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L'ordre du jour, Éric Vuillard (Actes Sud)

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    Debaixo do título, L'ordre du jour , aparece a indicação Récit e de facto não se trata de um romance. Uma amiga minha, residente na Bélgica, trouxe-mo e falou muito nele e num outro, que espero ler em breve, Les amnésiques .      Este livro, pequeno em termos de dimensão, é  imenso, pelo tema que trata, pela forma como o aborda, pelas denúncias que faz, pelas personagens de que fala. Demorei muito tempo a lê-lo porque, com frequência, ia pesquisar  pessoas de que falava e os factos que relatava.     Em linhas gerais, o livro fala da anexação da Áustria por parte da Alemanha, da Anschluss, ou, mais concretamente do encontro entre Kurt von Schuschnigg, chanceler da Áustria, e Hitler, em que é imposto ao primeiro um acordo que amnistia os crimes perpetrados por nazis e designa para o governo um ministro também ele nazi. A conversa entre eles (imaginada? real?) é quase surrealista.   Schuschnigg tenta provar tudo o qu...

Canção doce, Leila Slimani (Alfaguara)

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        Canção doce é um livro muito perturbador e de uma enorme violência. Logo na contracapa lemos o resumo e ficamos a saber a história. Myriam, mãe de duas crianças pequenas chega a casa mais cedo para surpreender os filhos que estão com uma ama. E o livro começa assim:     O bebé morreu. Bastaram alguns segundos. O médico garantiu que ele não sofreu. Deitaram-no dentro de um saco cinzento e fizeram deslizar o fecho de correr sobre o corpo desarticulado que boiava no meio dos brinquedos. Quanto à menina, ainda estava viva quando chegaram os serviços de emergência.    Não é um livro de suspense no sentido clássico, pois sabemos logo no início o drama que se vai abater sobre aquela família e de quem é a responsabilidade. E se o livro começa justamente pelo fim, percebemos que o importante é  o caminho que é feito até àquele momento. Os passos dados, os sinais ignorados que conduziram àquele desfecho. Mas o t...

Imperatriz, Shan Sa (notícias editorial)

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        O livro Imperatriz, emprestado pela Rita, que aprecia muitíssimo a escritora e este livro dela em particular (e o tradutor, Gonçalo Praça, pela tradução e por muitas outras razões) seduziu-me mas não me apaixonou. Não sei como explicar, mas determinadas passagens pareceram-me demasiado longas, os nomes de muitas das personagens sucediam-se e nalguns casos tinha dificuldade em me recordar se se tratava de um filho, um sobrinho, um general, um eunuco... (se calhar uma árvore genealógica teria facilitado a leitura) e depois incomodou-me não saber o que era verdade (provavelmente pouco para além da própria personagem) e o que era ficção.      Feitos estes apartes, o livro é fascinante. Poderíamos ser levados a acreditar que no século VII, na China, as mulheres disputavam e exerciam o poder, mas no livro é lembrada a afirmação de Confúcio " Uma mulher envolver-se na política é tão escandaloso como uma galinha pôr-se a cantar no...

Au revoir là-haut, Pierre Lemaitre (Albin Michel)

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     O que tomei como um desafio, ler um livro em francês com quase 600 páginas, tornou-se uma obsessão. Cada dia era mais difícil interromper a leitura.      O livro divide-se em três partes: novembro 1918,  novembro 1919 e março 1920 e acaba com um curto epílogo.     A primeira parte desenrola-se nos últimos dias da 1ª guerra mundial, a dias do armistício em que poucos soldados acreditam. Aliás o livro começa com a seguinte afirmação: Todos os que pensavam que esta guerra acabaria em breve estavam mortos há muito tempo. Mas se a expetativa do armistício pode conduzir à inércia e paralisar as partes em presença é também o momento em que os chefes querem ganhar o maior terreno possível de forma a apresentarem-se em posição de força à mesa das negociações.     E é nesse ambiente que os soldados do 113, comandados por um ambicioso oficial - d'Aulnay-Pradelle - aristocrata, pobre mas ambicioso, atacam. O que acontece ...