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Era tudo tão bom, Linda Grant (Civilização Editora)

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    Não gosto de escrever críticas de livros que não terminei, porque nunca se sabe quando há uma qualquer reviravolta na história que nos surpreende ou agarra. Mas já ia a meio deste livro e... não estava a funcionar entre nós. Foi um relacionamento a que tive pôr fim.     Se tardei a desistir (quase dois meses, o que, já de si, é demasiado tempo para um livro tão pequeno), foi porque a história de fundo parecia muito interessante  e eu queria desvendá-la. Só que já vou sabendo identificar os estilos que gosto e, muito para lá da história, aprecio um livro bem escrito, bem construído e cuja escrita seja bonita - mesmo quando sobre temas feios. Não encontrei isso aqui.     Já tinha lido um livro da Linda Grant, Vidas Entrelaçadas , e lembro-me que gostei bastante. Esse foi outro motivo para tentar manter a chama da leitura. Mas, de facto, a forma como este romance está escrito não me cativou. Não vi passagens bonitas, achei o...

Deixa o grande mundo girar, Colum McCann (Civilização Editora)

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       Mais um livro fantástico. Quando acabo um livro cuja leitura me prendeu, receio sempre começar o próximo. Acho que será difícil que me prenda da mesma maneira. Mas ultimamente tenho tido a sorte de ler vários livros de seguida muito bons. De que gostei. Este foi mais um. Difícil foi interromper a leitura e, sobretudo, virar a última página.  O pretexto do livro é um acontecimento real:     N uma madrugada do final do Verão,os habitantes de Manhattan observam incrédulos e em silêncio as Torres Gémeas. Estamos em Agosto de1974 e um misterioso funâmbulo corre, dança e salta entre as torres, suspenso a quatrocentos metros do chão.       As personagens do livro são as pessoas que passam na rua e olham surpreendidos para aquele homem que parece andar no ar, que se atrasam para o verem,  que à distância falam pelo telefone com alguém que está parado na rua a espreitá-lo, que se cruzam com ele mais tar...

Crime e Castigo, Fiódor Dostoiévski (Civilização Editora)

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    Confesso - antes de qualquer outra coisa que possa escrever - que estou com algum receio de fazer esta crítica.      Tinha decidido que seria este ano que me iniciaria nos clássicos russos. E "Crime e Castigo" é um daqueles clássicos. Russo também, sim. Mas essa parte até se dispensaria. É um clássico da literatura , daqueles que ouvimos falar toda a nossa vida. Eu, pelo menos, ouvi. Sem sequer saber muito bem do que tratava. Então, há umas semanas, fui jantar com dois amigos, ela do Cazaquistão, ele da Croácia, e, quando passámos para o tema dos livros - não me recordo já como nem porquê - ambos me olharam como se eu fosse um bicho estranho (' Como assim, nunca leste "Crime e Castigo"? Tens de ler!' ). Pareceu-me o momento certo. Assim que terminei o que estava a ler anteriormente (" The White Princess "), peguei no "Crime e Castigo", uma versão muito antigo que esse meu amigo me tinha emprestado e que acabei por trocar por est...

A Fotografia, Penelope Lively (Civilização Editora)

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    Encontrei este livro à venda num centro comercial do Porto. O preço de saldo, aliado à capa, e à indicação Vencedora do Booker Prize (a autora, claro, mas não por este livro) levaram-me a folheá-lo e a interessar-me logo pela sua leitura.     Há livros assim, muito bem escritos, que imediatamente nos arrebatam mas não convencem. A história pode ser contada em poucas linhas: um académico, viúvo, encontra numa estante um envelope onde está escrito, pela mão da mulher morta há já algum tempo, o seguinte: NÃO ABRIR - DESTRUIR.        Dentro do envelope está uma fotografia de um grupo de pessoas. Um homem e uma mulher estão de costas voltadas para o fotógrafo e de mãos dadas. Reconhece os dois: a mulher dele, Kath, e o cunhado, casado com Elaine, irmã dela. Esta descoberta leva-o a uma procura obsessiva do momento em que a fotografia havia sido tirada, da relação  entre os dois e ainda da eventual existência de outros homens na  ...

