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As flores do riso, Osamu Dazai (Presença)

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    Leio "As flores do riso" depois de "Se um dia voltar" que, em mais de 400 páginas, relata a vida de uma mulher que foge de Espanha para a Argélia, então ainda uma colónia francesa. Ao contrário de "Se um dia voltar", "As flores do riso" decorre em apenas 4 dias, num sanatório, onde Yozo Oba, um homem jovem, recupera de uma tentativa de suicídio. Dois amigos, a enfermeira e o irmão acompanham-no no processo de recuperação e, ao contrário do que se poderia esperar, em vez de reflexões sobre a vida e a morte, e a tristeza pela mulher com quem se tentou matar e que de facto morreu, encontramos um ambiente descontraído e até alegre. E esse ambiente vai estender-se até aos outros quartos e doentes.     Mas o mais curioso é o diálogo permanente do autor com o leitor, numa tentativa sistemática de se justificar, desde a escolha do nome do protagonista, até aos diálogos entre as personagens, apresentando-se também como um elemento da história:     ...

Antes que o café arrefeça, Toshikazu Kawaguchi (Ed. Presença)

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     Conheço apenas dois autores japoneses e de cada um li um livro apenas, segundo me recordo: Homens sem mulheres , de Haruki Murakami, e Silêncio , de Shusaku Endo. Apesar de ter apreciado ambos, este último, Silêncio, deixou-me uma marca profunda. Pela história, pela altura em que o li, por quem mo ofereceu.     Antes que o café arrefeça é por isso o terceiro livro japonês que leio, do terceiro autor japonês que conheço.     A premissa deste romance é simples e é contada na contracapa: Em Tóquio, num pequeno e antigo café, Funiculi Funicula, é oferecida a possibilidade de viajar no tempo, quer para o passado quer para o futuro. Só que as condições são muitas e difíceis de cumprir: há apenas uma cadeira que permite viajar no tempo e durante esse período a pessoa não se pode levantar, as únicas pessoas com quem se pode encontrar são pessoas que estiveram ou estarão no café, não há nada que possa fazer que mude o presente, e existe um limite de te...

A Balada dos Pássaros e das Serpentes, Suzanne Collins (Editorial Presença)

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    Sou fã da saga de Hunger Games ( Jogos da Fome , em português). Devorei a trilogia, há anos, e adoro as adaptações para cinema (fiéis e muito bem conseguidas e interpretadas, na minha opinião). E, por isso, quando soube que ia sair uma prequela da saga, soube que tinha de a ler - idealmente antes de ver o filme no cinema. Esse era o plano; no entanto, idas ao cinema não estão fáceis, de momento. Nem leituras.      Se há coisa de que sinto falta, é de tempo para me sentar simplesmente a ler um bom livro, sem preocupações com a lista das tarefas pendentes.      Graças a uma amiga, acabei por me render aos audiolivros e "ler" este livro no que intitulei de "método híbrido" - ler uma a duas páginas nos raros momentos em que isso se proporciona, e aproveitar tarefas, viagens e afins para que um narrador me leia o mesmo livro. Gostei do resultado, e assim continuo, agora com outros títulos.     Em relação a A Balada dos Pássaros e da...

A Breve Vida das Flores, Valérie Perrin (Editorial Presença)

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      Não sei porque associo férias a leituras mais ligeiras quando deveria ser exatamente o oposto. Mais tempo livre deveria permitir-me ler livros que a corrida do dia a dia quase sempre impede. Mas, em regra, estendo a preguiça dos dias de férias aos livros que leio, exceção feita aos livros cuja ação decorre no local para onde vou passear.      Nestas férias, quando embarquei para Cuba, não levava muitos livros porque para além de não ter espaço na bagagem, não pensava ter muito tempo para ler. Como tinha acabado de ler o último livro de Leonardo Padura, Como Poeira ao Vento , passado justamente em Havana, levei comigo «A Breve Vida das Flores», de Valérie Perrin, que me emprestaram.     Já tinha ouvido falar dele e tinha alguma curiosidade. Como é referido na contracapa, a protagonista, Violette Toussaint, é guarda de um cemitério, numa pequena vila e divide a vida entre a venda das flores, a anotação cuidadosa dos diferent...

