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O Conquistador, Almeida Faria (Assírio e Alvim)

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    Li O Conquistador no âmbito do Clube de Leitura da Almedina, dinamizado por Paulo Faria. Do autor, Almeida Faria, já tinha ouvido falar, mas desconhecia a dimensão da sua obra, os prémios que tinha ganhado e as línguas para as quais já tinha livros traduzidos. O Conquistador é o seu sexto romance, publicado em 1990, e inclui um conjunto de desenhos fantásticos de Mário Botas, também autor da ilustração da capa.    Começo por confessar que gostei de ler um romance passado em Portugal, com nomes e lugares portugueses, com a nossa história e as nossas pequenas estórias e crenças.     Joana Correia de Castro e João de Castro, faroleiro, viviam no Cabo da Roca. Como não tinham filhos, ficaram com a criança encontrada na praia da Adraga, depois da tempestade mais tremenda de que as pessoas se lembravam. Segundo a avó Catarina, a criança estava «metida num ovo enorme, com a cabeça, as pernas e os braços de fora» e não podia ser um acaso ter vindo ao mundo ...

Mendel dos livros, Stefan Zweig (Assírio & Alvim)

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    Começo por falar nesta edição da Assírio & Alvim. O livro é precedido de uma apresentação de Álvaro Gonçalves e de uma cronologia biográfica. Lê-lo, depois da leitura destes textos, faz toda a diferença. Só pela sua leitura sei que a história de Mendel dos livros é de 1929, o que o transforma numa escrita quase profética do que viria a acontecer, ao mundo (particularmente à Europa) e a ele próprio.     Mas a força do livro reside na personagem de Mendel, uma metáfora do mundo civilizado e culto, que vive para os livros ( à exceção dos livros, este homem estranho não sabia nada do mundo (...) e que é destruído pela campo de concentração onde é detido durante dois anos e depois pelas alterações havidas no café onde permanecia habitualmente e pela sua incapacidade de se adaptar aos novos tempos.      O livro é sobretudo uma reflexão poderosa sobre a memória, como funciona, e o que fica de nós ( Para que vivemos se o vento atrás ...

Novela de xadrez, Stefan Zweig (Assírio e Alvim)

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     Gostei muito desta novela que o Diogo me ofereceu e de que nunca tinha ouvido falar. A ação principal decorre num navio a vapor que parte de Nova Iorque com destino a Buenos Aires. Nele segue o campeão do mundo de xadrez, mas também um desconhecido que, por força do isolamento causado por um longo período em que esteve prisioneiro da Gestapo, domina as técnicas deste jogo. São duas pessoal abissalmente distintas e a viagem ao passado de cada um, à forma como aprenderam a jogar, demonstra as diferentes raízes de cada um e, ao mesmo tempo, leva-nos até aos primeiros anos de Hitler no poder.     Um retrato deste período distinto do habitual, já que encontramos pessoas detidas num hotel e não em campos de concentração: No campo de concentração talvez tivéssemos de carregar pedras até que as mãos sangrassem e os pés ficassem congelados nos sapatos, seríamos ensardinhados com duas dúzias de pessoas no meio de fedor e frio. Mas poderíamos olhar pa...

Bartleby, Herman Melville (Assírio e Alvim)

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    Uma surpresa este livro cuja oferta, pelo Diogo, também foi um surpresa. As duas, boas surpresas.    A história é-nos narrada pelo advogado (ou notário) que recruta Bartleby para o seu escritório, situado em Wall Street, como escrivão ou copista. Já tem a trabalhar com ele dois copistas e um moço de recados  e como as suas ocupações tinham aumentado e não estava muito satisfeito com o ambiente de trabalho, decide recrutar mais um copista.    A entrada de Bartleby no escritório tem um efeito contrário ao pretendido. O seu silêncio, o facto de não comer e de viver no escritório (que só mais tarde é descoberto) são interpretados como uma dedicação imensa ao trabalho que é depois toldada pela recusa de fazer alguns trabalhos. A recusa é sempre idêntica ( preferia não o fazer ) mas definitiva e irreversível. Vai recusando algumas tarefas até que finalmente deixa de trabalhar. O comportamento de Bartleby dá origem a sentimentos distintos e gera...