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Olhos azuis, cabelo preto; Marguerite Duras (Público - Coleção Mil Folhas)

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    A minha estreia com Marguerite Duras foi uma experiência que me deixou dividida. O pequeno romance é diferente, tanto em conteúdo como em formato; no entanto, está escrito de uma maneira tão bonita que, quando o terminei, me apercebi que mais de um terço das páginas tinha o canto dobrado (sinal que havia pelo menos uma frase que eu queria "roubar" daquela página) - e o livro não chega às cem páginas.     A história passa-se entre um homem e uma mulher; a cena desenrola-se essencialmente num quarto. É-nos passada a ideia de que devemos assistir ao desenrolar do enredo como espetadores na plateia de um teatro:       Far-se-ia noite na sala, a peça começaria.    A descrição do cenário, do perfume sexual, o dos móveis, do acaju escuro, deveria ser lida pelos atores no mesmo tom que usariam para contar a história. Mesmo se, ao acaso dos teatros diferentes onde a peça fosse representada, os elementos desse cená...

A Metamorfose, Franz Kafka (Público - Coleção Mil Folhas)

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    Mais um livro que tive de ler por causa do curso on-line; há muito que me diziam para o ler, mas nunca me tinha apetecido, porque parecia-me que não era exatamente o estilo de livros que aprecio. O que confirmei.     A Metamorfose é um livro que conta a história de Gregor Samsa, um homem que vive com os pais e a irmã mais nova e é o único que trabalha para poder pagar uma dívida que os pais contraíram. Acorda um dia e apercebe-se que se transformou num grande inseto e com isso fica impossibilitado de trabalhar e toda a dinâmica familiar se altera.      Correndo o risco de criar polémica ou ofender alguém, ou mesmo que me digam simplesmente que é falta de maturidade, não gostei do livro. Talvez por não encontrar nele maneira de me associar com os personagens e as suas reações; talvez por ter determinada ideia do que é para mim a família e de não compreender grande parte das reações dos familiares do personagem principal. Ne...

Morte em Veneza, Thomas Mann (Colecção Mil Folhas)

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   Interrompi a leitura do Doutor Jivago, para ler Morte em Veneza. Comecei a leitura convencida que conhecia a história mas não podia estar mais distante.    Aschenbach, o protagonista é um escritor alemão, de meia idade, disciplinado na sua vida e atividade e reconhecido pela obra já publicada.    Num passeio que faz durante um dia de Primavvera, encontra um homem, um viajante, que desperta nele uma vontade imensa de viajar - Não era mais do que um grande desejo de viajar; mas surgia assim, num acesso repentino, e crescia nele até à paixão, até à alucinação .    Decide partir para Veneza. Lá instalado, descobre um jovem polaco lindíssimo por quem se sente irremediavelmente atraído ( e agora, que se encontrava de perfil para o observador, este de novo se tomou de espanto, quase pavor, perante a beleza verdadeiramente divinal daquela jovem criatura humana.)    Esta atração leva-o a procurar rejuvenescer, pintando o cabelo e trat...