Um país para lá do azul do céu, Susanna Tamaro (Editorial Presença)

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    Não gostei deste livro.   Começo assim esta recensão porque acabo de o pousar e não gosto da sensação de acabar um livro e não sentir já nem que seja um pouquinho de falta dele, das personagens, do universo em que decorre, da escrita...   Quando era mais nova, li Tobias e o Anjo , da Susanna Tamaro. Adorei. É um livro lindíssimo, apesar de triste. Reli-o anos mais tarde, nos meus tempos de babysitting : todas as semanas mais um capítulo. Não me recordo se li o mais conhecido da autora, Vai onde te leva o coração. Tenho ideia de ter começado e não ter terminado... assim como aconteceu com este.     Foi por Tobias e o Anjo , e pela sinopse apresentada, que, quando uma amiga me enviou o link das promoções da Editorial Presença, há umas semanas, escolhi este como um dos livros a encomendar. Além disso, são quatro contos, por isso podia ir lendo e saboreando cada um deles, nos curtos momentos em que os meus filhotes permitissem.     Promete-nos a ...

Os livros que não comentei

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​   Nos últimos anos, tenho vindo a encontrar-me, a construir a minha família e a descobrir a minha vocação. Tem sido incrível! E tem exigido todo o meu tempo. A leitura vai ficando para segundo, terceiro, quarto planos. Mas continua cá. Já não devoro livros como antes, mas vou saboreando nos momentos de calmaria.      Entretanto, a pilha de livros por comentar vai aumentando. Alguns, aguardam crítica já há dois anos. E se me lembro de se gostei ou não, já não me sinto capaz de escrever fielmente sobre eles.      Por isso, aqui vai este post, com a foto e um breve comentário sobre os livros que compõem esta pilha, e que já merecem o seu devido repouso na estante (e não a apanhar pó na minha secretária!):     1. Pequenos fogos em todo o lado , de Celeste Ng (Relógio d'Água) - Quero ler!     «Durante toda a vida, aprendera que a paixão, tal como o fogo, era uma coisa perigosa. Facilmente se descontrolava. (...) Era melhor controlar a ...

A Anomalia, Hervé le Tellier (Editorial Presença)

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   Um amigo emprestou-me este livro de Hervé le Tellier. Confesso que nunca tinha ouvido falar do autor, nem desta obra, nem mesmo a pretexto do Prémio Goncourt, atribuído há dois anos. Li-o num instante porque o difícil é interromper a leitura. Os ingleses têm a expressão page-turner (que é utilizada na contracapa) e que já tentei passar para português, sem encontrar correspondência. Recorro ao tradutor do google que me devolve a expressão “virador de página”. A verdade é que começamos a ler A Anomalia , a seguir uma personagem por capítulo e a tentar entender o que lhe aconteceu ou fez, sem compreender nada do que se passa, e vamos virando as páginas para ver se encontramos alguma explicação.     Sobre a anomalia que acontece e que dá o título ao livro, não poderei dizer nada em concreto, porque iria estragar o prazer da leitura e da sua descoberta.      Li as 276 páginas desta edição na expetativa (com receio) que Hervé le Tellier avança...

Um Amor Feliz, David Mourão-Ferreira (Presença)

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    Uma amiga disse-me que adorava este livro, que tinha lido há muitos anos, quando era aluna do David Mourão-Ferreira. Apesar de me lembrar bem do título, não me lembrava se o tinha lido ou não, mas depois desta conversa encontrei este exemplar à venda na feira dos alfarrabistas no Chiado. Um luxo: comprar livros extraordinários, que dificilmente se encontram nas livrarias, por poucos euros.      Não resisti e comecei a lê-lo no mesmo dia em que o comprei. Agora que o acabei confesso o meu fascínio por este amor feliz. Que também me irritou, divertiu, intrigou. Acima de tudo, é um romance extraordinariamente bem escrito e bem urdido. Um amor feliz é contado por um escultor, com perto de 60 anos, a uma amiga. Nele conta a paixão por uma mulher mais nova, que chama de Y, casada e com uma filha. Como escreve, esta mulher, muito mais nova que ele, traz-lhe uma luminosa plenitude à vida, numa altura em que ele já não esperava.     E con...

Os Mal-Amados, Luísa Beltrão (Editorial Presença)

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   Cheguei ao fim desta tetralogia, com o subtítulo "Uma história privada". A curiosidade de conhecer o destino daquelas personagens, cujos antepassados e história conhecemos nos volumes anteriores, suplantou a impaciência com que fui lendo as últimas páginas, em particular alguns diálogos.     Se os anteriores volumes, em particular os dois primeiros, Os Pioneiros , Os Impetuosos , tinham a graça de entrecruzar a história pública e privada, sem suscitar outras reações que não fossem o interesse e a curiosidade, devido à distância temporal, enquanto lia o terceiro, Os Bem-Aventurados ,   fui sentindo que se tratava de uma leitura muito pessoal da autora, Maria Luísa Beltrão, que não se preocupou nunca em rodar a objetiva com que ia escrevendo, e ver as coisas com os olhos dos outros. Acresce que a proximidade com os factos aqui narrados impede também a isenção do leitor que os viveu. E este desconforto aumentou neste último volume, cujo título, Os Mal-Amad...

