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A mostrar mensagens com a etiqueta Editora Cavalo de ferro

Pedro Páramo, Juan Rulfo (cavalo de ferro)

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    Li Pedro Páramo de um fôlego só e quando acabei de ler voltei ao início para lê-lo de novo. Não é um livro fácil, mas é um livro extraordinário. Esta edição é precedida de um texto de Gabriel García Márquez e inclui um texto final de Carlos Fuentes, sobre Juan Rulfo. Li um e outro depois da segunda leitura de Pedro Páramo. Gabriel García Márquez conta que lhe disseram para ler Pedro Páramo para que aprendesse («Leia isto, carago, para que aprenda!»). Leu-o também duas vezes e ficou preso de um deslumbramento que o impediu de ler outros autores nesse mesmo ano.     Depois de o ler fiquei sem conseguir escrever uma linha que fosse. É difícil escrever (falar) sobre um romance tão extraordinário.      O livro inicia-se com a viagem de Juan Preciado até Comala para visitar o seu pai e, desta forma, cumprir o último desejo da sua mãe, Dolores:      «- Não lhe vás pedir nada. Exige-lhe o que nos pertence. O que me devia ter dado e nunca deu...

Vidas seguintes, Abdulrazak Gurnah (cavalo de ferro)

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             C omprei Vidas seguintes, no café-livraria insensato , em Tomar, lugar onde os livros nos convidam a sentar e a comer qualquer coisa, enquanto os folheamos.     Não me foi difícil a escolha, até porque logo que Abdulrazak Gurnah recebeu o Prémio Nobel, em 2021, fiquei com vontade de conhecer a sua obra. Segundo li na altura, é o quinto escritor do continente africano a ganhar o Prémio Nobel da Literatura desde a sua criação em 1901. Nasceu em 1948 em Zanzibar, no que viria a ser alguns anos depois a Tanzânia, e no final dos anos 60 chegou a Inglaterra como refugiado.      Neste romance é evidente a sua ligação a África. Não é do pais que o acolhe e onde reside de que fala, mas da terra onde nasceu. Não sendo o primeiro escritor africano que leio, ao ler Vidas seguintes senti que olhava o mundo numa perspetiva diferente. Que aprendia História enquanto lia um romance....

Outrora e Outros Tempos, Olga Tokarczuk (Cavalo de Ferro)

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      Começo pelo fim: Outrora e Outros Tempos é um livro extraordinário.      Outrora, uma aldeia protegida por quatro arcanjos, situa-se na Polónia, mas poderia situa-se em qualquer país ou região da Europa central ou, como é dito a abrir o livro: Outrora é um lugar situado no centro do universo . Ao longo do século XX, três gerações de habitantes de Outrora assistem às duas Guerras Mundiais e à chegada dos exércitos alemão e russo à sua aldeia. Também são três as famílias que vamos acompanhando - as famílias de Genowefa, de Kloska e do Morgado Popielski. Como se se tratasse de um fresco humano em que cada uma destas famílias representa um segmento de uma sociedade, social e economicamente estratificada e fortemente marcada pela sua origem. Em Outrora, como em todas as terras,  há sempre um louco. Em Outrorao louco é Izydor, irmão de Misia, ambos filhos de Genowefa:     "- Sim, é possível que todas as famílias normais tenham de incl...

O Zen e a Arte da Escrita, Ray Bradbury (Cavalo de Ferro)

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        Depois de ter acabado de ler um livro, atraída pelo título, " O que Entra nos Livros ", e de não encontrar aquilo que esperava, comecei a ler este, que me foi oferecido, e surpreendi-me por nele encontrar justamente o que entra nos livros.     Gosto de ler livros sobre livros e sobre a arte de escrever.  Não procuro receitas, nem diretivas sobre como escrever livros, mas, gostando de escrever, sempre me fascinou o processo criativo. A existência ou não de disciplina. O equilíbrio entre a inspiração e o trabalho. Nunca consegui imaginar um autor a sentar-se perante uma folha em branco e obrigar-se a escrever. Penso sempre que primeiro aparece a ideia, a história, as personagens, e só depois a escrita. Quando já juntou as peças todas, como um puzzle,  então o autor senta-se e escreve. Esta ideia é reforçada pelas histórias contadas em livros e filmes sobre o bloqueio dos escritores. Não imagino alguém sem ideias sobre o que es...

O anjo literário, Eduardo Halfon (Cavalo de ferro)

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    Comprei este livro quase por acaso, na feira do livro da Snob na Cossoul , antes daquela mudar para as novas instalações. Não conhecia o autor, nem nunca tinha ouvido falar deste título que jazia numa pilha de livros, mas bastou-me ler a contracapa para ficar com curiosidade:     " (...) Porque é que alguém começa a escrever? Existirá o momento da primeira inspiração literária, de um despertar narrativo?"     O autor, guatemalteco, Eduardo Halfon, desvenda os primeiros passos de alguns dos seus escritores favoritos, Herman Hesse, Ernest Hemingway, Raymond Carver, Ricardo Piglia e Vladimir Nabokov. O anjo literário é a imagem que escolhe para iustrar a inspiração ou, melhor ainda, para o que designa de detonadores literários :     " (...) O anjo literário - anjo caído, talvez luciferino, mas anjo, no fim de contas - não tem horários fixos, nem momentos planificados. Voa por cima de um infeliz qualquer quando lhe apetece...