A filha do conspirador, Philippa Gregory (Civilização Editora)

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    Já li alguns livros da Philippa Gregory e mantenho - ou vou confirmando, em cada um - a minha opinião geral: os seus pontos fortes, para mim, são a escrita simples, na primeira pessoa e sempre na perspetiva de uma mulher, levando a que seja uma leitura leve e que agarra, ao mesmo tempo que nos transporta para os séculos remotos da corte inglesa, entre os períodos da Guerra dos Primo e, mais tarde, dos Tudor. Além disso, como cada livro se centra principalmente numa mulher em particular, interveniente nesse período, temos geralmente pontos de vista contrastantes, o que se torna muito interessante.     No entanto, também torna a leitura cansativa, se decidirmos ler alguns livros de seguida, porque parece que há muita repetição de informação - e esse é um dos seus pontos fracos. O outro é que, se a escrita é simples e acessível, não é particularmente brilhante. Não a considero uma grande escritora.     Já tinha este livro havia alguns anos, desde a ...

A Rainha Vermelha, Philippa Gregory (Civilização Editora)

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   Este romance consiste, basicamente, no outro lado da Guerra dos Primos. Pensei que seria uma continuação de "A Rainha Branca" mas passa-se no mesmo período, apesar de começar um pouco mais cedo (1453) e terminar com a vitória do que se tornou o Rei Henrique VII.      [Para mais detalhes sobre o período histórico ver o comentário sobre 'A Rainha Branca' ]     Desta vez seguimos Margarida Beauford (nome de solteira), a herdeira da casa Lencastre, extremamente devota, cujo único filho com Edmundo Tudor, o seu primeiro marido (quando tinha apenas 13 anos!), viria a ser Rei Henrique VII, herdeiro das casas de Lencastre e de Tudor.     Considerei-o mais fraco que o anterior, mas, mais uma vez, lê-se bem. São boas leituras para férias.

A Rainha Branca, Philippa Gregory (Civilização Editora)

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    A Rainha Branca é um romance histórico passado entre 1464 e 1485, tendo como pano de fundo a Guerra das Rosas - uma série de batalhas travadas entre duas casas rivais da família Plantageneta (sangue real). Para aqueles que desconhecem o tema, esta Guerra consistiu em batalhas pontuais entre 1455 e 1485, com primos lutando contra primos e irmãos traindo-se constantemente. A casa de Lencastre tinha como símbolo a Rosa Vermelha e a casa de Iorque, a Rosa Branca - daí a designação de Guerra das Rosas.     Daí também o título do livro que segue a ascensão ao lugar de Rainha pela casa de Iorque de Isabel Woodville, filha dos Duques de Borgonha. A própria autora descreve-a como uma rainha bastante menosprezada e pouco amada", mas uma vez que a narrativa é feita pela própria personagem, é impossível não sentir certa empatia, até porque, mesmo que seja apenas ficção, ela amava mesmo o Rei Eduardo e a família, sendo uma boa filha e irmã e uma mãe extremosa e ...

O Circo dos Sonhos, Erin Morgenstern (Civilização)

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    Mais uma vez o livro chamou-me a atenção pelo título e pela capa. Presumi que fosse algum tipo de romance assim mais negro. E fiquei interessada.     Tenho de admitir que comecei por fica um pouco desiludida quando percebi que tinha o seu misticismo, pois estava à espera de um romance mais para o real.     De qualquer modo, rapidamente fiquei presa. É, sem dúvida, uma história original e está muito bem escrita. Além disso tem uma estética e uma organização diferentes, que também gostei muito.     No início do romance, dois homens (cuja relação não se entende) estabelecem um acordo para começarem um desafio entre duas crianças, cada uma treinada por um deles. Celia é filha de Prospero, um ilusionista (que, na verdade, tem mesmo alguns poderes) de renome, que nasceu já com certas aptidões. Marco é escolhido num orfanato pelo "homem de fato cinzento" e treinado de um modo totalmente distinto, mais académico.  ...