Os Bem-Aventurados, Luísa Beltrão (Editorial Presença)

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            Terceiro volume desta tetralogia, Uma História Privada, iniciada com Os Pioneiros e Os Impetuosos . A estrutura deste volume, Os Bem-Aventurados, é distinta da dos anteriores: os capítulos não são dedicados a uma personagem que é introduzida pelas lembranças da Tia Graça. N' Os Bem-Aventurados vamos acompanhando as histórias de vários membros desta família, sobretudo mulheres, entre os anos trinta e sessenta do século XX, contudo, segundo a Autora, Luísa Beltrão, trata-se de um romance de ficção cujas personagens e enredos são fruto da sua imaginação.      Percebe-se a opção de prosseguir com personagens fictícias. É sempre difícil contar a história e a vida daqueles que nos são próximos. Se não se esconde os defeitos e omite as tragédias e as derrotas, corre-se o risco de as pessoas se verem expostas na praça pública, contra a sua vontade. Mas contar vidas sem essas partes, aplana-as e torna-as desinteressantes.   ...

Os Impetuosos, Luísa Beltrão (Editorial Presença)

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     Acabei de ler o segundo volume da tetralogia de Luísa Beltrão, Os Impetuosos, depois do primeiro, Os Pioneiros . Ambos seguem a mesma estrutura: a Autora, recorre à memória da Tia Graça, quase centenária e, a partir das personagens que ela descreve e que existiram, cria as personagens cujas vidas nos vai relatando. Neste segundo volume chegamos ao século XX, um tempo mais próximo do nosso e, como nos diz Luísa Beltrão na Nota Prévia “ muita gente há que ainda o viveu ”, por isso convocar a memória, inventar factos e cruzar personagens torna-se mais difícil.     Apesar de Os Impetuosos – como Os Pioneiros – apresentar uma árvore genealógica da família, a dada altura torna-se difícil percebermos ou recordarmos as ligações existentes entre as várias personagens, mas nem por isso deixa de ser interessante. Neste volume, são contadas as vidas dos filhos de Ana de Jesus, casada em primeiras núpcias com Manuel Joaquim e, depois de enviuvar, com o Conde de Aguim. O...

Os Pioneiros, Luísa Beltrão (Editorial Presença)

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   Há já vários anos que uma amiga, a Lucinda, me falava desta tetralogia. E eu ia adiando a sua leitura, com a desculpa que não tinha os livros. Afinal os livros vão-se acumulando e à medida que os empilhamos pela ordem com que os queremos ler, resistimos a introduzir outros pelo meio, atrasando leituras que gulosamente já antecipamos. Mas perante a promessa de que mos iria enviar, fui procurar na biblioteca dos meus pais, onde os encontrei. Como muitos outros que nem me recordava de ter visto e que me surpreendo por os encontrar, arrumados nas estantes que cobrem duas paredes, a maioria com marcas de leitura e sublinhados da minha mãe.     Acabei de ler o primeiro volume, Os Pioneiros. Segundo nos explica na introdução, a Autora, Luísa Beirão, utilizou a memória da Tia Graça, que tem, na altura em que a escreve, 99 anos. A partir das personagens que ela introduz e que existiram, cria personagens de romance, numa tentativa de reconstruir as épocas, os acon...

Neve, Orhan Pamuk (Editorial Presença)

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    Demorei muito tempo a ler este romance, Neve, de Orhan Pamuk. É um livro lento, detalhado e tão compacto que nos obriga a ler devagar.         Ka, um poeta turco, a residir na Alemanha, vai a Istambul para o enterro da mãe e depois a Kars, cidade situada no extremo nordeste da Turquia, para cobrir as eleições e talvez escrever um artigo a propósito das raparigas sucidárias. Quanto a estas raparigas, a dada altura é dito a Ka:      "É verdade que a causa dos suicídios reside na extrema infelicidade das nossas raparigas, disso não há qualquer dúvida. (...) Mas se a infelicidade fosse uma verdadeira causa de suicídio, metade das mulheres da Turquia ter-se-iam suicidad o."    São várias as histórias e as razões para estas jovens se suicidarem, mas o que mais o horroriza é a tranquilidade com que são encarados os suicídios [“… a maneira   como as suicidas se inseriam tão espontaneamente na banal vida quotidiana, sem avi...

