do qual ignorava até o nome. E essa fotografia deu a volta ao mundo. Depois esqueceu-se do soldado anónimo e tirou outras fotografias. ) A fotografia...

Chocolate, Joanne Harris (Edições Asa)

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    Decidi reler o livro para poder depois ler a continuação. Fiquei um pouco desapontada. Não me lembro do que achei na altura em que o li pela primeira vez, mas lembro-me de pensar que o filme era uma história distinta e mais pobre. De qualquer forma, agora achei um livro fraquinho, sem passagens espetaculares, com ideias que, mais bem desenvolvidas poderiam ter enriquecido bastante a história A evolução temporal é confusa e pouco realista.         Quando Vianne Rocher e a filha Anouk chegam a Lansquenet-sous-Tannes, a mãe decide fixar-se, finalmente, depois de uma vida a mudar constantemente de cidade e país - hábito que adquiriu da sua mãe, que a viajava, procurando fugir da morte. Na aldeia pequena, decide instalar uma Chocolaterie, e a sua vinda e a sua "estranheza" começam a perturbar as vidas monótonas e estabelecidas, criando tantos amigos como inimigos. Entre os amigos, no entanto, Vianne é querida e muda as suas vidas, ofere...

O jardim das delícias, João Aguiar (Edições ASA)

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  Já tinha este livro há alguns anos, gentilmente autografado pelo autor na Feira do Livro de Lisboa de 2007. Os anos passados desde a sua 1ª edição (2005) não o desatualizaram, pelo contrário. Poderia ter sido pensado, escrito e editado agora e pensaríamos que era o resultado natural dos acontecimentos destes últimos anos em Portugal e na Europa.     Uma Europa federada em que a pouco e pouco se vão eliminando os vestígios nacionais e em que a federação convive com o crescimento de um movimento integrista, com uma sagrada milícia (braço armado do movimento), também sem fronteiras. O protagonista e narrador é um jornalista, solitário, desiludido com a profissão, com a polítca e com a vida em geral. Está isolado, não apoia a federação mas discorda do movimento integrista ainda que acabe por descobrir que os filhos e a ex-mulher são participantes ativos.   E o que é o jardim das Delícias?   É a mensagem que os cidadãos europeus recebem de forma subli...

A Leitora Real, Alan Bennett (ASA)

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    A Leitora Real, embora um pequeno livro, é uma imensa declaração de amor aos livros e à leitura. Aos livros e à leitura pelo impacte subversivo que têm na vida das pessoas:" Ler é desordenado, discursivo e permanentemente atraente. Receber instruções encerra um assunto, ler revela-o".     O que aconteceria se a Rainha de Inglaterra, por um acaso (à procura dos seus cães e depois de atravessar a cozinha do Palácio Buckingham) encontrasse uma pequena biblioteca itinerante e um auxiliar de cozinha entretido na leitura de um livro?     E se depois de descobrir as delícias da leitura tivesse vontade de as divulgar, falando com as pessoas que a rodeiam, permanentemente ou circunstancialmente, sobre livros e escritores?     Se por um lado nos deliciamos com o crescente entusiasmo pela leitura e pelo impacte que vai tendo na vida da rainha e de quem a  rodeia, por outro é quase impressionante apercebermo-nos como pode ...

Qualquer coisa de bom, Sveva Casati Modignani (Ed. Asa)

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    A minha filha Sofia ofereceu-me este livro há anos e resolveu lê-lo agora. Após lê-lo recriminou-me por não o ter lido, o que confesso, não me recordo. Também após a leitura resolveu concretizar algumas das receitas que a protagonista vai cozinhando.     Li-o. Não sei se por causa da recriminação se por causa das receitas que tive oportunidade de provar.     É um livro de leitura fácil. Uma história da Cinderela actual, só que o dinheiro não vem do princípe, que traz apenas o estatuto (é um veterinário muito conceituado), mas de uma herança.     Os capítulos são sempre acompanhados da descrição de pratos  e sobretudo de sobremesas que a protagonista vai cozinhando.     Por todo o livro passa a ideia que o dinheiro não só não traz felicidade, como pelo contrário, vem acompanhado de tristeza, doença... em suma, de infelicidade.     Como será que se concluiria a história da prota...