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A Casa das Tias, Cristina Almeida Serôdio (Teorema)

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      É frequente gostar dos livros que leio, menos frequente é ler livros que me dão vontade de escrever. Foi o que aconteceu com A Casa das Tias.     Confesso que embora tivesse gostado muito do outro livro da Cristina Serôdio, O Colégio , que me permitiu abrir gavetas onde se encontravam arrumadas memórias que pensava perdidas, não fiquei com vontade de as escrever, preferi mantê-las fechadas, apesar de agora dispor de uma chave para as abrir. De comum, nos dois livros, a belíssima escrita da Cristina.     No caso d’A casa das Tias, a vontade com que fiquei de escrever pode resultar do facto de ter também uma família muito grande. E se duvido que todas as famílias felizes são parecidas umas com as outras, sei, por experiência, que todas as famílias grandes são diferentes das outras famílias, sejam grandes ou pequenas.     A história da casa das Tias é contada porque M. – que é sempre assim designada-, que herda a casa onde cresceu o ...

A Persuasão Feminina, Meg Wolitzer (Teorema)

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    Decidi-me a comprar e a ler este livro porque me foi duplamente recomendado, pela Chimamanda Ngozi Adichie, escritora que muito aprecio (e de quem já tenho saudades), e que, de acordo com a capa, considerou A Persuasão Feminina « Profundo e Autêntico. Um livro maravilhoso » e pela Sofia, que, neste blogue, fez a recensão de um outro livro de Meg Wolitzer, Os Interessantes , de que gostou muito.     Não gosto de livros escritos para mulheres, apesar de gostar de livros protagonizados por mulheres e procurar - sobretudo ultimamente - ler mais livros escritos por mulheres. Mas não gosto de ler um livro a pensar que foi escrito para um público feminino, como por exemplo, A Cozinheira de Castamar , de Fernando J. Múñez, que diz que o escreveu a pedido da mãe: « Filho, escreve algo para mim.»  E este livro é obviamente escrito para um público feminino.     A Persuasão Feminina  talvez interesse a jovens estudantes universitárias ou ...

De que falamos quando falamos de amor, Raymond Carver (Editorial Teorema)

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    Já tinha lido "De que falamos quando falamos de amor" há muitos anos. Recentemente uma amiga disse-me que tinha perdido este livro e queria muito recuperar justamente esta edição, o que foi possível e de forma muito acessível na Déjà lu.      Devido ao confinamento, não pude entregar-lhe o livro e aproveitei para relê-lo. À medida que o lia apercebia-me de semelhanças da escrita de Carver com a escrita de Flannery O'Connor, e ainda que os contos de ambos acabam no momento certo. Aquelas personagens, aquelas histórias terminam ali. Nos contos de outros autores sinto muitas vezes que poderiam continuar, que o fim é uma escolha arbitrária do autor. Ao contrário, os contos de Carver e de Flannery acabam quando têm de acabar, quando seria impossível continuar. Há um enorme desespero na maioria dos contos, são quase as palavras das imagens de Hooper. Imaginamos gente solitária, desesperada, pobre. Com medo. Aliás este sentimento aparece em quase todos os...

O Carteiro de Pablo Neruda, Antonio Skármeta (Editorial Teorema)

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    Reparei neste pequeno livro a espreitar-me da estante da minha avó. Reparei uma vez, voltei a reparar na semana seguinte, e novamente na seguinte, até que, por fim, me decidi a trazê-lo comigo. Trata-se de um livro pequenino e velhinho, daqueles já com manchas amareladas a contarem o tempo das páginas, que contam uma história que me recordo de conhecer de há muitos anos - não fora este o livro que deu origem ao filme homónimo, realizado por  Michael Radford em 1994. Neste romance, ficamos a conhecer a história de Mario Jiménez, que, em 1969, passou a ser carteiro na Ilha Negra, onde habitava apenas um correspondente: o poeta Pablo Neruda. Com o intuito de se fazer valer de uma relação de proximidade com o poeta para conseguir a atenção das mulheres, Mario Jiménez tenta que o escritor lhe faça uma dedicatória num dos seus livros. Acaba por lhe correr melhor. Ao entregar-lhe uma missiva que incluía uma carta da Suécia. o carteiro questiona Neruda quanto à sua...

A Cor Púrpura, Alice Walker (Editorial Teorema)

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    O livro que deu origem ao famoso filme de Steven Spielberg, onde se destacam Whoopi Goldberg e Oprah Winefrey. Já vi o filme há bastante tempo mas, na sequência do livro anterior - "Meia Noite ou o Princípio do Mundo" -, fiquei com vontade de o ler quando vi a sua lombada na estante dos meus avós.     Numa fase inicial, seguimos Celie, que conta a sua história através de cartas dirigidas a Deus. Celie vivia com o pai e com os vários irmãos quando a mãe adoeceu e acabou por morrer. Com 14 anos, o pai começa a abusar dela e ela tem dois filhos dele, que ele trata rapidamente de fazer desaparecer. Quando se apercebe que o pai começa a olhar para a irmã mais nova, Nettie, faz tudo para que ele mantenha as atenções em si, a fim de proteger a irmã. Nettie estudava e era considerada bonita, ao contrário de Celie, que diziam ser feia e que não teve autorização para estudar.     Quando um homem viúvo vem pedir para casar com Nettie, o pai ...

Lolita, Vladimir Nabokov (Editorial Teorema)

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    Lolita é um livro onde se narra a paixão - se é correcto que lhe apliquemos esse termo - de Humbert, homem nos seus quarenta anos, por Lolita, uma criança de 12 anos. A história é conhecida, o termo Lolita , como designativo de crianças com precoces atitudes sexuais e de sedução, também.     A narrativa é deslumbrante e, sobretudo na primeira parte, em que o enredo se desenvolve mais rapidamente, é difícil pousar o livro. Se, por vezes, consideramos que há um interesse mútuo entre as duas personagens, depressa surge uma nova evidência do sofrimento da criança. No entanto, não é um livro que tenha referências dolorosas para o leitor, ou de carácter subversivo, sexual ou violento, pelo que conseguimos lê-lo com discernimento e sem asco, chegando mesmo a saborear as palavras que, como já mencionei, se dispõem maravilhosamente. *** Quero ler este livro!