Os Reinos do Norte, Philip Pullman (Presença)

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    Já passaram uns bons anos desde que o meu irmão me estendeu este livro e me disse «Lê. Vais gostar.». E apesar de ele nunca ter lido nenhum dos livros que eu lhe apresentei com a mesma frase, a verdade é que gostei - deste e dos dois que se lhe seguiram.     Há uns anos, foi feita uma adaptação para o cinema que deixou muitíssimo a desejar (tanto que os outros dois livros da trilogia não chegaram a ser adaptados); agora, foi anunciada uma série, pela mão da HBO e da BBC. Decidi que estava na altura de reler - e, pelo caminho, batizei a minha gata com uma versão «aportuguesada» do nome da protagonista: Lira.          Na trilogia, Lyra Belacqua é uma jovem de 12 anos que vive num colégio de eruditos, que a acolheram aquando da morte dos pais.      « Ela era uma pequena selvagem, a maior parte do tempo. Mas sempre tivera uma intuição obscura de que isto não constituía a totalidade do seu mundo; que uma parte da su...

Harry Potter e os Talismãs da Morte, J. K. Rowling (Editorial Presença)

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    E chegamos ao fim da saga Harry Potter .    Tal como o livro anterior, Harry Potter e o Príncipe Misterioso, este foi um livro que apenas agora reli (contraste com os demais). Deve-se isto a vários fatores. O primeiro é o facto, também à semelhança do sexto livro, não ter adorado o livro. Desta vez, sim, gostei mais, até porque esclareci várias dúvidas, mas não teve a mesma redenção que o anterior. O segundo fator é que a história chega ao fim; é o momento aguardado - e, enquanto aguardava, sentia saudades e ia relendo os livros que já tinham saído. Por fim, é o livro mais recente, que também corresponde aos filmes mais recentes - e, na minha opinião, com melhores efeitos - pelo que acabam por ser revistos e manter a história presente a ponto de não sentir necessidade de a revisitar. Desde já digo que isto é um erro. Se houve coisa de que me apercebi nesta jornada de visita ao passado é que há tanta, mas tanta coisa relevante ou até mesmo simplesmente intere...

Harry Potter e o Príncipe Misterioso, J. K. Rowling (Editorial Presença)

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    A primeira vez que li este livro (e esta foi apenas a segunda, ao contrário do que aconteceu com todos os volumes anteriores da saga Harry Potter) odiei-o. Não creio ser uma palavra exagerada. Fiquei desiludida, achei que era uma considerável diminuição da qualidade da história. Já não podia simplesmente imiscuir-me com os meus companheiros literários nas suas aventuras e desventuras por Hogwarts. E eu só podia viver aquele mundo através deles. Se estivessem preocupados com outras coisas, não podia aceder-lhe! Mas, como tem vindo a acontecer, desde que decidi ler a saga do princípio ao fim, desta vez foi diferente. Voltei àquela sensação de querer sempre saber o que se ia passar de seguida. Era intriga atrás de intriga e o equilíbrio perfeito entre história e ação.     O sexto ano de Harry Potter em Hogwarts começa logo com um estranho pedido de Dumbledore para que o aluno o acompanhe na visita a um amigo e antigo professor que o diretor quer convencer a ...

Harry Potter e a Ordem da Fénix, J. K. Rowling (Editorial Presença)

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    Sou daquele tipo de leitores chatos que não aceitam ouvir sequer uma linha à frente do que estiverem a ler, porque querem descobrir tudo o que se vai passar e saborear essa mesma descoberta. Porém, quebro essa regra a cada (re)leitura dos livros da saga Harry Potter.      Tendo decidido voltar a lê-la de fio a pavio este ano, confesso um grande prazer em revisitar este mundo mágico, como já terá ficado evidente nas minhas entradas sobre os livro um , dois , três e quatro . Para meu espanto, descubro mesmo um prazer renovado nestas leituras, pois já passaram quase dez anos desde que comecei a ler saga, e aquilo que me desperta a atenção hoje é diferente do que me encantava antes. Direi mesmo que, no caso de HP, é o saber a história já que me dá tanto gozo em lê-la, não só porque parece que estou a reencontrar amigos de há muitos anos, mas também porque consigo apreciar a criatividade e a coerência da autora. Como sei o que vai acontecer à frente, estou ...