Olhos azuis, cabelo preto; Marguerite Duras (Público - Coleção Mil Folhas)
A minha estreia com Marguerite Duras foi uma experiência que me deixou dividida. O pequeno romance é diferente, tanto em conteúdo como em formato; no entanto, está escrito de uma maneira tão bonita que, quando o terminei, me apercebi que mais de um terço das páginas tinha o canto dobrado (sinal que havia pelo menos uma frase que eu queria "roubar" daquela página) - e o livro não chega às cem páginas. A história passa-se entre um homem e uma mulher; a cena desenrola-se essencialmente num quarto. É-nos passada a ideia de que devemos assistir ao desenrolar do enredo como espetadores na plateia de um teatro: Far-se-ia noite na sala, a peça começaria. A descrição do cenário, do perfume sexual, o dos móveis, do acaju escuro, deveria ser lida pelos atores no mesmo tom que usariam para contar a história. Mesmo se, ao acaso dos teatros diferentes onde a peça fosse representada, os elementos desse cená...